Abrir um frasco de vacina para imunizar apenas uma pessoa e descartar as doses restantes pode parecer desperdício à primeira vista. Mas, segundo especialistas e autoridades de saúde, o procedimento segue critérios técnicos rigorosos e faz parte da estratégia para garantir segurança, eficácia e acesso à vacinação pelo SUS.
A SES-MS explica que parte das chamadas “perdas de imunizantes” é considerada técnica e já prevista nas normas do PNI.
Isso ocorre porque muitas vacinas são armazenadas em frascos multidoses, que reúnem várias aplicações em um único recipiente. Após a abertura, o imunizante passa a ter prazo limitado de utilização, já que pode perder estabilidade ou ficar suscetível à contaminação.
Em geral, as vacinas precisam ser mantidas sob temperatura controlada entre 2°C e 8°C. Dependendo do tipo de imunizante, o prazo de uso após a abertura pode variar de algumas horas até alguns dias. Depois desse período, as doses restantes precisam ser descartadas.
Segundo a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, o descarte faz parte do protocolo de segurança e não representa falha no sistema.
“Utilizar uma dose fora desse prazo pode comprometer a proteção e a segurança da pessoa vacinada”, explica.
Distribuição é planejada
De acordo com a SES, a distribuição das vacinas é feita com base na população-alvo de cada campanha e segue planejamento do Ministério da Saúde.
O próprio PNI estabelece percentuais aceitáveis de perdas técnicas, especialmente em vacinas multidoses, nas quais é comum a abertura do frasco mesmo quando há poucos pacientes na unidade.
Esses índices servem como parâmetro para monitorar a eficiência das salas de vacinação em todo o país.
Mesmo assim, as equipes de saúde organizam constantemente o uso das doses para evitar desperdícios. Em alguns casos, no entanto, é necessário abrir um frasco para vacinar apenas uma pessoa.
“A prioridade é garantir o acesso da população. Muitas vezes, abrimos um frasco para atender uma pessoa, mesmo sabendo que nem todas as doses poderão ser utilizadas”, reforça Ana Paula.
Perdas evitáveis são monitoradas
A SES destaca que há diferença entre perdas técnicas — consideradas normais dentro do sistema — e perdas evitáveis, causadas por falhas de armazenamento, interrupção da cadeia de frio ou erros de manuseio.
Nesses casos, o monitoramento é mais rigoroso e inclui capacitação contínua das equipes de vacinação.
Segundo a secretaria, treinamentos permanentes reforçam protocolos de transporte, armazenamento e aplicação dos imunizantes, buscando reduzir falhas operacionais e garantir segurança à população.
Além do trabalho técnico, a SES afirma que a participação da população também é importante para o melhor aproveitamento das vacinas. Procurar as unidades de saúde e manter a carteira vacinal atualizada ajuda no planejamento das ações e amplia a cobertura vacinal.
O objetivo, segundo a pasta, é assegurar que todos tenham acesso a vacinas seguras, eficazes e aplicadas no momento adequado.
Fpnte:EFMS