A Hidrovia do Paraguai é um dos principais corredores logísticos da América do Sul. Ao longo de 3.442 quilômetros navegáveis, liga Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, conectando regiões produtoras aos mercados da Bacia do Prata e ao comércio internacional.
Para o Brasil, a via, que é administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), é estratégica principalmente para o transporte de grãos, minérios e outros produtos do Centro-Oeste. O uso do transporte aquaviário reduz custos logísticos, amplia a competitividade das exportações e diminui a circulação de caminhões nas rodovias, já que um único comboio de barcaças pode transportar carga equivalente à de centenas de caminhões.
A hidrovia também desempenha papel fundamental para países sem acesso ao mar, como Paraguai e Bolívia, garantindo uma rota eficiente para exportações e importações. No trecho brasileiro, o corredor é especialmente importante para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde atende importantes regiões produtoras e se conecta a projetos logísticos como a futura Rota Bioceânica.
No Brasil, a Hidrovia do Rio Paraguai (HN-950) possui 1.272 quilômetros, entre Cáceres (MT) e a confluência com o Apa, rio que nasce em Mato Grosso do Sul. Ao longo desse percurso, faz fronteira com o Paraguai por cerca de 330 quilômetros e com a Bolívia por aproximadamente 48 quilômetros. Sua área de influência abrange 20 municípios dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde vivem cerca de 1,17 milhão de pessoas. Entre as principais cidades atendidas estão Cuiabá, Cáceres e Poconé em Mato Grosso, além de Corumbá, Ladário, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul.
A navegação apresenta características distintas em dois trechos: pelo Tramo Sul, entre a foz do rio Apa e Corumbá (MS), atravessam grandes comboios comerciais, com capacidade para transportar até 24 mil toneladas de carga por viagem. Já no Tramo Norte, entre Corumbá (MS) e Cáceres (MT), a navegação ocorre em embarcações menores devido à presença de ilhas fluviais, trechos assoreados e maior sinuosidade do rio.
Pela hidrovia são transportados principalmente minérios de ferro e manganês, além de soja, combustíveis e outros insumos essenciais para o abastecimento regional. Atualmente, o corredor movimenta cerca de 10 milhões de toneladas de cargas por ano.
Gestão compartilhada
Por ser uma hidrovia internacional, o funcionamento do corredor depende da coordenação entre os países que compartilham suas águas. Nesse contexto, Brasil, Paraguai e Bolívia discutem um acordo para estabelecer um modelo de governança trilateral da Hidrovia do Rio Paraguai, entre Corumbá (MS) até a foz do rio Apa.
A proposta busca definir regras comuns para a prestação de serviços essenciais à navegação, como balizamento e sinalização náutica, monitoramento hidrológico, comunicação operacional e manutenção das condições de navegabilidade. Também prevê o uso de tecnologias para acompanhamento do tráfego de embarcações e monitoramento ambiental, contribuindo para mais segurança e eficiência nas operações.
A definição desse acordo é considerada um passo importante para garantir uma gestão integrada da hidrovia, proporcionando maior previsibilidade às operações, fortalecendo a integração logística entre os países da Bacia do Prata e criando condições para ampliar a competitividade do corredor hidroviário no longo prazo.
Fonte:Gov