Os desafios de conciliar crescimento econômico, conservação ambiental e desenvolvimento social nos territórios atravessados pela Rota Bioceânica estarão em debate nos dias 2 e 3 de novembro, em Campo Grande, durante o II Fórum MS Sustentabilidade – Corredor Bioceânico de Capricórnio. O evento será realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo e reunirá representantes de universidades, instituições de pesquisa, poder público, empresas e organizações da sociedade civil.
A proposta é discutir como a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile poderá gerar oportunidades econômicas sem deixar de lado questões como mudanças climáticas, preservação dos recursos naturais e qualidade de vida das populações.
A programação contempla temas como desenvolvimento territorial, adaptação e mitigação climática, economia regenerativa, formação de capital humano, integração fiscal e tributária e planejamento de cidades resilientes. O mercado de carbono também estará entre os assuntos abordados, diante das possibilidades de geração de receitas associadas à conservação ambiental.
A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) é uma das apoiadoras oficiais do encontro, que pretende aproximar o conhecimento acadêmico das demandas dos territórios envolvidos no corredor internacional.
Desafio vai premiar soluções para os territórios
Um dos destaques da programação será o I Desafio dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) nos Territórios do Corredor Bioceânico de Capricórnio, iniciativa voltada a estudantes de graduação, mestrado e doutorado.
O objetivo é incentivar a elaboração de soluções para problemas concretos relacionados às transformações econômicas, ambientais e sociais provocadas pela integração regional.
As propostas estão organizadas em quatro eixos temáticos: Recursos Hídricos, Turismo Regenerativo, Economia Circular e Povos Originários. Os projetos devem considerar as características e necessidades dos territórios, além de apresentar potencial de aplicação prática.
Com as inscrições encerradas em 20 de outubro, a iniciativa prevê a seleção de 12 propostas para a etapa presencial, marcada para 3 de novembro, às 16h, no Auditório Manoel de Barros.
Cada equipe terá até oito minutos para apresentar sua solução, que será avaliada por especialistas com base em critérios como inovação, criatividade, viabilidade de implementação, alinhamento aos ODS e potencial de impacto.
Os três primeiros colocados receberão prêmios de R$ 1 mil, R$ 500 e R$ 250, respectivamente.
Mercado de carbono
Entre os temas que ganham espaço no fórum está o mercado de créditos de carbono, mecanismo que permite atribuir valor econômico a projetos capazes de reduzir ou remover emissões de gases de efeito estufa, desde que atendam aos critérios exigidos para certificação.
O assunto tem relevância para Mato Grosso do Sul, que reúne extensas áreas de Cerrado e Pantanal, além de uma economia fortemente ligada à agropecuária. Nesse contexto, projetos de conservação da vegetação nativa e de captura de carbono podem representar uma alternativa de diversificação de receitas para proprietários rurais.
Uma das empresas que participará do encontro é a Greenline, companhia brasileira especializada em tecnologia aplicada ao monitoramento ambiental e ao desenvolvimento de projetos de créditos de carbono. A empresa terá um estande no dia 3 de novembro para apresentar suas soluções e discutir oportunidades relacionadas aos biomas Cerrado e Pantanal.
Segundo a Greenline, sua atuação no Centro-Oeste compreende 14 projetos, que somam aproximadamente 134 mil hectares e apresentam potencial estimado de sequestro de 12,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).
“O Centro-Oeste reúne desafios e oportunidades importantes para a agenda climática brasileira, tanto pela relevância da conservação da vegetação nativa quanto pelo potencial de produtores rurais desenvolverem projetos de créditos de carbono em suas propriedades. Nosso trabalho é utilizar a tecnologia da Greenline e dados de alta integridade para desenvolver projetos sólidos e economicamente atrativos para os proprietários de áreas no Cerrado e no Pantanal”, afirma Erick Mussi, CEO da Greenline.
A companhia usa um dMRV (sistema digital de monitoramento, relato e verificação), que combina imagens de satélites de agências como a NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia), inteligência artificial e biometria florestal para acompanhar as condições ambientais das propriedades.
De acordo com a empresa, os projetos e os créditos emitidos passam por validação da Bureau Veritas, certificadora independente. Em todo o Brasil, a Greenline informa desenvolver iniciativas que abrangem mais de 1,5 milhão de hectares, com potencial estimado de geração de créditos equivalentes a mais de 25 milhões de toneladas de CO₂ por ano.
A companhia também integra um grupo de trabalho voltado à discussão de metodologias para a estruturação do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa), mercado regulado de carbono do país.
Integração regional e cidades do futuro
Outro ponto da programação será a preparação dos municípios para as mudanças decorrentes da implantação do Corredor Bioceânico. A expectativa de ampliação dos fluxos comerciais e de circulação de pessoas traz desafios relacionados à infraestrutura urbana, à gestão ambiental e à oferta de serviços públicos.
Os debates buscarão identificar caminhos para que os benefícios da integração logística sejam acompanhados de melhorias nas condições de vida das populações e de estratégias de proteção dos recursos naturais.
O fórum também contará com palestra magna de Paulo Sérgio Niemeyer, que abordará arquitetura, planejamento urbano, sustentabilidade e os desafios das cidades do futuro.
A discussão integra uma agenda mais ampla de desenvolvimento territorial, na qual a Rota Bioceânica é considerada não apenas uma ligação comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico, mas também uma oportunidade de cooperação entre os quatro países envolvidos.
Serviço
Evento: II Fórum MS Sustentabilidade – Corredor Bioceânico de Capricórnio
Data: 2 e 3 de novembro de 2026
Abertura oficial: 3 de novembro, às 8h
Local: Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, Campo Grande (MS)
Desafio dos ODS: 3 de novembro, às 16h, no Auditório Manoel de Barros
Informações e inscrições: Sympla.
Fonte:Campo Grande News