Por que o Paraguai virou paraíso para brasileiros viverem e fazerem negócios?

Na coluna ‘Não vou passar raiva sozinha’, a Duquesa de Tax explica por que cada vez mais brasileiros têm passado a enxergar o país vizinho como uma alternativa. 

Por que o Paraguai, de repente, virou um paraíso para brasileiros viverem e fazerem negócios? “De uns tempos para cá, todo mundo tem um amigo, um primo ou um ‘especialista’ do grupo de WhatsApp dizendo: ‘Vá para o Paraguai, abra uma empresa lá, mude-se para lá’”, diz a colunista Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax.

No programa Não vou passar raiva sozinha, ela explica que o motivo é o cansaço do brasileiro diante de custos elevados e de um sistema que ele não entende. Na prática, a população vive uma rotina em que qualquer atividade — vender, comprar, investir ou contratar — vem acompanhada de um pacote de tributos e obrigações que mais parece um teste de resistência. “O problema é que, quando o tema vira febre, também se transforma em terreno fértil para vendedores de sonho.”

A Duquesa explica que há um conjunto de incentivos reais e uma lista bem objetiva de riscos e limitações que muita gente está ignorando. No ano passado, a CEO da Lupo, Liliana Aufiero, deu uma declaração que reflete bem o cansaço do brasileiro: “Não é que a Lupo foi para o Paraguai, o Brasil empurrou a gente para o Paraguai. Os impostos estão comendo a operação de forma violenta”. A empresa transferiu parte da produção para o país vizinho.

“Mas qual é o atrativo concreto do Paraguai? A resposta tem três pontos, nenhum deles é um milagre. É matemática e ambiente de negócio”, diz. A principal diferença em relação ao Brasil não está apenas no valor dos impostos, mas na lógica do sistema.

No Paraguai, a estrutura é mais simples e direta, dispensando a necessidade de decifrar um emaranhado de siglas, exceções e níveis de tributação. No Brasil, o desgaste não vem só da carga elevada, mas de um modelo fragmentado, com impostos federais, estaduais e municipais, regimes especiais e uma indústria inteira dedicada a interpretar regras que mudam o tempo todo.

Esse contraste ajuda a explicar o interesse crescente pelo regime de maquila, voltado à indústria exportadora, mas também impõe limites claros. Nem toda empresa se adapta ao modelo, que exige estratégia, escala e estrutura operacional. O mesmo vale para pessoas físicas: mudar de país não é um truque fiscal, mas uma decisão de vida, com regras, custos e consequências.

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