Especialistas apontam falhas em estudo da hidrovia e cobram mais rigor no Pantanal

A proposta da Hidrovia Paraguai-Paraná voltou a ser alvo de críticas em Mato Grosso do Sul ontem (24), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).

O principal ponto levantado no debate foi o entendimento de especialistas e entidades de que o estudo de viabilidade do projeto minimiza os impactos ambientais no Pantanal e apresenta uma visão otimista demais sobre os benefícios econômicos da obra.

Durante a audiência, representantes da Wetlands International Brasil e da Mupan, Mulheres em Ação no Pantanal, afirmaram que análises técnicas feitas nos últimos anos apontam fragilidades importantes na proposta. Um dos alertas foi feito pela doutora Cátia Nunes, consultora das duas organizações, ao destacar que a dinâmica das águas é decisiva para a preservação do bioma. “Sem o pulso de inundação, não há Pantanal. A maior parte dos solos é arenosa e depende diretamente da dinâmica das águas”, afirmou.

Outro ponto que ganhou destaque no encontro foi a crítica à falta de uma análise mais consistente sobre mudanças climáticas no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da hidrovia. Segundo o pesquisador Wilson Cabral de Souza, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o documento desconsidera cenários futuros que podem interferir diretamente na operação da hidrovia, como seca, aumento de eventos extremos, alteração no transporte de sedimentos e necessidade de dragagens.

A discussão também marcou a apresentação de um novo estudo em andamento, voltado à criação de salvaguardas socioambientais e ao fortalecimento de critérios para futuros Estudos de Impacto Ambiental. De acordo com a oficial técnica Ana Carla, da Wetlands International Brasil, o material está em fase de consulta pública e deve reunir contribuições de pesquisadores, instituições e da sociedade para ampliar o debate sobre obras de infraestrutura na região.

A audiência contou ainda com a presença do deputado estadual Pedro Kemp, da representante da SOS Pantanal, Stefania Oliveira, do biólogo Gustavo Figueiró, de pesquisadores, integrantes do Ministério Público Federal e do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. A consulta pública sobre o tema segue aberta, e o resultado do novo estudo deve ser publicado em setembro de 2026.

Fonte:Acritica

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