terça-feira, 28 julho, 2026 16:33
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Economia sequestrada pelo crime chega a Búzios, paraíso turístico do Rio

de @bonitonet
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Grupo criminoso que passou a impor o preço do galão de água e a determinar os estabelecimentos autorizados a vender botijões de gás aos moradores

A atuação do crime organizado sobre o mercado de produtos essenciais também chegou a Armação dos Búzios, um dos principais destinos turísticos da Região dos Lagos. O balneário se tornou alvo de um grupo criminoso que passou a impor o preço do galão de água e a determinar os estabelecimentos autorizados a vender botijões de gás aos moradores. A atuação da quadrilha foi detalhada em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio após a prisão de quatro suspeitos. Segundo o documento, os criminosos determinaram o aumento de R$ 2 no preço do galão de água e exigiam que o valor adicional fosse repassado ao grupo. Caso os comerciantes se recusassem a cumprir a ordem, eram avisados de que seriam impedidos de continuar exercendo suas atividades.

A investigação sobre o esquema de extorsão foi conduzida pela 127ª DP (Armação dos Búzios), que prendeu três suspeitos em abril deste ano. Com o grupo, os policiais apreenderam sete celulares, R$ 10 mil em espécie e diversas anotações com chaves Pix e dados de comerciantes da região. Com o avanço das investigações, os agentes identificaram e prenderam um quarto suspeito apontado como integrante da organização. Segundo a polícia, o grupo mantinha uma estrutura voltada à cobrança de taxas de comerciantes e ao controle da venda de botijões de gás, obrigando os revendedores a adquirir o produto de um único fornecedor.

Um comerciante relatou à polícia que teve sete botijões de gás roubados pelo grupo após descumprir a ordem de comprar do fornecedor indicado pelos criminosos. O revendedor contou que foi até Cabo Frio adquirir os botijões devido ao aumento dos preços em Búzios, onde cada unidade pode custar até R$ 150.

Ao retornar à cidade com a carga, foi abordado pelos suspeitos, que tomaram os produtos sob a alegação de que ele não poderia revendê-los por serem provenientes de outro município. Segundo o comerciante, após o episódio ele passou a receber mensagens com ameaças e ordens determinando de quais fornecedores poderia comprar os botijões.

Outros dois revendedores autônomos também procuraram a polícia afirmando ter sofrido o mesmo tipo de intimidação. Em um dos casos, os criminosos chegaram a mencionar a retenção dos sete botijões do comerciante como forma de reforçar as ameaças.

Água taxada

Outras vítimas do grupo relataram à polícia como funcionava o esquema de extorsão na venda de água. Segundo os comerciantes, os criminosos iam até os estabelecimentos e determinavam que o preço do galão fosse reajustado em R$ 2 por unidade, valor que deveria ser repassado à quadrilha. De acordo com os depoimentos, quem se recusasse a cumprir a ordem era ameaçado e avisado de que seria impedido de continuar comercializando o produto na região.

Na decisão que decretou a prisão dos suspeitos, o juiz afirmou que os episódios revelam a existência de uma “estrutura organizada para dominar, mediante intimidação violenta, um setor essencial da economia local”. O magistrado também destacou que “os crimes foram praticados contra trabalhadores locais, pessoas vulneráveis que dependem da revenda de gás para garantir a sua subsistência diária”.

No último domingo, uma reportagem do GLOBO mostrou que grupos armados passaram a comandar a distribuição de alimentos — como arroz e trigo —, itens de limpeza e materiais de construção, forçando comerciantes a comprar de fornecedores indicados por eles. A nova frente de atuação do crime transforma mercadorias básicas em mais uma fonte de financiamento das facções, afasta empresas formais, sufoca a concorrência e distorce o mercado. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o avanço pode comprometer o desenvolvimento econômico do estado.

Fonte: OGlobo

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