quinta-feira, 15 outubro, 2026 12:32
Home SaúdeEl Niño acende alerta: calor extremo pode representar risco grave para quem tem doença cardíaca

El Niño acende alerta: calor extremo pode representar risco grave para quem tem doença cardíaca

de Redação Bonitonet
0 comentários

O El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do Pacífico Equatorial, contribui para as temperaturas globais recordes e amplia o risco cardíaco. Quando o calor sobe demais, o coração de quem tem doença cardiovascular é submetido a um esforço perigoso.

Relatórios de cardiologistas de oito grupos da Sociedade Europeia de Cardiologia mostram que essa ameaça pode ser fatal e exige planejamento prévio. Nos últimos meses, o Super El Niño de 2026 se intensificou.

Em setembro, a temperatura da região central do Oceano Pacífico ficou 2,08 °C acima da média, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Foi o segundo maior valor mensal desde 1950.

Na costa da América do Sul, a anomalia foi ainda maior. Ao fim de setembro, a temperatura das águas ficou 4,5 °C acima do normal, apenas 0,1 °C abaixo do recorde histórico de 1983.

Por que o calor extremo ameaça o coração
Quando a temperatura sobe, o corpo tenta dissipar o calor. Para isso, desvia sangue para a pele, onde ele ajuda a eliminar calor pela transpiração. O coração então precisa bater mais rápido e bombear mais sangue para manter a pressão arterial estável.

Quem já tem doença cardíaca enfrenta essa demanda adicional com mais dificuldade, e o órgão debilitado pode não suportar o esforço extra.

Pesquisadores como Georgia Chaseling. Fisiologista cardiovascular da Universidade de Sydney, e Philip Moons, professor da Universidade de Leuven, apontam que 2024 foi o ano mais quente já registrado, 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. O aquecimento global torna as ondas de calor mais frequentes e intensas, criando um novo padrão de risco para pacientes cardíacos.

Preparação preventiva antes da crise
Especialistas recomendam incluir a proteção contra o calor extremo no acompanhamento de rotina, e não apenas em situações de emergência. Meses antes, profissionais de saúde precisam conversar com os pacientes sobre os riscos climáticos. E identificar os mais vulneráveis: idosos, pessoas socialmente isoladas ou com acesso limitado a informações sobre ondas de calor.

O plano deve incluir o monitoramento de medicamentos, do peso corporal e dos níveis de eletrólitos durante os períodos quentes. Também deve prever a verificação regular da pressão arterial em casa para quem tem hipertensão. Reabilitação cardíaca com exercícios adaptados ao clima e vigilância contínua de sinais de alarme, como tontura, confusão, falta de ar ou palpitações.

Pacientes não devem interromper nem alterar medicamentos cardiovasculares por conta própria por causa do calor. Os sistemas de saúde também precisam ampliar a capacidade de atendimento a emergências térmicas, com equipes preparadas e recursos para o aumento da demanda hospitalar.

Intensidade do fenômeno e seus reflexos regionais

O El Niño altera a circulação atmosférica global e muda os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do Brasil. Os efeitos variam conforme a força do episódio e as condições atmosféricas locais.

Em outubro, a anomalia na faixa central do Pacífico atingiu 3,4 °C, atrás apenas do pico registrado em dezembro de 1982. O dado consolida 2026 como um ano de extremos climáticos sem precedente recente.

A combinação de um El Niño intenso com a vulnerabilidade cardíaca reforça a necessidade de os centros de saúde implementarem protocolos antes da chegada das ondas de calor. Ainda há lacunas importantes: não se sabe por que alguns pacientes são mais vulneráveis ao calor que outros.

Além disso, a maioria das pesquisas sobre medicamentos cardíacos e calor envolve voluntários jovens e saudáveis, não os idosos e frágeis que tomam esses remédios diariamente. Georgia Chaseling, fisiologista cardiovascular da Universidade de Sydney, defende traduzir o conhecimento científico em orientações práticas para profissionais, em vez de esperar pela emergência.

Quando não é seguro esperar pela primavera: pacientes que não podem aguardar

A recomendação geral é planejar com meses de antecedência, mas há exceções críticas. Pacientes socialmente isolados ou com acesso limitado a informações sobre ondas de calor não conseguem se preparar sozinhos e dependem da ação imediata de equipes de saúde domiciliar. Também é urgente atender quem não tem recursos para resfriar a casa ou acesso confiável a medicamentos.

Para esses grupos, a preparação não pode ficar restrita ao consultório. Hospitais e órgãos públicos precisam traçar planos específicos de alcance e vigilância muito antes da chegada do calor extremo, porque essas pessoas vulneráveis não têm “tempo sobrando” para se organizar.

Fonte:Correiodoestado

Você também pode gostar

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00