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Ataque em SP aumenta tensão e MS aposta em câmeras e psicólogos para evitar mortes em escolas

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A segurança nas escolas ganhou evidência após o caso de uma professora que foi morta a facadas por um adolescente de 13 anos, na Escola Estadual Thomazia Montoro, em São Paulo, na segunda-feira (28). Uma docente de 71 anos morreu, enquanto três professoras e quatro alunos ficaram feridos.

Já em Mato Grosso do Sul, na última quinta-feira (23), um aluno causou pânico em uma escola estadual em Campo Grande ao ameaçar funcionários e colegas com um simulacro de uma arma. O jovem de 15 anos foi imobilizado pelo diretor.

Na avaliação do presidente da FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), Jaime Teixeira, a violência nas escolas é um reflexo da sociedade e são necessários programas por parte do poder público e da comunidade escolar que debatam sobre o tema.

“Os professores se sentem inseguros, eles estão sujeitos. Tem que ter politicas públicas por parte dos gestores e tem que ter um projeto de amparo no exercício da profissão. Apoio psicológico seria uma parte, mas não é só. A escola tem que ter bom projeto pedagógico, boa participação com a comunidade, em que os pais se sintam parte da escola. Dos alunos, criar os grêmios estudantis nas escolas ajuda, ter professores efetivos ajuda também porque eles passam anos na escola e criam laços”, avalia o presidente da Fetems.

Além disso, Jaime Teixeira diz que o acesso à internet com restrições por crianças e adolescentes é outro debate que deve ganhar evidência.

“A sociedade está muito polarizada, acho que amenizar essa discussão hoje é preocupante. Temos o efeito das redes sociais e tem o lado do mal e temos alunos que frequentam essa parte com frequência. A gente vê crianças e adolescentes tomando rumo muito perigoso”, avalia.

No caso do aluno de 13 anos que matou a professora a facadas em São Paulo, foi verificado que dias antes ele se envolveu em um briga em que fez comentários racistas a um colega, além de já ter criado um quiz na internet sobre assassinos em série. Segundo informações da PM, o autor das facadas teria cometido o crime por ter sido vítima de bullying.

Na avaliação da CNDE (Campanha Nacional pelo Direito à Educação), o problema de violência nas escolas é complexo.

“É importante ressaltar que o aumento de ideias e comportamentos fascistas, de extrema direita entre a população, de uma cultura de ódio, xenofobia e intolerância em suas mais variadas formas, contribuem diretamente para um cenário propício a atitudes cada vez mais violentas na sociedade, seja nas escolas, ou fora delas”, avalia o CNDE.

Como é a segurança em escolas da rede estadual de MS?

Para prevenir casos de violência dentro das escolas, a rede estadual de ensino de Mato Grosso do Sul conta com monitoramento por câmeras de segurança, psicólogos e seis viaturas da Polícia Militar que fazem a ronda escolar.

De acordo com o titular da SED (Secretaria Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul), Hélio Daher, são disponibilizados psicólogos pela Coped (Coordenadoria de Psicologia Educacional) para atender os alunos que praticam e são vítimas de bullying.

Os psicólogos estão localizados em Campo Grande e em 11 regionais do Estado. Quando a escola identifica um caso, é solicitado o atendimento por meio do preenchimento de um formulário no sistema.

“O objetivo da Coped é desenvolver políticas antibullying na prevenção de desencorajar e de combater o início do bullying. A coordenadoria atua em parceria com o Ministério Público e o Conselho Tutelar e na conscientização dos professores”, ele explica.

Além disso, também está em implantação câmeras de segurança nas escolas estaduais que são monitoradas em uma central. A expectativa é que o projeto seja expandido para o interior e que previna brigas e furtos.

“Nós também vamos começar o teste de reconhecimento facial na entrada dos estudantes para melhorar ainda mais a segurança escolar”, conta o titular da SED.

O Governo do Estado também promove a Ronda Escolar, criada em 2017, com seis viaturas da Polícia Militar e 12 agentes.

De acordo com o coordenador do Programa Escola Segura, Família Forte, ligado à Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), Valson Campos dos Anjos, o monitoramento abrange 122 escolas da rede estadual e 50 da rede municipal.

Todas as escolas recebem, ao menos, três visitas por semana. “A ronda pega o período da manhã e para na escola, pelo menos cinco minutos. Os policiais entram na escola, cumprimenta o diretor. É uma ronda preventiva, é específico. Eles fazem o entorno da escola, no mínimo 200 metros”, explica Valson dos Anjos.

Como é a segurança na Reme?

Por meio de nota, a Semed (Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande) explicou que conta com o SECOE (Setor de Acompanhamento de Conflitos Relacionados à Evasão e Violência Escolar) que realiza formação continuada com diretores e coordenadores para identificação de casos de abusos e maus tratos e sobre denúncias ao órgão competente.

O setor também realiza palestras preventivas nas escolas e conversa diretamente com alunos sobre bullying e violência. A formação continuada com os coordenadores ocorre em cumprimento à lei 6.672 de 15 de setembro de 2021.

“Há ainda uma parceria com a Guarda Municipal com palestras orientativas e preventivas e com a Sejusp-MS, com os policiais do Programa Escola Segura Família Forte, que monitoram escolas e também desenvolvem palestras e conversas preventivas com os alunos.

Em casos de denúncias de alunos com objetos perigosos, a Guarda Municipal é acionada imediatamente pela direção da unidade escolar para revistar o aluno”, informou em nota.

 

Fonte:MM

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