quarta-feira, 27 maio, 2026 14:58
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Maquiadora de Jardim morre após aplicação de PMMA nos glúteos

de Redação Bonitonet
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A maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, moradora de Jardim, morreu na manhã desta terça-feira (26) depois de passar mal um dia após realizar um procedimento estético com aplicação de PMMA (Polimetilmetacrilato) nos glúteos e na parte posterior das coxas, em uma clínica no bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo (SP).

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a vítima teria pago aproximadamente R$ 50 mil pelo procedimento. A reportagem também informou que Roseli retornaria à clínica nesta terça-feira para continuidade da aplicação na região do quadril.

A paciente perdeu a consciência dentro de um carro de aplicativo, chegou desacordada ao prédio onde funciona o consultório e não resistiu às tentativas de reanimação feitas pela médica responsável e pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo veículo paulista mostram Roseli chegando ao edifício Brooklin Office, na Avenida Santo Amaro, por volta das 9h08. A vítima aparece inconsciente em uma cadeira de rodas, enquanto duas pessoas ajudam a retirá-la do veículo. Uma delas seria a médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, de 36 anos, responsável pelo procedimento estético realizado no dia anterior.

Na sequência, um homem ajuda a colocar Roseli no chão do hall do prédio. As imagens mostram a médica realizando massagem cardíaca enquanto outras pessoas acompanham a tentativa de socorro. Toda a movimentação dura cerca de três minutos, entre 9h08 e 9h11. Segundo boletim de ocorrência, a morte foi confirmada às 10h05.

A reportagem ainda apurou que Roseli viajou de Mato Grosso do Sul para São Paulo para fazer procedimentos estéticos com a médica, que soma mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e divulga atuação em “harmonização glútea”. Conforme relato da filha da vítima à polícia, a mulher começou a sentir dores intensas, mal-estar, coração acelerado e dificuldade para respirar na manhã desta terça, menos de 24 horas depois da aplicação.

A médica teria informado à polícia que aplicou cerca de 300 mililitros de PMMA, substância usada em procedimentos de preenchimento corporal. Em depoimento, a profissional afirmou que Roseli havia apresentado exames sem alterações antes da intervenção estética.

A investigação também apura outro procedimento feito pela vítima quatro dias antes da morte. Conforme o boletim de ocorrência, Roseli passou por um lifting facial na sexta (22), também realizado pela mesma médica.

A Polícia Civil aguarda laudos do IML (Instituto Médico Legal) para confirmar a causa da morte e verificar se houve relação direta entre a aplicação do PMMA e a parada cardiorrespiratória sofrida pela paciente.

A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, além de morte suspeita e morte acidental. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo.

Procedimento de Roseli chegou a ser publicado nas redes sociais. (Foto: Reprodução/Instagram)

O outro lado – Em nota, a defesa de Tábita Nunes Marcolino Jorge discorre que o primeiro procedimento foi realizado sem qualquer intercorrência. “A paciente permaneceu bem, conversando, deambulando e, inclusive, lanchou no local antes de receber alta sem queixas. Ela esteve acompanhada pela filha, que testemunhou o seu excelente estado clínico pós procedimento. A Sra. Roseli passou o restante do dia e a noite sem apresentar sintomas.”

Ainda na mensagem, a defesa da médica afirma que a profissional foi informada sobre o mal-estar na manhã de hoje e orientou que Roseli retornasse para avaliação, “uma vez que a paciente estava consciente, conversando e deambulando sem dificuldades”.

“Ressalta-se que a paciente somente chegou a sofrer um desmaio durante o trajeto do hotel até a clínica, dentro de uma corrida de aplicativo. Ao dar entrada na recepção do edifício, já desacordada. Tábita iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardíaca e acionou o socorro, esgotando todos os recursos de socorro ao seu alcance”, pontua a médica.

Sobre a dinâmica, a defesa da profissional disse que a investigação está em estágio inicial, sem laudo ou outro documento que comprove a relação entre a morte da sul-mato-grossense e o procedimento. “A médica apresentou-se voluntariamente no 27º Distrito Policial, prestou depoimento e forneceu os documentos necessários, mantendo-se à total disposição da Polícia Civil. Tábita expressa a sua profunda solidariedade e sentimentos à família neste momento de dor, reforçando o seu compromisso com a verdade e com a apuração técnica dos fatos”, finaliza.

O que é – O PMMA é uma substância sintética usada em preenchimentos corporais permanentes. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autoriza o uso apenas em situações específicas, com indicação médica e finalidade reparadora. O produto não possui autorização para aumento de volume corporal exclusivamente estético.

Entidades médicas brasileiras fazem restrições ao uso da substância em procedimentos estéticos por causa do risco de complicações graves. Conforme a Folha de S.Paulo, o CFM (Conselho Federal de Medicina), a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) e a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) já defenderam à Anvisa a proibição do PMMA para fins estéticos.

Especialistas alertam que aplicações em grandes volumes podem provocar infecções, embolias, deformações permanentes e até morte. Como o preenchimento é definitivo, a retirada da substância também apresenta dificuldade e pode exigir novas cirurgias.

Fonte:CampoGrandenews

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