Um medicamento vendido como promessa de rejuvenescimento da pele e cuja comercialização é proibida até no Paraguai foi apreendido durante a Operação Visa-Protege, em Campo Grande. Ao todo, 34 unidades da chamada GHK-CU Alluvi, apresentada como “caneta rejuvenescedora”, foram interceptadas no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios da Capital.
A apreensão ocorre em meio a um alerta emitido nesta semana pela Dinavisa (Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria), que listou diversos medicamentos não autorizados para comercialização em território paraguaio. O relatório aponta a venda irregular de produtos que alegam conter peptídeos e destaca que não possuem registro sanitário válido no país, sendo proibidas sua importação, distribuição e venda.
Segundo a Dinavisa, o uso representa sério risco à saúde pública, já que podem conter substâncias não declaradas ou em concentrações incorretas. O documento alerta ainda que o consumo pode causar efeitos adversos graves, inclusive fatais, e que não há informações validadas sobre dosagem, preparo ou modo de uso.
Promessa “milagrosa” – As 34 unidades da GHK-CU Alluvi foram apreendidas ao longo do mês de fevereiro, dentro da Operação Visa-Protege, iniciada em 2 de fevereiro. Desde então, mais de 10 mil itens já foram interceptados no sistema de raio-x dos Correios, todos suspeitos de irregularidades sanitárias.
De acordo com Matheus Pirolo, fiscal da Vigilância Sanitária da SES (Secretaria de Estado de Saúde), a embalagem chama atenção pela aparência sofisticada. “Embalagem sofisticada, e dizem no invólucro que o produto vem da Alemanha, mas sabemos que isso não é verdade. É apenas uma tentativa de enganar o consumidor desavisado e ávido por soluções milagrosas”, afirmou.
Ele reforça que não há qualquer garantia sobre o conteúdo das canetas. “Não sabemos o que tem dentro dessas canetas. Nem a Anvisa do Brasil sabe, nem a Dinavisa do Paraguai. É um risco imenso ao consumidor”.
O alerta vai além da apreensão pontual. Segundo o fiscal, quem se aventura a comprar medicamentos do Paraguai, regularizados ou não pelo órgão sanitário local, tem mais de 50% de chance de adquirir o que ele chama de “pílula de farinha”, produtos falsificados ou adulterados.
A falsificação e adulteração no comércio online, segundo ele, são avassaladoras. Muitas pessoas que recorrem à automedicação relatam que a “caneta” não surtiu efeito e, por conta própria, aumentam a dosagem ao adquirir produtos com concentração maior do suposto princípio ativo. “Não deu efeito não por conta da dose. Não deu efeito porque era ‘pílula de farinha’. Aumenta a dose e vem a pancreatite aguda, que pode evoluir para necrosante ou insuficiência renal”, alerta.
A marca Alluvi, também oferece o Retatrutide em embalagem semelhante, comercializado como caneta emagrecedora. No entanto, o princípio ativo retatrutida não é autorizado pela autoridade sanitária paraguaia nem por nenhuma agência reguladora do mundo, pois ainda está em fase de testes preliminares no Reino Unido.
Para a Vigilância, a combinação de promessa de emagrecimento rápido, aparência importada e venda online cria um cenário propício para o engano. “Acompanhamento médico, produto registrado no Brasil, vendedor autorizado e mudança de hábitos são os únicos caminhos para minimizar danos e emagrecer com segurança e qualidade de vida. O barato sempre sai caro”, reforça o fiscal.
Enquanto isso, a operação segue diariamente, inclusive aos sábados, no Centro de Triagem dos Correios de Campo Grande, tentando frear a entrada de medicamentos irregulares que circulam sem controle e colocam a saúde pública em risco.
Fonte:Campo Grande News