‘Martírio’ leva ao Bonito Cinesur a luta dos Guarani Kaiowá e reforça papel do cinema na preservação da memória

Um dos principais documentários sobre a questão indígena no Brasil integra a programação da 4ª edição do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano. Martírio, dirigido por Vincent Carelli, será exibido durante o evento, levando ao público a história da luta dos Guarani Kaiowá pela retomada de seus territórios tradicionais em Mato Grosso do Sul.

Produzido entre 1988 e 2016, o longa reúne quase três décadas de registros sobre os conflitos fundiários envolvendo o povo indígena e é considerado uma das principais obras do cinema documental brasileiro sobre direitos indígenas.

Para Carelli, exibir o filme em Bonito, a poucos quilômetros da fronteira com o Paraguai e próximo das comunidades retratadas na obra, tem um significado especial.

Vincent Carelli, documentarista, no 4º Bonito Cinesur | (Mariane Chianezi)

“É um filme que comecei a fazer em 1988 e terminei em 2016. Retrata o maior genocídio brasileiro contemporâneo e faz uma reconstituição histórica desse processo”, afirmou.

Cinema como ferramenta de reflexão

Segundo o documentarista, embora o filme tenha contribuído para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a realidade vivida pelos Guarani Kaiowá, a violência contra os povos indígenas ainda persiste.

Martírio foi importante para levar essa história às salas de cinema, mas o triste é ver que muita coisa não mudou. Houve assassinatos horríveis no ano passado. Pelo menos o Brasil ficou mais ciente do que acontece”, disse.

Carelli acredita que uma das principais funções do cinema documental é preservar a memória e ajudar a compreender a origem dos conflitos sociais.

“É fundamental fazer essa reconstituição histórica. É entendendo esse processo que a gente compreende a legitimidade dessa luta”, destacou.

Obra resgata as origens do conflito

Durante a entrevista, o diretor explicou que o documentário também busca mostrar como decisões tomadas ao longo do século passado contribuíram para a perda dos territórios indígenas em Mato Grosso do Sul.

Segundo ele, o filme apresenta o contexto histórico da ocupação das terras e das políticas que favoreceram sua distribuição, deixando os povos originários sem o reconhecimento de seus direitos territoriais.

Ao levar Martírio para a programação do Bonito Cinesur, o festival reforça sua proposta de promover debates que ultrapassam o entretenimento e utilizam o cinema como instrumento de reflexão sobre temas sociais, históricos e culturais da América do Sul.

Fonte:PrimeiraPagina

Related posts

Novo Plano Diretor de Bonito ganha mais tempo com prorrogação de estudo técnico da UFRJ

Aos 35 anos, Luan Santana mostra fazenda de 1.200 hectares avaliada em mais de R$ 15 milhões no Pantanal

Em Bonito, atriz de Narcos revela vontade de estrelar filme brasileiro