De uma casca de ovo gigante, com exatos 13 metros de comprimento, surgem três dinossauros na praça de Nioaque, que se vale das esculturas para resgatar um passado cretáceo, eternizado em pegadas feitas há milhões de anos.
“As estruturas são em armação de ferro, cobertas com fibra e resina. O abelissauro e o velociraptor viveram na América do Sul, com pegadas de 60 milhões de anos atrás no arenito Botucatu, em Nioaque, no período cretáceo. O triceratops é um dinossauro da América do Norte”, afirma o paleoartista João Xavier Pilenghy.
Após oito meses de trabalho, os dinossauros, com alturas entre 2,5 metros e 3 metros, estão na fase final. “São réplicas dos dinossauros em movimento. Ainda falta terminar olhos, pernas, textura e pintura. Cada um com cores reais. Na parte de trás é uma casca de ovo gigante e uma escrita com a era geológica da terra”, diz João. As réplicas ficam na Rua XV de Novembro, Centro.
O artista também assina a escultura de abelissauro, espécie carnívora e bípede, que fica na entrada da cidade e foi inaugurada em 2015. “Trabalho há mais de 40 anos para desenvolver a parte de paleontologia e arqueologia em Nioaque”.
A cidade ganhou a fama em 2015, após uma equipe de paleontólogos da Universidade Federal do Rio de Janeiro anunciar a comprovação científica de pegadas de dinossauros na região, descoberta que teve os primeiros registros ainda na década de 1980.
Há dois anos, por meio da Lei Estadual 6.222, sancionada pelo governador Eduardo Riedel (PP), a cidade oficializou o cognome: “Vale dos Dinossauros”.
O animal pré-histórico se tornou símbolo da região depois que pegadas foram encontradas às margens do Rio Nioaque. A pré-história é o período antes da invenção da escrita.
A reportagem solicitou informações à Prefeitura de Nioaque sobre o início da obra, prazo para conclusão e custos, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.
Terra de histórias – Com 177 anos, Niaoque tem muitas histórias para contar, como a Guerra do Paraguai. No dia 27 de dezembro de 1864, aconteceu a invasão ao Forte Coimbra, em Corumbá, pelas tropas paraguaias. A ocupação ainda abrangeu Coxim (um povoado), a então Vila de Nioac e Miranda. Eram territórios vastos e com pouca defesa, o que facilitou o progresso das tropas paraguaias.
Um dos episódios rememorados com encenação em Nioaque é a Retirada da Laguna. Do ponto de vista militar, a expedição é considerada um fracasso, mas a coragem e resistência dos poucos que sobreviveram à fome, doenças e todas as intempéries em nome da soberania nacional dão toques de heroísmo ao evento.
Fonte:Campo Grande News