Conta de água pode ficar mais cara em 68 cidades de MS a partir de janeiro

Reajuste previsto é de 7,53%, mas agência reguladora ainda precisa concluir avaliações antes de confirmar a nova tarifa

Moradores de 68 municípios de Mato Grosso do Sul poderão pagar mais caro pelos serviços de água e esgoto a partir de janeiro de 2027. Um aumento de 7,53% está previsto na segunda etapa da revisão tarifária da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), mas a aplicação do percentual ainda depende de verificações da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agems).

A questão será discutida nesta quinta-feira (22), durante uma reunião extraordinária da diretoria da agência, em Campo Grande. O encontro também vai avaliar os resultados da Tarifa Social de Água e Esgoto, destinada a reduzir os gastos de famílias de baixa renda com o saneamento.

O percentual previsto para 2027 faz parte de uma revisão tarifária aprovada no fim de 2025, que estabeleceu um reposicionamento total de 22,13% nas tarifas da Sanesul, dividido em duas etapas. A primeira, de 14,60%, entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano. A segunda está programada para começar em 1º de janeiro de 2027.

Apesar da previsão, o aumento ainda não está confirmado em sua aplicação integral. A agência precisa concluir análises técnicas relacionadas aos investimentos da empresa e à quantidade de famílias atendidas pela Tarifa Social antes de definir a nova tabela de preços.

Por que a conta pode aumentar?

A revisão tarifária foi concluída pela Agems em dezembro de 2025, após estudos sobre os custos de operação, os investimentos realizados e as condições financeiras necessárias para manter os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

O resultado foi formalizado pela Portaria Agems nº 314, de 2 de dezembro de 2025, que estabeleceu o índice total de reposicionamento tarifário de 22,13%, com aplicação escalonada entre 2026 e 2027.

Segundo a agência, a divisão em duas etapas buscou distribuir o impacto financeiro sobre os consumidores, em vez de concentrar toda a elevação em um único momento.

A revisão tarifária ordinária é diferente do reajuste anual. Enquanto o reajuste acompanha a atualização periódica dos custos previstos nas regras contratuais, a revisão considera uma análise mais ampla da estrutura econômica da concessionária, incluindo despesas, investimentos e equilíbrio financeiro da prestação dos serviços.

O que falta para o aumento ser aplicado?

A entrada em vigor da segunda parcela depende da conclusão de duas avaliações regulatórias.

A primeira é a certificação da Base de Ativos Regulatória (BAR), que reúne informações sobre os bens utilizados pela Sanesul na prestação dos serviços. Nessa etapa, são verificados ativos como redes de distribuição, instalações e equipamentos empregados no abastecimento de água e no tratamento e coleta de esgoto.

A análise permite identificar quais investimentos podem ser reconhecidos no cálculo tarifário, conforme as regras aplicáveis.

O segundo ponto é a apuração do número de beneficiários da Tarifa Social. A quantidade de famílias contempladas e o impacto dos descontos precisam ser considerados na avaliação da estrutura econômica do serviço.

A reunião desta quinta-feira deverá analisar uma nota técnica com os resultados da aplicação da Tarifa Social até o terceiro trimestre de 2026, além de acompanhar os procedimentos necessários para a segunda etapa da revisão.

A previsão é que a nova tabela tarifária seja publicada até 1º de dezembro de 2026, antes da data programada para a mudança nos valores.

Quanto a conta pode ficar mais cara?

O impacto dependerá do consumo de cada imóvel e da categoria tarifária em que ele está enquadrado. A Sanesul possui valores distintos para residências, estabelecimentos comerciais, indústrias e órgãos públicos, além de faixas de consumo e cobranças relacionadas aos serviços de água e esgoto.

Para entender a dimensão do percentual, uma conta hipotética de R$ 100 passaria a R$ 107,53 caso o aumento de 7,53% fosse aplicado linearmente sobre todo o valor, sem outras alterações. Nesse exemplo, seriam R$ 7,53 a mais por mês, ou R$ 90,36 em 12 meses.

O cálculo é apenas ilustrativo e não representa uma simulação oficial da Sanesul. O valor efetivo dependerá da tabela aprovada, do volume consumido e dos componentes cobrados na fatura.

Como a tabela definitiva para 2027 ainda não foi publicada, não é possível determinar antecipadamente quanto cada consumidor pagará.

Reajuste abrange 68 municípios, mas não Campo Grande

A revisão alcança os 68 municípios atendidos pela Sanesul, entre eles Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Ponta Porã, Naviraí, Aquidauana, Coxim, Maracaju, Jardim e Nova Andradina.

A estrutura tarifária é dividida em áreas, com enquadramentos específicos para determinados municípios, conforme a portaria que regulamenta os valores.

Campo Grande não está incluída na revisão porque os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Capital são prestados pela Águas Guariroba, que segue contrato e regras regulatórias próprios. Portanto, o percentual previsto para a Sanesul não se aplica automaticamente às contas dos moradores da cidade.

Tarifa Social pode atender mais de 50 mil famílias

Além da revisão tarifária, a Agems vai avaliar os resultados da Tarifa Social de Água e Esgoto, benefício destinado a famílias de baixa renda.

A modalidade foi ampliada após a Lei Federal nº 14.898, de 2024, que estabeleceu diretrizes nacionais para a concessão de descontos nas contas de água e esgoto. Em dezembro de 2025, a agência informou que mais de 50,6 mil famílias poderiam ser contempladas nos municípios atendidos pela Sanesul.

A regra prevê desconto de 50% sobre a tarifa aplicável ao consumo de até 15 metros cúbicos de água por mês. A redução não abrange necessariamente todos os componentes da fatura, e a tarifa fixa de disponibilidade do serviço permanece sujeita às regras próprias.

O benefício atende famílias que cumprem os critérios legais, incluindo inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e limites de renda, além de situações previstas para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A identificação pode ocorrer de forma automática quando a prestadora dispõe das informações necessárias. Famílias que atendam aos requisitos, mas não recebam o desconto, podem procurar os canais de atendimento para verificar o enquadramento.

A apuração do número de beneficiários e dos descontos concedidos é uma das informações que a agência levará em conta na análise da próxima etapa tarifária.

Reunião será nesta quinta-feira

A reunião extraordinária da Agems está marcada para as 10h30 desta quinta-feira (22), na sede da agência, na Avenida Afonso Pena, nº 3.026, na região central de Campo Grande.

O encontro foi convocado para discutir os procedimentos regulatórios relacionados à revisão tarifária prevista para 2027 e os resultados da Tarifa Social. A reunião será aberta ao público.

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