Seleção argentina vira depois de estar perdendo por 2 a 0 e se classifica à próxima fase do Mundial
Argentina 3 – 2 Egito
Faltavam pouco mais de dez minutos do tempo regulamentar para que a jornada de Lionel Messi em Copas do Mundo acabasse. No placar do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, o placar apontava 2 a 0 a favor do Egito. Mas ter Messi como adversário requer atenção até o apito final. Uma tarde apagada, com direito a pênalti desperdiçado, passou por uma metamorfose. O astro guiou os atuais campeões da Argentina a uma virada com roteiro homérico. O que era uma derrota certa se tornou mais um verso de uma epopeia agora rumo às quartas de final com uma vitória por 3 a 2.
A seleção egípcia teve a classificação nas mãos e baixou a guarda diante de um adversário que não coloca ponto final em suas ambições. Com gols de Romero, Messi e Enzo Fernández, a Argentina castigou o Egito e conquistou feitos inéditos como virar uma partida que perdia por dois gols.
A adrenalina e o enredo memorável podem apagar por um tempo as fragilidades exibidas pela Argentina. A gratidão dos companheiros por Messi é tamanha que os jogadores da seleção argentina tentam a todo momento ofertar ao craque a chance de resolver as partidas. Sem outros atletas dispostos a dividir a responsabilidade, o empenho, o poder de reação e a genialidade dependem de um único jogador. É uma má notícia? Nunca, em se tratando de Messi. Mas as vitórias no sufoco contra Cabo Verde e Egito alertam a Argentina que há outros 10 homens em campo que precisam dar respostas.
A Argentina volta a jogar no próximo sábado, às 17 horas, em Kansas City, diante de Suíça ou Colômbia, que se enfrentam nesta terça, em Vancouver, às 17 horas.
A falta de intensidade da Argentina na etapa inicial sofreu o primeiro baque logo aos 15 minutos. O Egito inaugurou o placar em uma cobrança de falta ensaiada. Yasser Ibrahim subiu mais alto e cabeceou para estufar a rede dos argentinos.
Pouco depois, a Argentina teve a chance de empatar após pênalti marcado sobre Tagliafico. Os egípcios reclamaram da decisão do árbitro, enquanto o goleiro Shobeir pediu calma para os companheiros e mostrou confiança. A esperança argentina foi depositada nos pés de Messi. O craque bateu e perdeu seu segundo pênalti neste Mundial.
A Argentina voltou diferente da pausa para a hidratação, com maior presença ofensiva e trocando passes com objetividade. Em resposta, o Egito fortaleceu sua linha defensiva e armou um ferrolho difícil de ser vencido. Shobeir fez grandes defesas e impediu o empate após cabeçada do Mac Allister e chute de Julián Álvarez.
Na volta do intervalo, o técnico do Egito colocou mais um zagueiro em campo, sacando o meia Ashour para dar a vez para Fathy. A Argentina continuou com a posse da bola, circulava nas proximidades da área da seleção egípcia, mas não conseguia criar situações claras de gol.
Aos 13, o Egito conseguiu armar um contragolpe mortal, Zico marcou, mas o VAR recomendou a revisão do lance por uma falta controversa na origem do lance. O árbitro, então, anulou o gol egípcio.
Dez minutos depois, não houve maneira de impedir a comemoração dos egípcios. Salah conduziu sua seleção ao contra-ataque. Hassan recebeu passe, arrancou pela direita e cruzou na medida para Zico escorar e marcar o segundo.
Em um momento raro de desatenção do Egito, a Argentina descontou com um gol de cabeça de Romero, que apareceu livre na grande área aos 34 para surpreender o arqueiro adversário após passe de Messi.
Foi o gatilho para que o astro ressurgisse no jogo, fadado a ser herói. Aos 38, Messi começou e terminou o lance que deixou a partida empatada. Bola erguida na área, bate rebate e gol do maior artilheiro de Copas, que somou seu 21º.
O Egito tentou prender a bola para levar o jogo até a prorrogação. Um passe errado de Salah gerou um ataque da Argentina, Lautaro cruzou e Enzo Fernández cabeceou cruzado e decretou a virada, aos 47.
Fonte: Estadão