sexta-feira, 23 outubro, 2026 09:54
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MS não tem casos confirmados de sarampo em 2026, mas cobertura da 2ª dose preocupa

de Redação Bonitonet
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Estado não registra casos confirmados em 2026, mas autoridades de saúde alertam para o risco de reintrodução do vírus e orientam a população a atualizar a caderneta de vacinação

Mato Grosso do Sul ainda precisa ampliar a vacinação contra o sarampo, principalmente na aplicação da segunda dose. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), atualizados até 1º de setembro de 2026, mostram que 97,10% do público-alvo recebeu a primeira dose, enquanto a cobertura da segunda ficou em 81,79%. Apesar de não haver casos confirmados da doença neste ano, o avanço das infecções em outros países mantém o alerta para a possibilidade de o vírus voltar a circular no Brasil.

A orientação da SES é que moradores procurem uma unidade de saúde para conferir a caderneta e verificar se precisam completar o esquema vacinal. A recomendação vale para crianças, adolescentes e adultos, de acordo com a idade e o histórico de imunização.

Em 2026, Mato Grosso do Sul registrou 24 notificações de casos suspeitos de sarampo. Desse total, 23 foram descartadas e uma permanecia em investigação, conforme os dados divulgados pela secretaria.

Os últimos registros confirmados no Estado ocorreram em 2020, quando Campo Grande teve dez casos. Em 2019, foram quatro confirmações, duas na Capital e duas em Três Lagoas.

A coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger, destaca que a conferência dos registros é importante mesmo para quem acredita ter recebido as doses recomendadas na infância.

“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem se as crianças receberam todas as doses recomendadas, mas essa atenção também deve se estender aos adolescentes e adultos. Quem não tem certeza sobre a situação vacinal deve procurar uma unidade de saúde para conferir os registros e receber a orientação necessária”, afirma.

O gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes, reforça que a proteção depende do cumprimento do esquema indicado para cada faixa etária. Segundo ele, a ampliação da cobertura ajuda a reduzir as chances de transmissão e protege também quem apresenta maior risco de complicações.

Campanhas e ações de prevenção

Para reforçar a prevenção, a SES promoveu, em setembro, um treinamento presencial sobre o sarampo no auditório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em Campo Grande. A atividade reuniu representantes dos 79 municípios e abordou aspectos clínicos e epidemiológicos da doença, além de estratégias para ampliar a vacinação.

Em outubro, a campanha de multivacinação intensificou a oferta dos imunizantes previstos no calendário de rotina em todo o Estado. Durante a mobilização, foram aplicadas 84.439 doses de vacinas. Desse total, aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, somando primeiras e segundas doses.

Segundo a secretaria, os dados da campanha ainda passam por um processo de migração e devem ser disponibilizados na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

Outra iniciativa prevista é a estratégia Aluno Imunizado, programada para ocorrer de 3 a 13 de novembro. A ação será realizada em escolas municipais, estaduais e privadas, com oferta de vacinas e emissão da Declaração de Vacinação Atualizada (DVA).

A proposta é facilitar o acesso à imunização no ambiente escolar e contribuir para que os índices de cobertura sejam elevados e semelhantes entre os municípios.

Vacinação também é reforçada em territórios indígenas

As medidas de prevenção incluem a população indígena. A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde, publicou orientações para a aplicação da chamada dose zero da vacina contra o sarampo em crianças indígenas de 6 a 11 meses e 29 dias.

A estratégia está em andamento nos territórios atendidos pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS).

A dose zero é uma medida adicional de proteção para crianças pequenas em contextos específicos de risco. Ela não substitui as doses previstas no calendário de rotina, que devem ser administradas posteriormente nas idades recomendadas.

Outra nota técnica da Sesai orienta os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas do país a fortalecer a vigilância epidemiológica, a imunização e a preparação para responder a uma possível introdução do vírus nessas comunidades.

Casos nas Américas aumentam preocupação

O cenário internacional também é motivo de atenção para as autoridades sanitárias. Dados citados pela SES, com base em informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), apontam quase 4 mil casos confirmados de sarampo no país em 2026, o maior número anual em mais de 35 anos.

Mais de 90% das ocorrências envolvem pessoas não vacinadas ou sem situação vacinal conhecida, segundo os dados apresentados.

Nas Américas, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados em 2026, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No Brasil, foram confirmados 61 casos importados ou relacionados à importação neste ano.

A circulação internacional do vírus aumenta o risco de novos registros no país, especialmente quando pessoas infectadas chegam a locais com grupos suscetíveis. Por isso, manter a vacinação em dia é uma das principais medidas para evitar a transmissão e impedir a formação de cadeias de contágio.

Quem deve tomar a vacina contra o sarampo?

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O número de doses recomendado varia conforme a idade e o histórico de vacinação.

  • Crianças: devem receber a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
  • Pessoas de 1 a 29 anos: devem ter duas doses registradas. Quem não completou o esquema precisa procurar uma unidade de saúde para verificar como atualizar a vacinação.
  • Pessoas de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose registrada. Quem não tem comprovante deve buscar orientação em uma unidade de saúde.
  • Pessoas com 60 anos ou mais: não têm indicação de vacinação de rotina contra o sarampo pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Casos específicos podem ser avaliados pelos profissionais de saúde.

A recomendação é que adolescentes e adultos também confiram seus registros, mesmo que tenham sido vacinados quando crianças. A equipe de saúde poderá avaliar a documentação e indicar as doses necessárias.

Quais são os sintomas do sarampo?

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar. Entre os sintomas estão febre, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite.

A infecção pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite, e levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos que podem ter maior risco de agravamento.

Quem apresentar febre acompanhada de manchas avermelhadas, especialmente quando houver tosse, coriza ou conjuntivite, deve procurar atendimento em uma unidade de saúde e informar sobre viagens recentes ou contato com pessoas com suspeita da doença.

A identificação rápida dos sintomas ajuda os profissionais a avaliar o caso e adotar as medidas necessárias para evitar a disseminação do vírus.

Fonte:EFMS

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