quinta-feira, 2 julho, 2026 10:25
Home MancheteNational Geographic declarou Bonito como destino número 1 do mundo

National Geographic declarou Bonito como destino número 1 do mundo

de @bonitonet
0 comentários

No coração do Centro-Oeste brasileiro, em meio à Serra da Bodoquena, Bonito não é só um destino de águas cristalinas: é um dos lugares do Brasil que já colocou o ecoturismo nacional no topo do mundo. A cidade foi escolhida pela National Geographic como o melhor destino do mundo para o verão de 2017, superando nomes como Galápagos, Ruanda e Cocos Island. Rios filtrados pelo calcário, cavernas inundadas, flutuações controladas e um sistema de turismo organizado explicam por que esse pedaço do Mato Grosso do Sul virou referência internacional

Por que a National Geographic colocou Bonito em primeiro lugar?

National Geographic colocou Bonito em primeiro lugar porque viu na cidade um modelo raro de natureza preservada, turismo organizado e experiência de impacto. O reconhecimento veio na lista Best Summer Trips 2017, publicada em maio daquele ano, quando Bonito apareceu no topo do ranking de 10 destinos da publicação americana, ao lado de lugares famosos como Galápagos, Ruanda e Cocos Island, na Costa Rica.

O texto da revista destacou três pontos principais para justificar a escolha. Bonito é referência em ecoturismo, com cachoeiras, cavernas e um mundo subaquático que lembra mares tropicais. A cidade já havia sido eleita o melhor destino para turismo responsável em 2013, antes da indicação de 2017. Além disso, o sistema de vouchers com preço controlado, criado para distribuir visitantes ao longo do ano e proteger os atrativos, virou exemplo internacional de sustentabilidade.

Em texto anterior, o editor-at-large da National Geographic Costas Christ chamou Bonito de estudo de caso do poder do turismo de proteger a natureza, citando duas décadas de trabalho conjunto entre conselhos municipais de turismo e meio ambiente.

A National Geographic colocou esta cidade do Centro-Oeste como destino nº 1 do mundo entre 10 lugares imperdíveis
Bonito destaca-se como a capital do ecoturismo, onde as águas dos rios atingem uma transparência que lembra vidro líquido // Créditos: depositphotos.com / rafapress

O que torna a água de Bonito tão transparente?

A água de Bonito é tão transparente por causa do calcário, que funciona como um filtro natural nos rios da região. A cidade está sobre o Planalto da Bodoquena, formado por rochas calcárias do Grupo Corumbá, segundo descrição técnica da Prefeitura Municipal de Bonito. Quando os rios nascem ou atravessam essa camada, o calcário prende partículas em suspensão e deixa a coluna d’água com visibilidade que chega a 30 metros no Rio Sucuri e a 60 metros no lago do Abismo Anhumas, conforme dados dos atrativos.

O mesmo fenômeno ajuda a explicar o tom azul da Gruta do Lago Azul, descoberta em 1924 por um indígena terena e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1978. A caverna é uma das maiores cavidades inundadas do planeta. Em 1992, uma expedição franco-brasileira de espeleomergulhadores encontrou no fundo do lago fósseis de mamíferos do Pleistoceno, incluindo um tigre-dente-de-sabre e uma preguiça gigante de mais de três metros de altura.

A National Geographic colocou esta cidade do Centro-Oeste como destino nº 1 do mundo entre 10 lugares imperdíveis
A água dos rios de Bonito parece vidro líquido // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Como é a descida de 72 metros até o lago subterrâneo do Abismo Anhumas?

A descida até o lago subterrâneo do Abismo Anhumas é uma das experiências mais marcantes de Bonito. A 23 km do centro pela MS-382, a entrada da caverna aparece como uma fenda no chão da mata, e o acesso acontece por rapel elétrico de 72 metros, altura equivalente a um prédio de 26 andares.

Lá embaixo, um lago subterrâneo de 80 metros de profundidade guarda formações chamadas de Floresta de Cones, estalagmites calcárias com até 20 metros de altura formadas ao longo de milênios. A temperatura na caverna fica em torno de 17°C durante todo o ano. Mergulhadores certificados podem descer até 18 metros para observar os cones; quem não tem certificação fica nos 8 metros iniciais ou escolhe a flutuação na superfície, conforme o atrativo.

O passeio pertence ao mesmo conjunto cárstico do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que abrange 33% do território do município.

Esse destino do Brasil encanta com rios cristalinos que parecem pintados à mão, grutas impressionantes e turismo de natureza
Bonito, no Mato Grosso do Sul, é um paraíso natural com rios transparentes, grutas azuis e ecoturismo de nível mundial. // Créditos: depositphotos.com / lspencer

O que fazer em Bonito além do Abismo Anhumas?

Além do Abismo Anhumas, Bonito oferece flutuações em rios cristalinos, grutas, cachoeiras, trilhas e observação de fauna. O destino tem um cardápio amplo de atrações naturais, sempre com controle de visitação para preservar os ambientes. As mais procuradas são:

  • Gruta do Lago Azul: caverna tombada pelo IPHAN com lago de tom azul intenso, acessada por escadaria de quase 300 degraus, segundo a Secretaria de Turismo de Bonito.
  • Flutuação no Rio da Prata: percurso entre piraputangas, dourados e curimbatás em águas filtradas pelo calcário do Recanto Ecológico do Rio da Prata.
  • Flutuação no Rio Sucuri: visibilidade de até 30 metros e correnteza suave em meio à mata ciliar.
  • Buraco das Araras: dolina de 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência, ponto de pouso de araras-vermelhas e canindés ao entardecer.
  • Cachoeiras Boca da Onça: complexo no município de Bodoquena, com a maior queda d’água do Mato Grosso do Sul e plataforma de rapel de 90 metros.
  • Lagoa Misteriosa: caverna inundada com cerca de 220 metros de profundidade conhecida em estudos espeleológicos, entre as mais profundas do Brasil.

Por que Bonito conquistou a National Geographic?

Bonito conquistou a National Geographic porque reúne o que poucos destinos no mundo conseguem entregar ao mesmo tempo: rios transparentes, cavernas com fósseis pré-históricos, flutuações controladas, turismo organizado e natureza preservada sem virar bagunça. O destino mostra que o interior do Brasil pode competir com lugares famosos do planeta quando sabe proteger aquilo que tem de mais valioso.

Quem olha Bonito só como “lugar de água cristalina” perde metade da história. A cidade virou referência porque transformou natureza em experiência e controle em preservação. É por isso que um pedaço do Mato Grosso do Sul conseguiu aparecer acima de destinos gigantes na lista da National Geographic: Bonito não vende exagero, entrega um cenário que parece impossível até você colocar o rosto dentro da água.

Fonte: OesteGeral

Você também pode gostar

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00