Mato Grosso do Sul entra na primavera na próxima terça-feira (22), em uma estação que deve combinar aumento das temperaturas, chuvas mais frequentes e possibilidade de temporais intensos. Em 2026, o início astronômico da nova estação ocorre às 21h05 no horário de Brasília — 20h05 no horário de Mato Grosso do Sul — e o período segue até 21 de dezembro.
A previsão climática para os próximos meses indica que a primavera poderá ter chuvas acima da média no Estado, mas distribuídas de forma irregular. Ao mesmo tempo, os termômetros devem permanecer elevados, com possibilidade de períodos de calor intenso e ondas de calor. O cenário está associado, entre outros fatores, à atuação do El Niño, que tem previsão de ganhar força durante a primavera.
A mudança de estação é marcada pelo equinócio de setembro. No momento exato do fenômeno, o Sol cruza o equador celeste no sentido do norte para o sul. No Hemisfério Sul, esse movimento marca o início da primavera; no Hemisfério Norte, começa o outono.
As estações do ano acontecem por causa da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de sua órbita e do movimento do planeta ao redor do Sol. Com a chegada da primavera no Hemisfério Sul, os dias passam gradualmente a ficar mais longos e as noites mais curtas até a chegada do verão.
Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, o equinócio ocorre quando o Sol atinge uma posição específica em sua trajetória aparente no céu. Nessa época, o nascer e o pôr do sol também acontecem próximos dos pontos cardeais leste e oeste, respectivamente.
Como será a primavera em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, a estação representa a transição entre o período mais seco do inverno e o estabelecimento gradual do regime chuvoso característico do verão.
Com o avanço da primavera, o ar quente e úmido proveniente da região amazônica volta a influenciar com maior frequência as condições atmosféricas do Estado. Isso favorece o aumento da umidade e da ocorrência de chuva.
O prognóstico do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), vinculado à Semadesc, aponta para precipitações acima da média em parte do período, mas com distribuição irregular. Para setembro, outubro e novembro, os acumulados previstos ficam entre 200 milímetros e 500 milímetros, dependendo da região do Estado.
A previsão não significa, porém, que a chuva será constante. O Estado pode registrar períodos de tempo seco entre episódios de precipitação, principalmente durante a transição entre o inverno e o período chuvoso.
Temporais podem ganhar força
A combinação de calor e umidade aumenta a possibilidade de formação de tempestades durante a primavera. Em episódios mais intensos, podem ocorrer chuva forte em curto intervalo de tempo, descargas elétricas, rajadas de vento e, de maneira localizada, granizo.
A estação também exige atenção para a ocorrência de períodos de estiagem. Mesmo com a previsão de volumes elevados de chuva no trimestre, a distribuição irregular pode fazer com que determinadas áreas passem por intervalos prolongados de tempo seco.
Essa alternância entre chuva intensa e períodos de calor e baixa umidade pode manter elevado o risco de incêndios florestais em determinadas regiões do Estado.
Temperaturas devem ficar acima da média
O calor será outra característica da primavera em Mato Grosso do Sul. A previsão climática aponta temperaturas acima das médias climatológicas, que ficam entre 22°C e 26°C no Estado durante o período analisado.
Em agosto, antes da chegada da primavera, Mato Grosso do Sul já havia registrado temperaturas acima da média e grande variação na distribuição das chuvas. A máxima chegou a 41,1°C em Pedro Gomes, enquanto a menor temperatura registrada foi de 3,8°C em Iguatemi.
A passagem de frentes frias ainda poderá provocar quedas temporárias nas temperaturas. No entanto, a tendência geral para a estação é de predomínio de calor, com possibilidade de episódios mais prolongados de temperaturas elevadas.
El Niño influencia o cenário
Um dos fatores observados pelos meteorologistas para a primavera de 2026 é o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e que altera padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.
O Cemtec aponta aumento da probabilidade de intensificação do fenômeno durante a primavera e o início do verão. Para o trimestre setembro-outubro-novembro, o monitoramento divulgado pelo órgão indica 100% de probabilidade de ocorrência, com cerca de 93% de chance de classificação como muito forte e 7% como forte.
Para outubro, novembro e dezembro, a probabilidade de ocorrência também é indicada em 100%, com aproximadamente 95% de possibilidade de intensidade muito forte. Os técnicos ressaltam, entretanto, que o El Niño não atua sozinho e que seus efeitos dependem da interação com outros sistemas atmosféricos e oceânicos.
Entre os possíveis reflexos estão períodos mais quentes, ondas de calor mais frequentes e alterações na distribuição das chuvas. O comportamento pode variar entre as regiões do Estado.
Por que a primavera não começa sempre no mesmo dia?
Embora o calendário normalmente associe a primavera ao dia 22 ou 23 de setembro, o início da estação não ocorre exatamente na mesma data e horário todos os anos.
Isso acontece porque o ano utilizado pelos calendários e o período necessário para a Terra completar determinados ciclos astronômicos não possuem exatamente a mesma duração. O calendário gregoriano utiliza anos bissextos para ajustar essa diferença.
Em 2026, o cálculo astronômico determina que o equinócio de setembro ocorrerá às 21h05 de 22 de setembro no horário de Brasília. A partir desse momento, começa oficialmente a primavera no Hemisfério Sul.
A nova estação seguirá até 21 de dezembro, quando ocorrerá o solstício que marca o início do verão.
Fonte:EFMS