Projeto de Bonito alcança maior nota em seleção nacional da Funarte e prepara nova versão de espetáculo circense

Circando: Uma Vivência Circense transforma espetáculo criado no Espírito Santo em nova montagem com três artistas e realizará circulação e oficinas em Mato Grosso do Sul ainda em 2026

Um espetáculo que nasceu como trabalho solo em Guarapari, no Espírito Santo, ganha novos artistas, movimentos e experiências em Mato Grosso do Sul. “Circando: Uma Vivência Circense”, projeto desenvolvido por artistas residentes em Bonito, foi selecionado pelo Circuito Funarte Carequinha de Circo, programa nacional de incentivo à circulação das artes circenses.

A seleção colocou o projeto sul-mato-grossense em destaque no cenário nacional. O Circuito Carequinha recebeu 338 propostas de todo o país e selecionou 24 iniciativas. O Circando obteve nota 50,15, a maior registrada entre as propostas selecionadas na etapa de seleção após recursos.

Promovido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura, o Circuito Carequinha integra o Programa Funarte de Difusão Nacional e busca estimular a circulação de espetáculos circenses e ações de intercâmbio, mediação e formação, ampliando o acesso à produção artística em diferentes regiões brasileiras.

De Guarapari a Bonito

Criado originalmente como espetáculo solo em Guarapari (ES), o Circando ganha uma nova configuração após o retorno de seu criador, Ulisses Moraes Nogueira, a Mato Grosso do Sul. Nascido em Amambai e atualmente residente em Bonito, Ulisses possui mais de 25 anos de trajetória nas artes cênicas, tendo integrado o grupo teatral XPTO e trabalhado com companhias como Deborah Colker e Ballet Stagium.

Sua formação inclui a Escola Nacional de Circo e especialização internacional na École de Cirque Électrique, em Paris. Fundador da Uli Produções Artísticas, Ulisses também preside o Instituto Espiral Arte Movimento, em Bonito, onde desenvolve ações ligadas à produção artística, gestão cultural e formação.

A partir desse retorno ao estado, o espetáculo começou a ser repensado para uma formação com três artistas. Ao lado de Ulisses estão Sorrayla Acosta Parra e Maria Sato, ambas com trajetórias ligadas às artes cênicas, ao circo e à formação cultural.

“A semente dessa remontagem nasceu junto com Sorrayla Parra, artista e produtora cultural, quando idealizamos transformar o solo em um trio em cena, contando também com a presença da Maria”, explica Ulisses, que assina a direção e a concepção artística da nova montagem.

Mais do que acrescentar novos integrantes ao elenco, a proposta é reconstruir o espetáculo a partir do encontro entre diferentes trajetórias. A linguagem circense permanece como eixo central, mas passa a dialogar mais intensamente com o teatro e a dança. O que antes era executado por um único artista passa a ser desenvolvido por três corpos em cena, abrindo novas possibilidades de interação, movimento e criação.

“Mais do que uma simples remontagem, este projeto representa, acima de tudo, um ato de democratização do acesso à cultura. Nosso objetivo central é fortalecer o circo tradicional, mas trazendo uma linguagem completamente repaginada e dinâmica”, destaca Ulisses.

Circo para além do palco

A proposta do Circando não termina quando o espetáculo acaba. Além das apresentações, o projeto realizará oficinas gratuitas de técnicas circenses, proporcionando ao público a oportunidade de experimentar práticas como malabares, equilibrismo em rola-rola e acrobacia de solo, com acesso a materiais e equipamentos utilizados no circo.

Tanto os espetáculos quanto as oficinas contarão com interpretação em Libras, ampliando as condições de acesso e participação nas atividades propostas pelo projeto.

A circulação e as oficinas estão previstas para acontecer ainda em 2026, alcançando diferentes territórios de Mato Grosso do Sul. A proposta contempla cidades do interior e ações voltadas também a comunidades com menor acesso à circulação de produções artísticas presenciais. Datas, locais e a programação completa serão divulgados em breve.

Para Sorrayla Acosta Parra, artista e produtora do projeto, a possibilidade de fazer o espetáculo chegar a diferentes territórios é uma das principais conquistas desta nova fase.

“Existe uma felicidade ainda maior em saber que esse trabalho vai chegar a lugares de difícil acesso, como assentamentos, comunidades indígenas e cidades do interior, como Piraputanga, Bodoquena e Bonito. Poder levar o circo e as artes cênicas para esses territórios dá um sentido muito especial ao projeto”, afirma.

Historiadora, artista, educadora social e produtora cultural, Sorrayla atua nas artes cênicas desde 2008, com trajetória no teatro, circo e palhaçaria. Com formação na ESLIPA — Escola Livre de Palhaços, no Rio de Janeiro —, é licenciada em História pela UFGD, professora de Teatro no projeto Garoto Cidadão, em Bonito, e integra a coordenação do Instituto Espiral Arte e Movimento. Também atua como Agente Territorial de Cultura no território de Jardim (MS).

Foi Sorrayla quem escreveu o projeto apresentado ao Circuito Carequinha. Segundo ela, o resultado teve um significado especial justamente pela dimensão nacional da seleção.

“Eu escrevi o projeto sem muitas expectativas de aprovação, justamente por ser uma seleção muito concorrida. Por isso, receber esse resultado foi ainda mais especial. Para mim, essa aprovação representa a coragem, a vontade e a verdade que existem em trazer e fortalecer a arte no interior do Mato Grosso do Sul”, destaca.

Três trajetórias, um novo espetáculo

A terceira integrante da nova formação é Maria Sato, artista circense multidisciplinar, arte-educadora e produtora cultural. Nascida no Japão e criada na Bahia, Maria reúne experiências profissionais no Brasil e em outros países da América Latina e, ao longo de sua trajetória, participou de projetos sociais que levaram espetáculos e oficinas circenses a diferentes territórios, especialmente para crianças, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade social.

Atualmente, atua como professora de circo no Instituto Visão de Vida, em Bonito, trabalhando na formação circense de crianças e adolescentes. É também criadora e intérprete do espetáculo circense-teatral Uma Mãe pelo Avesso, contemplado pela PNAB/MS.

Para Maria, a nova formação do Circando se constrói justamente a partir das diferenças entre os três artistas.

“Cada um de nós traz uma história, uma habilidade e um jeito próprio de estar em cena, e acho bonito perceber como essas diferenças vão se encontrando e dando uma nova identidade ao espetáculo”, afirma.

A relação entre espetáculo e formação também dialoga diretamente com sua atuação como educadora.

“É poder não só apresentar, mas criar espaço para que outras pessoas experimentem, brinquem, se desafiem e descubram o que o circo pode despertar”, acrescenta Maria.

Essa combinação entre apresentação e experiência é uma das características que dão nome ao projeto. Em vez de estabelecer uma relação em que o público apenas assiste ao circo, o Circando propõe também a aproximação com suas técnicas e possibilidades de expressão por meio das vivências.

Produção cultural a partir do interior de Mato Grosso do Sul

A nova montagem é realizada com produção executiva de Sorrayla Acosta Parra e Uli Produções Artísticas, com direção e concepção artística de Ulisses Moraes Nogueira.

O projeto conta ainda com o apoio e incentivo do Instituto Espiral Arte e Movimento, fortalecendo uma rede de artistas, produtores e iniciativas culturais que atuam a partir de Bonito e do interior de Mato Grosso do Sul.

A seleção pelo Circuito Funarte Carequinha de Circo amplia agora o alcance dessa produção. Para Sorrayla, o resultado também demonstra as possibilidades de criação artística fora dos grandes centros.

“Então, saber que o Circando foi aprovado é motivo de muita alegria e também de orgulho por estarmos construindo, juntos, novas possibilidades para o circo e para as artes cênicas no nosso estado”, afirma.

Para Ulisses, o retorno a Mato Grosso do Sul e a transformação de um espetáculo criado no Espírito Santo em uma nova experiência coletiva também sintetizam a própria trajetória do projeto: um trabalho que circula, encontra novos artistas e se modifica a partir dos territórios pelos quais passa.

A circulação de “Circando: Uma Vivência Circense” e as oficinas gratuitas acontecerão ainda em 2026, com interpretação em Libras tanto nos espetáculos quanto nas oficinas. As datas, os locais das apresentações e das atividades formativas serão anunciados em breve.

Sobre o projeto

Circando: Uma Vivência Circense é um projeto selecionado pelo Programa Funarte de Difusão Nacional 2025 – Circuito Carequinha de Circo, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura. A nova montagem reúne Ulisses Moraes Nogueira, Sorrayla Acosta Parra e Maria Sato.

Direção e concepção artística: Ulisses Moraes Nogueira
Produção executiva: Sorrayla Acosta Parra e Uli Produções Artísticas
Apoio e incentivo: Instituto Espiral Arte e Movimento

Fonte: AssCom, por Gabriela Junqueira

Related posts

Lei Seca: MS ainda não decidiu se haverá proibição de bebidas no dia do voto

Campanha em Bonito coleta 223 bolsas de sangue e amplia cadastro de medula

MS entra em alerta vermelho para onda de calor com previsão de até 43°C