Filme de MS sobre resistência Guató conquista prêmio em festival nacional de cinema

A atriz Gleycielli e o diretor Marcus Teles recebendo o prêmio (Foto: Eduardo Andrade)

O curta-metragem sul-mato-grossense “Mapago” foi um dos grandes vencedores do 23º Festival de Cinema de Cuiabá – CineMATO. A produção conquistou o Prêmio Uno Mato, concedido ao melhor filme produzido entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A premiação aconteceu neste domingo (5), último dia do festival.

Protagonizado pelas atrizes Gleycielli Nonato Guató e Serena MC, o filme acompanha Fagunda, uma mulher Guató que carrega as marcas do afastamento de seu território ancestral, e sua filha Serena, jovem artista que encontra no funk e no hip-hop caminhos para afirmar sua identidade indígena na cidade.

Para o diretor Marcus Teles, o prêmio é um reconhecimento da potência do cinema sul-mato-grossense.

“Somos uma produção do interior do interior, sem distribuidora e sem a estrutura que normalmente acompanha grandes produções. Ver Mapago alcançar festivais importantes e compartilhar espaço com obras vindas de centros que já possuem uma cadeia cinematográfica consolidada é, por si só, uma grande vitória. Mais do que uma conquista para o filme, é a prova de que histórias produzidas a partir dos territórios indígenas e do interior do Brasil também têm força, qualidade e relevância para dialogar com públicos de todo o país.”Marcus Teles.

Escrito pela própria Gleycielli Nonato Guató, a partir de suas vivências, o roteiro explora a resistência dos povos indígenas no contexto urbano, enquanto buscam manter seus hábitos e costumes, mesmo distantes de seus territórios ancestrais.

Cena do curta Mapago. (Foto: Marcus Teles)

“O filme Mapago foi feito com essa força ancestral dentro do contemporâneo. São mulheres da periferia, mulheres que sofrem com o processo de desculturalização, que perdem e, ao mesmo tempo, tentam manter sua cultura. Isso fortalece a ideia de que podemos ser indígenas em qualquer lugar, no asfalto ou na mata. Somos indígenas em qualquer território, porque todo território é nosso.”Gleycielli Nonato Guató.

Para a roteirista, o maior legado do filme está em permitir que os próprios indígenas falem de suas vivências

“Quando eu era criança, eu não me via nos filmes, na literatura ou na arte. Hoje temos a oportunidade de falar por nós mesmos na literatura, no cinema e na arte. Temos a oportunidade de ser protagonistas de nossas próprias histórias, e Mapago traz isso.”Gleycielli Nonato Guató.

Além da premiação no CineMATO, o curta segue sua trajetória nacional com exibições confirmadas no Bonito CineSur, em Mato Grosso do Sul, ainda neste mês, e no Festival Guarnicê de Cinema, em São Luís (MA), um dos festivais de cinema mais tradicionais do país, em agosto.

Fonte: PrimeiraPágina

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