Um das dezenas de processos sobre corrupção no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) que têm como réu o despachante David Cloky Hoffaman Chita avança na Justiça e chega à fase de instrução e julgamento.
Consta nos autos que se encerrou o prazo de defesa prévia. Recentemente, David chegou a ser ouvido em outra ação por fraudes no Detran-MS, as quais fazem parte do esquema do “4º Eixo”.
O servidor concursado e já exonerado, Calisto Mercado Magalhães, também é réu na ação, mas não se manifestou nesse primeiro momento.
Agora, o processo seguirá para a fase de instrução, com levantamento de provas e audiências para depoimento de testemunhas e dos réus.
O esquema seria coordenado por David, que emitia o documento do veículo depois que Calisto inseria dados falsos, aumentando a capacidade de carga de semirreboques, aumentando os eixos cadastrados. O proprietário pagava ao despachante, que dividia a propina com o servidor.
David está de tornozeleira por conta de outro processo criminal, também por fraudes no órgão de trânsito.
Em 2024, o despachante tentou delatar os verdadeiros chefes da corrupção no Detran-MS. Na época, em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, David Chita apontou o deputado federal Beto Pereira (Republicanos) como chefe do esquema de corrupção no órgão.
Esquema antigo no Detran-MS
Os dois agiam principalmente com veículos pesados, atuando na alteração do peso bruto total e da quantidade de eixos.
“Restou apurado os intuitos das atividades criminosas, por meio de fraudes efetivadas no sistema de informação do Detran/MS, incorrendo em indícios suficientes de que os denunciados David e Calisto concorreram para a prática dos crimes em questão“, pontuou o promotor.
Por fim, denunciou David e Calisto por falsidade ideológica e inserção de dados falsos no sistema do Detran por três vezes, em ambos os casos.
David e Calisto praticaram outras fraudes no Detran-MS. Existe outro processo em que os dois são réus pelos mesmos crimes, ocorridos também em 2014.
David tentou delação
David afirmou que tinha como provar todas as acusações e que a possível delação poderia derrubar suposta quadrilha com servidores do órgão, empresários, delegados de polícia, assessores e políticos. No entanto, a delação foi barrada na PGR (Procuradoria-Geral da República), em Brasília.
Em entrevista ao Jornal Midiamax, em 2024, reconhecida pela Justiça como material jornalístico sério, David Chita, ao apontar Beto Pereira como o chefe da corrupção do Detran-MS, disse que as investigações são feitas para livrar políticos.
Na ação em que foi preso, David Chita agia em conluio com a servidora comissionada Yasmin Osório Cabral, apadrinhada política de Beto Pereira que teria sido nomeada no Detran-MS para operar o esquema.
Chita afirmava ter provas de ter repassado mais de R$ 1,2 milhão ao grupo chefiado pelo deputado federal no período em que o esquema criminoso operou. Beto Pereira nunca respondeu aos questionamentos da reportagem, mas afirmava em suas redes sociais que não tinha envolvimento com o esquema.
Blindagem
No ano passado, o Jornal Midiamax revelou que relatório de investigação da Polícia Civil demonstrava esquema de blindagem que existia dentro do órgão.
Em trecho do documento, a investigação revela que os procedimentos internos do Detran-MS, incluindo a Dirve (Diretoria de Veículos), comandada por Priscila Rezende de Rezende, averiguavam apenas os chamados ‘digitadores’, dificultando até mesmo as investigações policiais.
Conforme a Polícia Civil, os investigados se valiam dessa brecha para se eximir da responsabilidade, dizendo que eles não tinham como saber o que acontecia antes ou depois de inserirem informações no sistema.
Assim, a polícia diz que se tratou de “verdadeiro modus operandi, utilizado durante longo período no Departamento de Trânsito do Estado de Mato Grosso do Sul, considerando as dificuldades práticas encontradas pela investigação”, segundo trecho do inquérito policial.
Ainda, a polícia aponta possível acobertamento do próprio Detran-MS: “As supostas irregularidades eram entendidas como meras transgressões disciplinares, a exemplo de extraviar documentos ou lançamento de informações imprecisas”.
Fonte:MM