Pesquisa mostra que 58% dos brasileiros têm medo de ação dos EUA contra o Brasil

O receio atravessou fronteiras e chegou ao imaginário dos brasileiros. Para a maioria da população, a recente ação dos Estados Unidos na Venezuela não é um episódio distante: 58% dizem ter medo de que algo semelhante possa acontecer contra o Brasil, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (15).

Segundo o levantamento, 40% afirmam não ter esse temor, enquanto 2% não souberam ou preferiram não responder. A pergunta feita aos entrevistados foi: “Depois da ação dos EUA na Venezuela, você tem medo de que possa haver algo parecido contra o Brasil em um futuro próximo?”

O medo é mais expressivo entre eleitores que se identificam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os lulistas, 74% dizem temer uma ação semelhante, percentual que cai para 57% entre os bolsonaristas.

A pesquisa também avaliou a opinião dos brasileiros sobre a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que bombardeou pontos de Caracas e resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro. Para 46%, a ofensiva foi correta, enquanto 39% desaprovam a operação. Outros 15% não souberam ou não responderam.

Questionados sobre a reação do Brasil ao episódio, os entrevistados se dividiram. O presidente Lula condenou a ação americana, classificando-a como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” e um precedente perigoso no cenário internacional. Ainda assim, 51% consideraram que a postura do governo brasileiro foi errada, contra 37% que avaliaram a resposta como correta. 12% não opinaram.

Quando o tema é o posicionamento que o Brasil deveria adotar diante das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a maioria defende cautela. Para 66% dos entrevistados, o país deveria se manter neutro. Outros 18% acreditam que o Brasil deveria apoiar os EUA, enquanto 10% defendem oposição às medidas. 6% não souberam responder.

A pesquisa também mediu o impacto político do episódio. Para 71% dos brasileiros, a posição de Lula sobre a prisão de Maduro não deve influenciar o voto nas próximas eleições. Já 17% afirmam que a postura do presidente os faz preferir candidatos da oposição, enquanto 7% dizem que o posicionamento aumenta a tendência de apoiá-lo. Outros 5% não responderam.

Captura de Maduro

Nicolás Maduro foi deposto e preso por forças norte-americanas no dia 3 de janeiro e levado aos Estados Unidos, onde responde a acusações relacionadas ao narcotráfico, lavagem de dinheiro e narcoterrorismo — crimes que podem resultar em penas que variam de 20 anos de prisão à prisão perpétua. Maduro nega as acusações.

Com a deposição, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país e negociou com os Estados Unidos a abertura do mercado de petróleo venezuelano a empresas americanas. A manutenção da estrutura do regime chavista, mesmo sem Maduro no poder, frustrou parte da oposição venezuelana. O governo Trump descartou, inicialmente, a possibilidade de a líder opositora Maria Corina Machado assumir a presidência.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 11 de janeiro, em entrevistas presenciais. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Fonte;EFMS

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