A Justiça negou liberdade a Anderson Alberto Gaúna, preso em novembro de 2025 sob a acusação de ser operador do jogo do bicho em Maracaju. Durante a ação, dez máquinas foram apreendidas na casa dele.
Para o Ministério Público do Estado, ele atuava diretamente em favor do clã Razuk. “Chama a atenção, ainda, uma conversa recuperada no Facebook, datada de 28 de fevereiro de 2025, na qual Anderson Alberto Gaúna confirma que ‘Tô com os razuk ainda’ [sic], de modo a não deixar dúvidas de que ele explora a atividade do jogo do bicho em prol da organização criminosa chefiada por Roberto Razuk e seus filhos”, diz a denúncia.
Um primeiro habeas corpus foi negado pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande. A defesa recorreu ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), que foi sorteado para o desembargador Jonas Hass Silva Júnior, da 1ª Câmara Criminal.
Porém, o magistrado entendeu que “condições pessoais favoráveis, família constituída, residência fixa e ocupação lícita, por si sós, não autorizam a revogação da prisão preventiva” e negou a soltura. O caso será julgado pelo colegiado.
Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione
Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.
Foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Alvos também foram identificados no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.
Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.
O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.
Roberto Razuk foi apontado pelo Gaeco como antigo chefe da operação do jogo do bicho na região sul de MS. Até a década de 1990, o esquema em todo Mato Grosso do Sul era liderado por Fahd Jamil, também alvo da Successione em fases anteriores.
Fahd deixou o comando da organização criminosa e dividiu a operação em duas frentes: a região de Campo Grande ficou com Jamil Name e a região de Dourados e Ponta Porã passou para Roberto Razuk. O antigo líder ficou distante, mas manteve influência, como mostrou reportagem da revista Piauí, em dezembro de 2024.
Família Razuk e mais 20 são denunciados por jogo do bicho
O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL), seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025 no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.
Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS requer, além da condenação pelos crimes imputados, o pagamento de R$ 36 milhões a título de reparação de danos, conforme o artigo 7.º, inciso I, da Lei de Lavagem de Dinheiro.
De acordo com o documento, a investigação identificou que, após a desarticulação da organização criminosa liderada pela família Name (alvo da Operação Omertà), o grupo liderado pelos Razuk iniciou uma ofensiva para preencher o vácuo de poder e assumir o “monopólio do jogo do bicho” em Campo Grande e regiões estratégicas.
A denúncia detalha que a organização agia de forma violenta e estruturada. O Gaeco aponta que o grupo não apenas explorava a atividade ilícita, mas utilizava um aparato armado para cometer “roubos majorados” contra grupos rivais, visando enfraquecer a concorrência e tomar pontos de aposta à força.
“A organização criminosa se mantém ativa e atuante […] visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e região”, aponta um trecho do documento.
Fonte:Campo Grande News