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Seca fora de época em MS deve durar até maio

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Os dois primeiros meses deste ano tiveram registros de chuvas abaixo da média histórica. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que há uma seca fora de época no Estado, já que os meses de janeiro e fevereiro são geralmente marcados por precipitações.

De acordo com dados do Inmet, na Capital, choveu 104,2 milímetros em fevereiro e 93,2 mm em janeiro deste ano, enquanto no ano passado o índice pluviométrico em Campo Grande foi de 242,2 mm em fevereiro e de 328,6 mm em janeiro.

A média histórica para Campo Grande nesses meses varia entre 200 mm e 300 mm de chuva, segundo o Cemtec-MS. O centro aponta que, em janeiro, a Capital registrou volume de precipitações 59% abaixo da média histórica.

O monitoramento de secas do Cemtec-MS informa ainda que, em janeiro, a maior parte dos municípios de MS registrou chuvas abaixo da média histórica para o período, 41 cidades no total, enquanto apenas 6 municípios registraram chuvas acima da média.

Fevereiro não foi diferente, apesar de o Cemtec-MS ainda não ter divulgado o resultado total das médias de precipitação do mês, nos 15 primeiros dias foi observado que na maior parte do Estado as chuvas variaram entre 0 mm e 60 mm, resultado até 50% abaixo do esperado para a época.

Os dados do Inmet complementam os do Cemtec-MS. De acordo com o instituto, na maioria das cidades do Estado, em fevereiro, foram registrados volumes menores que os do mesmo período de 2023.

Em Jardim, o volume de chuva foi de 285,8 mm em fevereiro do ano passado, enquanto neste ano o índice foi de apenas 122,2 mm. Dourados também registrou queda, passando de 298,2 milímetros de volume de precipitação em 2023 para 132,8 milímetros neste ano. Miranda teve 254,2 mm de chuva no ano passado e 128,8 mm em fevereiro deste ano.

O meteorologista do Cemtec-MS Vinícius Sperling relata que as diversas ondas de calor também ajudaram nesse cenário de clima atípico, pois aumentam a evapotranspiração e, consequentemente, diminuem o nível dos rios e o acúmulo de água no solo, entre outros fatores.

As queimadas que ocorreram no início deste ano também estão relacionadas com o aumento da temperatura e os baixos índices de chuva.

“É um somatório de fatores. Altas temperaturas são, digamos, eficientes para aumentar o número de focos de calor”, comenta o meteorologista.

Sperling informa ainda que um alerta para a região foi dado nesta semana, por representantes de agências governamentais, para que haja planejamento de navegação, já que os rios estão muito abaixo do volume histórico, iniciativas de combate ao fogo, manejo de pastagens e abastecimento de água feito com antecedência.

Esse alerta é por causa da estimativa da meteorologia para março, abril e maio, que é de que as chuvas permanecerão com volumes até 30% abaixo do normal.

Sperling comenta que na reunião foi alertado que mesmo que as chuvas ocorram dentro da média histórica no restante do ano não será suficiente para compensar o deficit de água dos últimos meses.

Neste trimestre, de março a maio, a tendência climática é de manutenção da seca fora de época e temperaturas mais quentes que o normal na maior parte do Estado.

“Em relação às temperaturas, em janeiro foram observadas temperaturas máximas do ar próximas de 37ºC a 40°C, evidenciando um trimestre mais quente que a climatologia. Sendo assim, entendemos que a precipitação deve se manter dentro a ligeiramente abaixo da média climatológica em grande parte do Estado para o trimestre de março, abril e maio. Em relação à previsão climática da temperatura do ar para este trimestre, o modelo indica que em Mato Grosso do Sul as temperaturas tenderão a ficar acima da média”, informa o relatório do Cemtec-MS.

Em nível nacional, uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informa que as temperaturas e as secas extremas ocorreram em boa parte do País principalmente nos meses de novembro e dezembro.

FENÔMENOS

O El Niño é o fenômeno que está relacionado diretamente com o aumento de secas e da temperatura em 2023 e no início deste ano. Vinícius Sperling relata que ainda estamos sob os efeitos de um El Niño intenso, que teve o pico entre o fim do ano passado e o início deste ano.

“Ele [El Niño] causa diversos impactos no globo. Aqui no Centro-Oeste é mais conhecido pelo aumento das temperaturas, ou seja, temperaturas acima da média. Já na influência da chuva não existe um sinal muito claro do El Niño, mas ele tem esse potencial de ‘bagunçar’ o clima globalmente, então, muito se relaciona o período chuvoso atípico, de muito calor e menos chuva, ao El Niño”, explica o meteorologista.

O fenômeno deve começar a perder força a partir de abril, estando ainda um pouco presente em maio.

No entanto, no quinto mês do ano, as previsões são de neutralidade e do começo da influência do fenômeno La Niña, que deve realmente entrar em evidência a partir de julho deste ano.

 

Fonte:CE

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