Nesta semana, temporais com recorde de acumulado de chuva alagaram ruas, derrubaram árvores e deixaram famílias desalojadas e ilhadas em várias cidades de Mato Grosso do Sul. O El Niño potencializou a precipitação, mas a intensidade dos episódios também depende da combinação de outros fatores climáticos, como a umidade disponível e os sistemas meteorológicos que passam pelo Estado.
“Não é possível relacionar um único evento isoladamente ao El Niño”, afirma Vinicius Sperling, meteorologista do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). “Essa é uma condição comum na primavera, porém é amplificada pela atuação desse El Niño muito intenso”, explica, sobre os volumes expressivos de chuva, o granizo e as tempestades com ventos fortes dos primeiros 15 dias de outubro.
O fenômeno altera a circulação geral da atmosfera e interfere na distribuição das chuvas e das temperaturas. No entanto, em MS, os efeitos dependem da interação com outras condições atmosféricas. Por isso, anos sob influência do El Niño têm comportamentos diferentes no Estado, com ondas de calor, seca, chuva ou acumulados próximos da média.
O que mais causa chuva?
Neste outubro, um dos fatores que favorecem os temporais é a maior disponibilidade de umidade. Conforme o meteorologista, a ausência de bloqueios atmosféricos facilita a chegada dessa umidade ao Estado, inclusive da Amazônia.
Quando uma frente fria ou um sistema de baixa pressão encontra esse cenário, há condições para chuvas mais intensas. A passagem de uma frente fria, por si só, não significa que haverá temporal. Sem muita umidade e outros ingredientes atmosféricos, ela pode provocar chuva fraca ou moderada, explica Sperling.
No entanto, entre quarta-feira (14) e quinta-feira (15), houve uma sequência desses sistemas. Primeiro, um cavado meteorológico provocou volumes elevados em algumas regiões, inclusive em Campo Grande. Depois, a frente fria avançou, tendo maior atuação na quinta-feira.
“É normal entrar uma frente fria, mas, se não tiver muita umidade ou outros ingredientes atmosféricos, ela vai passar com uma chuva fraca ou moderada. Mas temos percebido que está entrando com muita severidade e intensidade”, explica o meteorologista do Cemtec.
Alagamentos na Capital
Mais de seis casas ficaram alagadas na parte baixa da Avenida Rádio Maia, na Vila Popular. Além disso, trechos da Avenida Nelly Martins ficaram completamente inundados.
O lago do Parque das Nações Indígenas também chegou a transbordar. A situação causou transtornos aos veículos que trafegavam pelo local e aos trabalhadores de uma obra em andamento na esquina da avenida com a Rua Ivan Fernandes Pereira.
Diversas ruas do bairro Jardim Los Angeles também ficaram alagadas, e moradores e condutores tiveram dificuldades para transitar pela região. Um motociclista chegou a ser derrubado pela força da água.
A Avenida Guaicurus, no trecho que dá acesso ao bairro Jardim Centro Oeste, voltou a registrar alagamento. O Lago do Amor também transbordou novamente e interditou o trânsito na Avenida Senador Filinto Müller.
Ilhados e desalojados no interior
Nove famílias que vivem em áreas vulneráveis de Bela Vista precisaram ser retiradas de suas casas após a cheia do Rio Apa, que atingiu 5 metros. Desde segunda-feira (12), equipes da Defesa Civil Municipal e do Corpo de Bombeiros atuaram no resgate de moradores e no atendimento às ocorrências provocadas pela inundação.
O nível do Rio Dourados também chegou a cerca de 5 metros acima do normal após as chuvas que atingiram a região de Fátima do Sul. A água chegou à copa das árvores e cerca de 10 famílias precisaram ser desalojadas na quarta-feira (14).
Já em Batayporã, cerca de 120 pessoas ficaram ilhadas em uma região com ao menos 50 propriedades rurais na quarta-feira (14). Em Amambai, ao menos duas famílias ficaram desalojadas, precisando de doações de telhas e lonas devido às fortes chuvas que também atingiram a cidade.
Fonte;MM