Mato Grosso do Sul projeta uma nova supersafra de soja no ciclo 2025-2026

Com o plantio da soja liberado a partir de hoje, a expectativa para a safra 2025-2026 é de um novo recorde de produção. Para o ciclo, a estimativa da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) é de que o Estado produza 15,2 milhões de toneladas. Se confirmada, a produtividade será a maior já registrada considerando que o recorde foi de 15 milhões de toneladas no ciclo 2022-2023.

No comparativo com o ciclo anterior, quando 14,060 milhões de toneladas foram colhidas, o avanço é de 8,1%. Ainda conforme as projeções da Aprosoja-MS, a área plantada pode alcançar 4,79 milhões de hectares, o que representa estimativa de aumento de 5,9%, ante os 4,59 milhões de hectares da safra 2024-2025. Já a produtividade média projetada é de 52,8 sacas por hectare, crescimento de 2,0% sobre as 51,79 sacas registradas na safra anterior.

De acordo com o presidente da Associação, Jorge Michelc, o início do plantio representa um momento de confiança para o setor, mas que deve ser acompanhado de cautela diante dos desafios climáticos e econômicos. 

“Mato Grosso do Sul vive uma expansão consistente da soja, fruto da dedicação dos produtores e do uso crescente de tecnologias de manejo. Entretanto, sabemos que o clima será determinante para transformar esse potencial em realidade. O planejamento e a adoção de práticas modernas serão fundamentais para garantirmos os resultados esperados e para consolidar a força do nosso Estado no cenário nacional”, afirma.

O vazio sanitário da soja, período em que é proibido o plantio da oleaginosa, foi finalizado ontem em MS. 

Para o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, os números estimados para a safra 2025-2026 demonstram a resiliência e a capacidade de adaptação do produtor sul-mato-grossense. 

“A estimativa de 15,2 milhões de toneladas mostra um ciclo de recuperação após oscilações em safras recentes. O produtor tem investido em variedades mais adaptadas e em estratégias de manejo. O crescimento na área e a estabilidade da produtividade sinalizam que há espaço para resultados positivos, desde que o clima se mantenha dentro da normalidade”, destaca.

Considerando a cotação atual da saca de soja, que fechou ontem a R$ 126,25, o Estado teria uma safra avaliada em mais de R$ 30 bilhões. Se considermos que 15,2 milhões de toneladas são 253,3 milhões de sacas e multiplicarmos por R$ 126,25, o resultado é de R$ 31,9 bilhões. 

Com área ampliada, expectativa de crescimento na produção e um mercado internacional que mantém demanda aquecida, Mato Grosso do Sul chega à safra 2025-2026 em posição de destaque. 

“O cenário é positivo, mas exige equilíbrio entre otimismo e prudência. A capacidade dos produtores de aliarem tecnologia, planejamento e gestão de risco será determinante para transformar projeções em resultados concretos”, finaliza Jorge Michelc.

RISCOS
Apesar de as projeções serem otimistas, o desempenho da safra dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo. A irregularidade das chuvas permanece como o principal fator de incerteza. 

Em anos recentes, Mato Grosso do Sul registrou perdas significativas em razão do estresse hídrico. A projeção de produtividade para 2025-2026 é considerada moderada justamente para contemplar essa variabilidade histórica.

Segundo o analista de Economia da Aprosoja-MS, Mateus Fernandes, outro ponto de atenção é o custo de produção. 

“Insumos como fertilizantes e defensivos seguem representando uma parcela significativa do orçamento do produtor, e os dados de julho deste ano confirmam essa pressão. Comparando com julho de 2024, observa-se alta expressiva em diversos fertilizantes: o Monofosfato de Amônio [MAP] subiu 43%, a ureia 25% e o cloreto de potássio [KCL] 23%. Até mesmo insumos de uso complementar, como o Starter Manganês Platinum e o Nitrato de Potássio, tiveram valorização”.

Conforme informou o Correio do Estado no mês passado, o cloreto de potássio, por exemplo, saltou de R$ 2.500 por tonelada em 2024 para R$ 3.066 a tonelada neste ano. O MAP foi de R$ 4.000 por tonelada no ano passado para R$ 5.725 a tonelada em julho passado. Já a ureia saiu de R$ 3.200 para R$ 4.000.

“Os preços são mesmo bem salgados. Tivemos um ano marcado por um tempo seco e quente, mas, de qualquer forma, o produtor fica à mercê de qualquer variação climática”, explica o consultor agrícola e engenheiro agrônomo Alisson Eduardo Mello Cirino.

Ainda conforme o consultor, essa variação é o que torna todo planejamento, a cada ciclo, desafiador. “O produtor não vai comprar ou estocar fertilizante em um período que esteja mais barato sem que seja recomendado pelo agrônomo responsável”, reforça e completa. 

“O ideal é que os insumos sejam bem armazenados, com acondicionamento correto e em local adequado, pois, assim, ele não perde sua viabilidade. Então, como o produtor sempre vai se basear naquilo que é recomendado, se seu rendimento flutuar, é o que acaba sendo uma grande incerteza”, finaliza Cirino.

Ainda de acordo com Fernandes, embora alguns produtos tenham registrado queda pontual, como o calcário dolomítico (-7%), o movimento geral é de alta, o que eleva significativamente o custo de nutrição das lavouras. 

“Esse cenário indica que a produção de soja na safra 2025-2026 tende a ser mais cara, exigindo maior planejamento financeiro por parte dos agricultores. Diante disso, a gestão criteriosa dos recursos e o uso de ferramentas de mitigação de riscos, como seguro rural e vendas antecipadas, tornam-se ainda mais estratégicos. Essas práticas ajudam a proteger a rentabilidade diante de um cenário de custos crescentes e margens mais apertadas”, conclui o analista econômico.

*SAIBA
Mato Grosso do Sul sedia a Abertura Nacional do Plantio da Safra de Soja 2025-2026. O evento será realizado na Fazenda Recanto, em Sidrolândia, no dia 3 de outubro, às 8h (horário local).

Fonte:Correio do Estado

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