A 2ª fase da Operação Dirty Pix, que investigou a “Máfia do Pix”, afastou dois secretários da Prefeitura de Sidrolândia e três vereadores da Câmara Municipal. A 71 km de Campo Grande, a cidade coleciona operações de combate à corrupção.
O prefeito Rodrigo Basso (PL) oficializou o afastamento por 180 dias de Enelvo Iradi Felini Junior (Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente) e Cleyton Martins Teixeira (Agricultura e Abastecimento).
O decreto foi publicado nesta quinta-feira (dia 8) no Diário Oficial da cidade. Durante o período de afastamento, o prefeito vai exercer a ordenação de despesas das duas secretarias, competindo praticar os atos necessários à execução orçamentária, financeira e administrativa das respectivas pastas.
O prefeito também exonerou José Ademir Gabardo do cargo comissionado de Assessor de Serviços Especializados, vinculado à Segov (Secretaria de Governo e Desburocratização).
De acordo com o Região News, a Justiça afastou por 180 dias os vereadores Adavilton Brandão (MDB), Cledinaldo Cotócio (PSDB) e Izaqueu de Souza Diniz, o Gabriel Autocar (PSD).
Pela ordem definida no resultado das eleições municipais de 2024, deverão ser convocados Maria Tereza Fiúza Ferreira (MDB), a Maria Fiúza; Itamar de Souza Silva (PSDB) e Claésio Lechner de Albuquerque (PSD). Sidrolândia tem 13 vereadores.
Nesta quinta-feira, o presidente da Câmara de Sidrolândia, Otacir Figueiredo (PP), disse ao Campo Grande News que a Casa de Leis ainda não foi oficiada da decisão e aguarda notificação para “as devidas providências”.
O Campo Grande News não conseguiu contato com o prefeito. A reportagem não localizou a defesa dos vereadores e secretários afastados pela Justiça. O espaço segue aberto para manifestação.
Prisões – A segunda fase da Operação Dirty Pix, deflagrada na quarta-feira (dia 7), prendeu o presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, Jacob Meeuvis Breure, a policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e o assessor político Júlio César Alves da Silva.
Ao todo, a ação teve 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), a investigação começou a partir da identificação de desvio de recursos públicos destinados à aquisição de um aparelho de ressonância magnética e de autoclave hospitalar, oriundos de convênio firmado entre o Estado e a Sociedade Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, entidade responsável pela gestão do hospital de Sidrolândia.

Com o aprofundamento das apurações, após a deflagração da primeira fase da Operação Dirty Pix, realizada em novembro de 2025, foram identificados elementos que indicaram desvios de recursos provenientes de outros convênios celebrados pela entidade, mediante a reprodução do esquema.
A corrupção atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel e execução de obras de reforma do hospital, com valores que ultrapassam R$ 18 milhões.
Conforme a investigação, foram elaborados planos de trabalho contendo informações fraudulentas, com superfaturamento de bens e serviços, e direcionamento das contratações para empresas previamente alinhadas ao núcleo investigado.
Após o ingresso dos recursos públicos nas contas da entidade hospitalar, parte dos valores foi desviada das finalidades previstas nos respectivos convênios e posteriormente redistribuída por meio de sucessivas movimentações financeiras, envolvendo repasses diretos e indiretos a agentes políticos, articuladores e intermediários.
As provas revelaram o abuso do poder financeiro da organização, utilizado para fins de impor práticas de obstrução às investigações em curso. “Dirty Pix”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “pix sujo”, e faz alusão à natureza ilícita das transferências financeiras utilizadas para viabilizar o esquema.
A operação é do Gecoc, 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia e Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado). Em 18 de novembro de 2025, na 1ª fase da operação, o Gecoc identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao hospital. O episódio ficou conhecido como a “Máfia do Pix”.
O dinheiro saía de empresa participante de esquema de desvio de recursos hospitalares diretamente para a conta do destinatário corrupto ou por meio das contas bancárias de terceiros, sempre via Pix. Em 2022, vereadores da oposição receberam até R$ 100 mil em propina de uma só vez, segundo a investigação.
Fonte:Campo Grande News