Projeto realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc levou formação em moda e modelagem à comunidade e abriu novos caminhos para geração de renda e valorização dos saberes manuais
O barulho das máquinas de costura logo deu lugar às conversas, às risadas e, principalmente, à confiança. A cada ponto costurado, não eram apenas tecidos que ganhavam forma, mas também novas possibilidades de futuro para um grupo de mulheres do distrito de Águas do Miranda.
Educadoras, pescadoras e donas de casa compartilharam a mesma sala, os mesmos desafios e a vontade de aprender. Unidas pela oficina Moda e Modelagem, elas descobriram que uma profissão tradicional pode continuar transformando vidas, fortalecendo a autoestima e criando oportunidades de geração de renda dentro da própria comunidade.
A iniciativa foi idealizada pela artesã e professora Erondina Mancuelo Peralta e realizada por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), em edital de fomento à moda do Governo de Mato Grosso do Sul. Além da formação gratuita, todas as participantes receberam materiais para acompanhar as atividades e utilizaram máquinas de costura disponibilizadas durante a oficina.

Para Erondina, o projeto nasceu muito antes da abertura das inscrições. Nasceu da relação construída com a comunidade ao longo dos anos e do desejo de levar uma oportunidade concreta para as mulheres do distrito.
“Quando surgiu a oportunidade de participar do edital, pensei imediatamente nas mulheres do Águas do Miranda. Queria oferecer uma formação que pudesse despertar novos caminhos, fortalecer a autonomia e mostrar que a costura continua sendo uma profissão capaz de gerar renda e transformar realidades”, afirma.
Mais do que ensinar técnicas de corte, modelagem e confecção de peças, a oficina buscou resgatar um ofício que atravessa gerações e que, embora cada vez mais raro, continua sendo uma importante ferramenta de independência financeira.
Ao longo das aulas, as participantes desenvolveram habilidades práticas e produziram suas próprias peças. Mas, segundo Erondina, o maior resultado não foi o que saiu das máquinas.
“O mais bonito foi perceber a mudança na postura delas. Muitas terminaram dizendo: ‘Eu consigo, eu sou capaz’. Algumas já começaram a procurar máquinas de costura para trabalhar em casa e oferecer serviços para a própria comunidade. É esse tipo de transformação que faz tudo valer a pena”, destaca.
Entre as participantes estava Luci Cândida Ferreira, que resume a experiência em poucas palavras, representando todas participantes.
“Foi uma oportunidade incrível. Aprendemos muito, fomos muito bem acolhidas e já estamos querendo outra oficina. É um conhecimento que a gente leva para a vida e que pode ajudar muitas mulheres a conquistar uma renda e acreditar mais em si mesmas”, relata.
O encerramento da oficina foi marcado pela apresentação das peças produzidas pelas próprias alunas, celebrando não apenas o aprendizado técnico, mas também o caminho percorrido por cada participante ao longo da formação.
Para Erondina, iniciativas como essa mostram que cultura e economia caminham juntas. Ao incentivar a criação, preservar saberes tradicionais e oferecer qualificação, a costura passa a ser também um instrumento de desenvolvimento social.
“A capacidade está dentro de cada mulher. Às vezes falta apenas uma oportunidade para que ela descubra o quanto é capaz de criar, empreender e transformar a própria história”, conclui.
Ao levar conhecimento para além dos grandes centros e aproximar a formação profissional das comunidades, a oficina Moda e Modelagem demonstra como a cultura pode ser um instrumento de inclusão, geração de renda e fortalecimento da identidade local. Viabilizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a iniciativa deixa um legado que vai além das peças confeccionadas: a certeza de que novos caminhos também podem ser costurados, ponto a ponto, pelas próprias mãos de quem decidiu aprender
Fonte: Gabriela Junqueira – Assessora de imprensa