Essa é a nota divulgada pelo prefeito de Bonito em resposta a um deputado sobre a Taxa Ambiental, lamentável ver algo assim.
Quando um gestor público é questionado, espera-se que responda com dados, estudos, prestação de contas e argumentos técnicos. Em vez disso, a nota parte para ataques pessoais, chama um deputado de “defunto político” e “vergonha para o Mato Grosso do Sul”. Isso pode até agradar alguns apoiadores, mas não resolve nenhuma das dúvidas da população sobre a Taxa de Conservação Ambiental.
A grande questão nunca foi ser contra a preservação ambiental. Quem conhece Bonito sabe que proteger nossas riquezas naturais é uma obrigação de todos. O que está sendo questionado é a forma como essa taxa foi criada, implementada e conduzida.
O prefeito afirma que a lei foi aprovada pela Câmara, como se isso encerrasse qualquer debate. Não encerra. Se assim fosse, não haveria ações judiciais nem questionamentos do Ministério Público. Aprovação legislativa não significa que uma lei esteja livre de discussão jurídica. Inclusive o Ministério Público fez um novo parecer essa semana a favor do julgamento da Taxa Ambiental, o assunto não está encerrado.
Também não basta dizer que Fernando de Noronha, Bombinhas ou Jericoacoara possuem cobranças semelhantes. Cada destino tem sua própria realidade econômica, ambiental e jurídica. Copiar exemplos sem demonstrar que o modelo é adequado para Bonito não responde às críticas.
Outro ponto que considero grave é a ausência de respostas concretas. Onde estão os estudos que justificam o valor da taxa? Qual será exatamente a aplicação dos recursos? Quais indicadores ambientais serão melhorados? Como a cobrança impacta a competitividade de Bonito diante de um cenário de queda no turismo? Essas perguntas continuam sem respostas e sem ações.
Quem ocupa um cargo público deve liderar pelo diálogo, ouvir as críticas e responder com transparência, não transformar um debate legítimo em uma disputa de ofensas.
Discordar da Taxa Ambiental não significa ser contra Bonito. Pelo contrário. É justamente porque amamos esta cidade e queremos vê-la crescer de forma sustentável que cobramos responsabilidade, planejamento e transparência na criação de políticas públicas.
Bonito merece um debate à altura de sua importância para o turismo brasileiro: baseado em fatos, respeito às opiniões divergentes e compromisso com a verdade. É assim que se constrói uma cidade mais forte e preparada para o futuro.
Fonte :B1