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Amizade entre líderes do tráfico ajudou a identificar esquemas

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O vínculo de amizade entre os chefões das três organizações criminosas investigadas pelas operações Sordidum e Prime, deflagradas na semana passada pela Polícia Federal, foi o que ajudou os investigadores a chegarem a todos os envolvidos.

De acordo com a Polícia Federal, no início, a investigação tinha como foco uma empresa que seria de propriedade do primeiro grupo investigado, que tinha como líder Ronildo Chaves Rodrigues, que morava em Minaçu (GO) de onde comandava quadrilha de tráfico de cocaína, a enviando para países da América Central, de onde possivelmente tinha como alvo os Estados Unidos.

Durante as investigações deste grupo, a polícia identificou a atuação de doleiros paraguaios e também outras duas organizações criminosas que tinham o mesmo objetivo, tráfico de cocaína.

Isso porque Ronilson era amigo do chefão do segundo grupo, ao qual chamava de compadre, já que esse homem era padrinho na neta dele.

“O chefe do primeiro grupo tinha um relacionamento com o chefe do segundo grupo, eles trocavam mensagens pessoais, eles tinham uma relação de amizade”, contou o delegado Lucas Vilela, que coordenou as operações da semana passada.

“Com o chefe do primeiro, ele é padrinho da neta dele. Então, tem uma relação ali de proximidade’, completou.

Este segundo grupo era especializado no tráfico de cocaína rodoviário e ele chegou a ser alvo de outra operação da Polícia Federal, a Downfall, que ocorreu no ano passado.

Apesar da PF não confirmar, a suspeita é de que Alexander Souza fosse o líder desse grupo, que começou sua atuação em Maringá (PR).

Quando a Downfall foi deflagrada, o chefe da organização teria fugido para o Paraguai, porém, ele teria se mudado para Dourados, de onde estaria atuando no tráfico.

“O chefe do segundo grupo, por sua vez, tinha uma relação de amizade, era[tratado como] compadre pelo chefe do terceiro grupo, da Operação Prime e passou a residir na cidade de Douradas a convite do chefe do terceiro grupo. No final das contas, acabou que por conta dessa mudança para Dourados, eles tinham se tornado sócios, de fato. Estavam trabalhando juntos na parte de lavagem, não da parte voltada ao tráfico”, explicou o delegado.

“O segundo grupo, no caso, é o elo comum entre o primeiro e o terceiro. A partir da identificação do primeiro grupo, como um dos contatos dele era o chefe do segundo grupo, a gente chegou nessa quadrilha, e ele também tinha uma relação próxima com o chefe do terceiro grupo”, completou.

O terceiro grupo citado,  que foi alvo da Operação Prime, era comandado pelos irmãos Marcel Martins Silva e Valter Ulisses Martins, que moravam em Dourados e comandavam o tráfico de cocaína para estados da região sul do País.

Segundo a PF, apesar de não haver vínculo entre as quadrilhas no que se refere ao tráfico de drogas, eles eram amigos e já haviam tido sociedade em empresas de fachada em outra oportunidade.

“O chefe do segundo já havia sido sócio, formalmente, de uma empresa de transporte de cargas em Dourados, do chefe do terceiro e eles se tratam por compadre. [E agora] eles estavam atuando na mesma empresa que servia de lavar as capitais”, contou o delegado.

LAVAGEM

O foco das operações, segundo a PF, era a desarticulação financeira dos grupos. Isso porque a investigação começou com a movimentação desproporcional de empresa que servia para lavagem de dinheiro do tráfico e que funcionava em Ponta Porã.

Segundo o delegado, a PF identificou uma pessoa que servia de uma espécie de operador de doleiro paraguaio.

“A função dele era abrir empresas de fachada ou assumir a responsabilidade sobre outras empresas que já tinham se aberto em nome de terceiros e recrutar laranjas para abrir conta em nome dessas empresas, para que fossem recebidos e enviados valores que pertenciam de fato aos doleiros”, explicou.

“Os doleiros recebiam a comissão desses valores que passavam pelas contas”, completou o delegado. Foi assim que os investigadores chegaram em Ronildo, que era ex-piloto de traficantes de drogas e agora comandava seu próprio “negócio”.

Além dos doleiros, as quadrilhas também tinham outras forma de lavar o recebido com o tráfico.

“O chefe do segundo grupo ele não registrava praticamente nada no nome dele. Ele registrava muitos veículos e imóveis em nome de terceiros, ou de familiares, ou de pessoas e empresas da confiança direta dele”, contou.

Já terceiro grupo, comandado pelos irmãos, tem uma loja de pisos em Dourados, que eles usam para lavar o dinheiro, mesclando o dinheiro lícito que entra no local, com os ilícitos e utilizavam esse valores para aquisição de bens.

SAIBA

A investigação identificou que apenas os irmãos Martins tinham um patrimônio estimado em R$ 50 milhões. Juntos, os três grupos têm mais de R$ 100 milhões.

 

Fonte:CE

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