Oposição terá, no mínimo, 54 senadores, caminha para maioria robusta na Câmara e elege governadores em estados importantes e simbólicos
Pela primeira vez neste século, os democratas venceram em todo o estado do Texas, conquistando não apenas uma cadeira no Senado, mas também o governo estadual. Ganharam uma cadeira no Senado no Kansas, o que não acontecia há quase 100 anos. Conquistaram uma cadeira no Senado na Carolina do Sul, um estado que mal figurava no mapa das disputas eleitorais. E conquistaram cadeiras na Câmara dos Representantes em territórios tão tradicionalmente republicanos que os democratas estão a caminho de sua maior maioria no Congresso em anos.
As preocupações econômicas internas e uma guerra no exterior provaram ser uma combinação politicamente tóxica para Trump e seu partido. Os democratas estão a caminho de vencer a votação popular nacional para a Câmara dos Representantes pela maior margem em meio século.
Até o início desta manhã, os democratas tinham derrotado senadores republicanos no Texas, Carolinas do Sul e do Norte, Ohio, Minnesota, Iowa, Kansas, Maine e Michigan. Além disso, reelegeram senadores na Geórgia, Virgínia, Delaware, New Jersey, Rhode Island, Massachussetts, New Hampshire, Colorado, Illinois, Novo México e Oregon.
Com isso, contando os senadores que ainda estão no meio do mandato, chegaram à 54 senadores, três a mais que a maioria necessária para comandar a Casa.
Os democratas ainda têm chance de vencer no Alasca, o que elevaria essa maioria para 55 senadores.
Controle da Câmara
Na Câmara, os democratas tinham virado, até o início da madrugada, 10 assentos, sete a mais que o necessário para a maioria.
Até meados da manhã, os democratas tinham garantidos 228 assentos na Câmara contra 139 dos republicanos.
Com o avanço da apuração na costa oeste, sobretudo na Califórnia, e o avanço dos resultados democratas no resto do país, é improvável que os republicanos revertam a situação.
Uma projeção da rede de TV NBC estima a bancada democrata em 255 deputados contra 180.
Simbolismos nas eleições para governadores
A oposição também obteve vitórias importantes nas eleições para governador, com vitórias de muito simbolismo no Texas, New Hampshire e na Geórgia. O Texas terá a primeira governadora latina, com Gina Hinojosa. A Geórgia terá a primeira governadora negra, com Keisha Bottoms. E New Hampshire elegeu o primeiro governador gay da história dos EUA, com Chris Pappas.
O presidente Trump disse, na noite de terça-feira, que estava “absolutamente disposto” a aceitar os resultados das eleições de meio de mandato e preparado para trabalhar com os democratas.
“Estamos, sabe, ansiosos para trabalhar com eles”, afirmou ele em uma entrevista por telefone ao The New York Times. “Provavelmente chegaremos a um entendimento.”
Trump atribuiu as derrotas republicanas ao fato de ele não estar na disputa e classificou sua decisão de entrar em guerra contra o Irã como uma “decisão muito sensata”.
Ele declarou não ter arrependimentos por ter apoiado candidatos como a senadora Darline Graham — republicana da Carolina do Sul — e Ken Paxton, procurador-geral republicano do Texas; ambos foram derrotados em suas respectivas disputas eleitorais.
Ele insistiu que não se arrependia de nada em relação aos dois primeiros anos de seu segundo mandato, apesar das derrotas generalizadas dos republicanos. “Considero este o período de dois anos mais bem-sucedido na história de qualquer presidente”, afirmou.
Fonte: Estadão