El Niño pode ser o mais forte dos últimos 40 anos e aumentar risco de seca na Amazônia

O fenômeno climático El Niño pode ser o mais forte dos últimos 40 anos, segundo alerta divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nessa quarta-feira (21). A previsão é de que o evento atinja seu pico entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de secas, ondas de calor e chuvas intensas em diferentes partes do mundo.

O alerta foi apresentado durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça, pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo. Segundo ela, os efeitos do fenômeno poderão continuar sendo sentidos mesmo depois de sua fase mais intensa.

El Niño pode ser o mais forte em 40 anos e provocar seca na Amazônia. – Foto: Inmet

A previsão climática mais recente indica que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico tropical pode ficar até 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Com o aquecimento das águas, eventos climáticos extremos que já atingem diferentes regiões poderão se tornar mais frequentes e alcançar novas áreas.

El Niño pode aumentar risco de seca na Amazônia

No Brasil, uma das principais preocupações é a possibilidade de agravamento da estiagem na Amazônia. Segundo a ONU, partes da região amazônica, da América Central e do sul do Caribe apresentam maior risco de seca durante a intensificação do fenômeno.

O cenário preocupa especialmente porque a região já enfrenta problemas relacionados à falta de chuvas e aos incêndios florestais.

Calor extremo prevalece no periado na região Norte. (Wilmar Carrilho)

No Amazonas, pelo menos 41 municípios estão em situação de emergência, outros 16 em alerta e cinco em atenção. De acordo com boletim divulgado pelo governo estadual na terça-feira (20), 102.445 famílias já foram afetadas pela estiagem.

A fumaça das queimadas também prejudica a qualidade do ar em Manaus. No domingo (18), a concentração de partículas finas chegou a 94,4 microgramas por metro cúbico, índice considerado muito ruim pela Defesa Civil municipal.

O governo federal informou que pretende intensificar as ações de combate aos incêndios florestais e de enfrentamento aos efeitos da seca.

ONU alerta para consequências humanitárias

Além dos impactos ambientais, a ONU teme que a intensificação do El Niño agrave crises humanitárias em países que já enfrentam conflitos, insegurança alimentar e dificuldades econômicas.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, classificou o fenômeno como potencialmente devastador e alertou para a possibilidade de consequências em grande escala.

Entre os principais riscos estão a redução da produção de alimentos, o aumento dos preços, o deslocamento de populações e o agravamento da fome em comunidades vulneráveis.

Calor intenso em Cuiabá – Foto: Primeira Página

Segundo Fletcher, os impactos também poderão atingir países que não estejam diretamente nas regiões mais afetadas pelo fenômeno, por meio de reflexos na economia mundial.

Como o El Niño afeta o clima?

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e altera os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.

No Brasil, o fenômeno costuma favorecer temperaturas mais elevadas em grande parte do território, além de aumentar a possibilidade de estiagem em áreas do Norte e Nordeste e de chuvas intensas no Sul. Os efeitos variam conforme a intensidade do evento e outros fatores climáticos.

Países já recebem recursos para enfrentar os impactos

Diante das projeções, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) anunciou a liberação de mais de US$ 50 milhões para apoiar 11 países considerados vulneráveis aos efeitos do El Niño.

Entre os beneficiados estão Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.

Os recursos serão utilizados em ações de preparação e resposta a emergências, com foco na proteção de populações expostas a secas, enchentes e insegurança alimentar.

A OMM reforçou que o monitoramento climático e os sistemas de alerta antecipado são fundamentais para reduzir os danos. A orientação é que governos e organizações humanitárias utilizem as previsões para planejar ações antes que os eventos extremos atinjam as comunidades.

Fonte:PP

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