quarta-feira, 1 abril, 2026 14:50
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Fretes de grãos sobem em MS com avanço da soja e rotas têm alta de até 36%

de Redação Bonitonet
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O custo do transporte rodoviário de grãos aumentou em fevereiro de 2026, impulsionado pelo avanço da colheita da soja, maior volume de exportações e dificuldades operacionais causadas pelas chuvas. Em Mato Grosso do Sul, o impacto foi ainda mais evidente, com trajetos registrando aumentos superiores a 30% em relação ao mês anterior.

As informações fazem parte do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta crescimento da demanda por fretes em diferentes regiões do país. O cenário é resultado direto do ritmo da safra, principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste, onde a concentração da colheita elevou a necessidade de transporte.

Além disso, as condições climáticas dificultaram a logística. As chuvas reduziram a eficiência das operações e contribuíram para pressionar os preços, já que o escoamento da produção passou a exigir mais tempo e estrutura.

No fluxo nacional, os principais corredores de exportação continuam concentrando o escoamento. No início de 2026, o Arco Norte respondeu por mais de 40% das exportações de milho e por cerca de 38% da soja. Já o porto de Santos manteve participação relevante, com mais de um terço dos embarques de ambos os produtos.

A tendência é de continuidade desse cenário. A Conab aponta que fatores como variação cambial, instabilidade geopolítica e os preços do petróleo devem seguir influenciando os custos do transporte. Internamente, o avanço da colheita mantém elevada a procura por caminhões.

Esse movimento ocorre em um momento de grande volume de produção. A estimativa da Conab indica que a safra brasileira 2025/26 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas, com leve crescimento em relação ao ciclo anterior.

A soja segue como principal destaque, com previsão de 177,8 milhões de toneladas. Mesmo com excesso de chuvas em algumas regiões, mais da metade da área plantada já havia sido colhida até o fim de fevereiro.

O milho também apresenta produção elevada, estimada em 138,3 milhões de toneladas considerando as três safras. No entanto, o plantio da segunda safra sofreu atraso devido ao ritmo mais lento da colheita da soja, afetado pelas condições climáticas.

Apesar do bom desempenho produtivo, o cenário econômico trouxe desafios. A queda nos preços internacionais de soja e milho, combinada à oferta elevada e fatores externos, reduziu a margem dos produtores. No mercado interno, custos elevados e menor valor nos prêmios de exportação também pesaram na rentabilidade.

Impacto direto em Mato Grosso do Sul

No Estado, o avanço da colheita intensificou a movimentação logística. Até o fim de fevereiro, cerca de 55% da área de soja já havia sido colhida, aumentando a quantidade de carga disponível e a necessidade de transporte para armazenamento, processamento e exportação.

Na segunda metade do mês, o ritmo mais acelerado da colheita ampliou a procura por caminhões, mantendo os fretes em alta.

O desempenho das exportações também contribuiu para esse cenário. Em fevereiro, Mato Grosso do Sul enviou ao exterior mais de 300 mil toneladas de soja e cerca de 119 mil toneladas de milho. Esse volume ampliou a circulação nas rodovias, principalmente em rotas de média e longa distância até portos das regiões Sul e Sudeste.

Outro fator que ajudou a sustentar os preços foi o ambiente de mercado, com leve valorização das commodities e dólar em patamar elevado, o que favoreceu os embarques.

Mudanças regulatórias também influenciaram o setor. A atualização dos pisos mínimos do frete, implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incorporou a alta de custos com insumos como diesel e manutenção. Ao mesmo tempo, a fiscalização eletrônica mais rígida reduziu práticas de negociação abaixo dos valores estabelecidos.

Rotas com maiores variações

Alguns trajetos em Mato Grosso do Sul registraram aumentos mais expressivos em fevereiro:

  • Chapadão do Sul – Guarujá (SP): alta de 36%
  • São Gabriel do Oeste – Maringá (PR): alta de 28%
  • Sidrolândia – Maringá (PR): alta de 26%
  • Dourados – Maringá (PR): alta de 18%

Outras rotas também apresentaram reajustes, consolidando o cenário de valorização do transporte no Estado.

Com a colheita ainda em andamento e o volume de exportações elevado, a expectativa é de que a pressão sobre os fretes continue nos próximos meses. Em Mato Grosso do Sul, a combinação entre safra robusta, demanda logística intensa e custos mais altos indica que o período de preços elevados no transporte ainda não deve recuar no curto prazo.

Fonte:Acritica

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