Conheça o que a BYD Mako tem para ameaçar a liderança da Fiat Toro

BYD Mako terá produção de 3 mil unidades mensais em Camaçari (BA). Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão.

“Mako” faz referência aos tubarões mais rápidos do mundo, que usam a velocidade para alcançar com facilidade suas presas. Também é o nome que a BYD escolheu para sua inédita picape intermediária, que começa a ser produzida em Camaçari (BA) em outubro e deve ser lançada até novembro.

Trata-se do primeiro projeto da fabricante feito pela engenharia brasileira. Mais: é o primeiro automóvel ou comercial leve desenvolvido pela BYD fora da China. A Mako foi pensada para o nosso mercado e chega para encarar a Fiat Toro, que nada de braçada há anos no segmento de caminhonetes intermediárias.

Depois de testar as águas na categoria de médias com a Shark, a fabricante chinesa pretende, enfim, despontar entre os modelos mais leves por meio da Mako. Para isso, aposta na receita da principal rival a fim de conquistar consumidores.

O Jornal do Carro teve acesso exclusivo ao protótipo no circuito privado Raceville, em Brotas (SP). Lá, tivemos contato exclusivo com a Mako e ainda obtivemos informações inéditas sobre a caminhonete feita sobre a base do Song Pro.

Mako tem mais de 219 cv e 1.000 km de autonomia

A Mako entrega nas primeiras acelerações a vantagem mais evidente de seu conjunto híbrido plug-in flex. Garante ao condutor respostas ágeis e progressivas, favorecidas pelo motor elétrico. Não há sobra de força, mas tampouco falta disposição. Quando a velocidade aumenta, o motor a combustão sobe de giro e passa a ser ouvido com mais clareza.

A BYD confirmou ao Jornal do Carro que a Mako terá propulsor elétrico mais potente e entrega combinada superior aos 219 cv do Song Pro. A fabricante, contudo, ainda esconde o número definitivo. As versões GL e GS compartilharão motorização e bateria, cuja capacidade também permanece em segredo. Ambas terão tração 4×2. O conjunto com tração integral do Song Plus Premium deve ficar para uma etapa posterior.

Segundo a BYD, a Mako deverá superar os 1.000 km de autonomia combinada e percorrer cerca de 100 km apenas com eletricidade em uso real. Como referência, o Song Pro GS flex, equipado com bateria de 18,3 kWh, entrega 72 km de alcance elétrico pelo Inmetro. A expectativa para a picape é promissora, mas o número estimado pela fabricante ainda não pode ser comparado diretamente ao alcance do SUV justamente por ainda não ter passado pela homologação.

A diferença estará nos equipamentos. A GL será voltada às vendas diretas, enquanto a GS vai mirar no consumidor final. Portanto, quem escolher a opção mais barata não terá de abrir mão de potência ou levar para casa uma bateria menor.

Ao volante da BYD Mako

No Raceville, a impressão foi de uma picape mais na mão do que no contato anterior, uma única volta rápida no autódromo José Carlos Pace. A direção ainda poderia informar melhor o que acontece entre os pneus e o chão, mas o conjunto transmitiu mais confiança. A engenharia da marca diz que não houve mudanças de calibração entre os testes, feitos em condições distintas.

A suspensão independente nas quatro rodas, McPherson à frente e multilink atrás, aproxima a experiência daquela de um SUV. Ou, para ficar na referência óbvia, de uma Toro com acerto pouco mais macio. A carga das molas pareceu adequada nas condições do teste, com bom equilíbrio entre conforto e sustentação da carroceria. Há suavidade no primeiro movimento, mas sem inclinação excessiva nas curvas.

Na estrada de terra, o acerto também funcionou bem. A Mako, que utiliza estrutura monobloco, absorveu as irregularidades sem transformar o percurso em castigo para os ocupantes. A traseira pulou um pouco, comportamento que precisa ser relativizado pela caçamba vazia. Falta avaliar como a suspensão trabalha com carga, condição fundamental para quem pretende usar a caminhonete no batente.

Os freios, por sua vez, deixaram uma impressão melhor. O pedal não apresentou a resposta borrachuda percebida em Interlagos, onde outras pessoas já haviam fustigado o protótipo. No Raceville, o sistema pareceu bem dimensionado e permitiu dosar as frenagens com confiança. O isolamento acústico e a contenção de vibrações também agradaram para um veículo ainda em desenvolvimento.

BYD Mako chega apenas em versão 4×2. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão

A BYD confirmou ainda as medidas da caminhonete. A Mako tem 5,08 metros de comprimento, 2,94 m de entre-eixos, 1,91 m de largura e 1,79 m de altura, sem o rack. O comprimento ainda poderá sofrer pequenas alterações em função de mudanças na carroceria.

O desenho externo, vale frisar, seguirá a identidade do protótipo. Segundo a marca, a dianteira inspirada no antigo Song Plus foi bem recebida pelo público. O interior ainda não foi apresentado em sua versão definitiva. No entanto, podemos esperar uma cabine típica da família Song.

Dimensões da BYD Mako

Especificação TécnicaBYD MakoFiat Toro
Comprimento5,08 m4,94 m
Entre-eixos2,94 m2,99 m
Largura1,91 m1,84 m
Altura1,79 m1,67 m
Tipo de ChassiMonoblocoMonobloco
MotorizaçãoHíbrido Plug-In Flex (PHEV)Flex / Turbodiesel / MHEV 48V

Toro que se cuide: Mako vai brigar no preço

A BYD informou ao Jornal do Carro que planeja produzir 3.000 unidades da Mako por mês nesta fase inicial. Para dimensionar a ambição, a Fiat Toro somou 5.707 emplacamentos em agosto e 37.403 nos oito primeiros meses do ano, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A média da rival no acumulado é de aproximadamente 4.675 unidades mensais.

Produção, todavia, não equivale a vendas. Até porque nem toda Mako feita em Camaçari ficará no Brasil. A picape também será vendida no México e na Argentina. O plano materializa a estratégia antecipada por Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, de transformar o complexo baiano em plataforma de exportação para a América Latina, a começar pelos dois países.

No mercado brasileiro, a intenção declarada é disputar toda a faixa de preços da Toro. Hoje, a intermediária da Fiat parte de R$ 167.490 na versão Endurance Turbo 270 Flex e chega a R$ 238.490 na Ranch Turbodiesel 4×4. A sinalização permite esperar uma Mako de entrada abaixo dos R$ 200 mil, embora a BYD ainda não tenha confirmado os valores das versões GL e GS.

Visual do protótipo da BYD Mako será mantido na versão de produção. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão

Além da promessa de preços competitivos, a Mako terá como trunfo seu sistema híbrido plug-in flex, com bateria recarregável na tomada e capacidade de rodar apenas com eletricidade. Nas Toro MHEV, o sistema de 48 volts tem apenas função auxiliar, recuperando energia nas desacelerações e mitigando emissões do motor a combustão. É uma eletrificação de atuação limitada.

Há, porém, uma diferença relevante na outra ponta da tabela. A Toro mais cara combina motor diesel e tração integral, enquanto a Mako começará apenas com tração 4×2. Atacar a mesma faixa de preços, portanto, não significa atender de imediato a todos os usos da concorrente.

A BYD aposta num primeiro momento em quem procura conforto, desempenho, eletrificação e bom pacote de equipamentos numa picape intermediária. Para quem precisa das quatro rodas motrizes, a resposta ficará para depois.

BYD Mako chega ao mercado em outubro de 2026. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão. Foto: Ricardo Takeuchi/Estadão

BYD Mako é rival à altura?

Dá para notar que a BYD estudou a Toro como um predador observa sua presa. Posição de dirigir, conforto e comportamento da Mako remetem à fórmula da Fiat, com o impulso extra da eletrificação.

Gostei do contato. A Mako surpreende pela maturidade do conjunto ainda em desenvolvimento, sobretudo no conforto e na facilidade de condução. Já guiei protótipos inferiores. E picapes de produção também. A direção poderia ser mais comunicativa, e falta testar a suspensão com carga. O ponto de partida, contudo, convence.

A picape média Shark mostrou que ficha técnica e equipamentos não bastam para conquistar quem valoriza tradição, trabalho e revenda. A BYD precisa construir essa reputação, embora já saiba chamar a atenção do consumidor brasileiro.

Mesmo assim, apesar da pergunta no intertítulo, termino este texto com uma afirmação. Se a Mako de produção confirmar o comportamento do protótipo e chegar com preço competitivo, a Toro terá um predador à altura.

Fonte: JornalDoCarro

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