sexta-feira, 18 setembro, 2026 09:37
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Lula despeja dinheiro de helicóptero

de Redação Bonitonet
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A pouco mais de duas semanas da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, descobriu que o Bolsa Família precisava de reajuste. O benefício mínimo, congelado em R$ 600 desde o relançamento do programa, em março de 2023, passará a R$ 691. A medida é escandalosamente eleitoreira e mostra que Lula, acossado nas pesquisas pelo seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), resolveu despejar dinheiro de helicóptero para se recuperar na disputa. Seguramente, é só o começo.

Recorde-se que, há pouco mais de duas semanas, o mesmo governo dizia que não haveria reajuste. Naquele momento, ainda eram poucas as pesquisas que mostravam o avanço de Flávio Bolsonaro, e quase nenhuma o colocava à frente de Lula no segundo turno. Hoje a situação já é bem mais preocupante para a campanha petista.

“Não tem previsão de reajuste”, disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, na apresentação do Orçamento de 2027, em 31 de agosto passado. De lá para cá, nada aconteceu, do ponto de vista econômico, que justificasse a mudança. O que mudou foi a percepção, dentro do governo, de que chegou a hora de fazer valer a caneta presidencial a favor da reeleição.

O novo valor do Bolsa Família começa a ser pago em 19 de outubro, seis dias antes de um eventual segundo turno, que promete ser disputadíssimo. A intenção parece óbvia: tentar recuperar um eleitor que antes era cativo do PT, por reconhecer em Lula o padrinho do Bolsa Família, mas que deixou de sê-lo porque já entendeu que não precisa votar em petistas para manter o benefício, hoje totalmente incorporado como política de Estado.

A urgência em reajustar o Bolsa Família não veio sozinha. O governo espalha ainda que vai pagar as dívidas dos endividados. Não é pouca coisa. A Fazenda prepara mais um programa para aliviar dívidas antigas dos brasileiros, por meio da recompra dos débitos com grande deságio. O desenho nem está pronto, mas sua eventual serventia política já é conhecida: segundo o ministro Dario Durigan, a medida poderá ser levada à campanha.

Quanto mais a eleição se acirra, mais o governo encontra espaço para gastar, emprestar, subsidiar ou perdoar. A esta altura, é de meter medo pensar no que ainda poderá ser feito com a máquina pública até a eleição.

O endividamento das famílias é grave. A inadimplência chegou a 5,8% em julho, maior nível desde março de 2011. Há razões legítimas, portanto, para enfrentar o problema. Mas o governo Lula já recorreu ao Desenrola e voltou ao tema neste ano. Agora, às vésperas da eleição, prepara outra fórmula para limpar o nome dos brasileiros, justamente quando o candidato à reeleição precisa convencer um eleitorado que insiste em não demonstrar a gratidão esperada.

Não é um episódio isolado. Ao longo de 2026, o governo multiplicou programas de crédito, subsídios, benefícios e renúncias. O Gastômetro, criado pelo Estadão para acompanhar essas iniciativas, já soma R$ 269 bilhões. As rubricas têm naturezas distintas e seria incorreto tratá-las todas como dinheiro simplesmente torrado pelo Tesouro. Mas a concentração de bondades no ano em que Lula pede mais quatro anos no Planalto, enquanto sua vantagem eleitoral encolhe, tampouco pode ser despachada como obra do acaso. O reajuste do Bolsa Família, a propósito, custará R$ 5,8 bilhões ainda neste ano e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.

Em defesa de Lula, recorde-se que seu antecessor, Jair Bolsonaro, também despejou dinheiro de helicóptero a poucos meses da eleição de 2022, elevando o Auxílio Brasil (nome bolsonarista do Bolsa Família) de R$ 400 para R$ 600. Para quem chamava o Bolsa Família de “Bolsa Esmola”, como Bolsonaro, a mudança foi notável, comprovando que a necessidade do incumbente de se reeleger tem o extraordinário poder de tornar possível aquilo que até pouco antes encontrava resistências técnicas, fiscais ou políticas.

Recorde-se, contudo, que Bolsonaro nem assim foi reeleito. Pode ser que o mesmo aconteça com Lula, mas o petista resolveu pagar para ver – usando dinheiro alheio.

Fonte;Estadão

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