sexta-feira, 23 outubro, 2026 10:45
Home PolíticaObra da Arauco em MS reúne mais trabalhadores que moradores de Inocência

Obra da Arauco em MS reúne mais trabalhadores que moradores de Inocência

de Redação Bonitonet
0 comentários

Inocência, tem cerca de 8 mil moradores e, segundo o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, 18 mil trabalhadores na obra da fábrica de celulose da Arauco.

A conta, que coloca mais operários do que habitantes na cidade, resume o problema que ele aponta como o maior da indústria do Estado hoje: falta gente. “Não temos mais pessoas disponíveis para o trabalho”, disse nesta quarta-feira (21), em entrevista ao Giro Estadual de Notícias.

Os números do mercado de trabalho vão na mesma direção. Mato Grosso do Sul teve desemprego de 2,7% no segundo trimestre, a quinta menor taxa do país. A indústria abriu 9.928 vagas formais de janeiro a agosto, quase metade do saldo do Estado, e Inocência liderou com 4.446, segundo o Observatório da Indústria da Fiems. Os dados mais recentes da obra, do fim de agosto, falam em cerca de 14 mil trabalhadores no canteiro.

O presidente da Fiems disse que a redução da jornada sem corte salarial deve elevar os custos da indústria. Foto: Rafael Rodrigues
O custo de crescer rápido

Para Longen, uma obra desse porte traz o emprego e, junto, a pressão sobre a cidade. “Você imagina uma estrutura como a de Inocência: os problemas de saúde, de transporte, de alimentação, além da qualificação profissional dessas pessoas. Não é simplesmente você buscar as pessoas em algum lugar e trazer para Inocência. Onde elas vão ficar?”, afirmou. “São as dores do crescimento.”

O preço da terra é o termômetro que ele usa. Em Três Lagoas, segundo Longen, um terreno que custava R$ 20 mil há cerca de 20 anos hoje vale R$ 500 mil. Em Ribas do Rio Pardo, onde a Suzano opera desde 2024, saiu de R$ 20 mil para R$ 300 mil. O movimento, disse, já chegou a Inocência, e Bataguassu se prepara para receber outra grande indústria. As quatro cidades concentram os projetos de celulose que somam R$ 98 bilhões na lista de investimentos da Fiems.

Vagas abertas e benefícios sociais

Segundo o presidente da federação, a indústria de MS tem hoje cerca de 20 mil vagas sem preencher, e o Brasil, perto de 2 milhões. “Se você fizer um mapa hoje de trabalhadores disponíveis para atender a demanda municipal, você não consegue encher a palma da mão. Tanto é que hoje nós temos aproximadamente 20 mil vagas para atender a demanda da indústria”, disse.

Durante entrevista ao Giro Estadual de Notícias, Sérgio Longen comentou os efeitos da mudança na escala de trabalho. Foto: Rafael Rodrigues

Longen atribui parte da falta de mão de obra aos programas sociais do governo federal. Na avaliação dele, muitos beneficiários evitam o emprego formal por medo de perder o benefício e ficam “vulneráveis”. O dirigente não apresentou dados sobre quantos desses trabalhadores estariam nessa situação.

A falta de gente também já ameaçou a qualificação. Em Corumbá, a procura pelos cursos caiu tanto que a Fiems marcou prazo para fechar as unidades do Sesi e do Senai na cidade. “Eu mesmo determinei e defini um prazo para o fechamento, porque as unidades estavam trabalhando com prejuízo, e nós somos empresários. O Senai é da iniciativa privada. Muitas vezes as pessoas imaginam que o Senai é do governo”, afirmou.

Segundo Longen, a prefeitura, as empresas e o município vizinho de Ladário se mobilizaram, e a procura voltou. Em setembro, uma turma de eletromecânica do Senai em Corumbá teve mais de 300 inscritos, e a federação anunciou a ampliação das unidades. O desafio seguinte já tem data: quando a fábrica de Inocência entrar em operação, no fim de 2027, a Arauco prevê manter cerca de 6 mil postos fixos, menos da metade do que a obra mobiliza hoje.

Fonte:Acritica

Você também pode gostar

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00