O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul mantém ritmo acelerado e já soma mais de 6 mil casos prováveis, segundo dados recentes do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde. Com a progressão da doença, três novos municípios — Batayporã, Ladário e Figueirão — passaram a integrar a lista de cidades em situação epidêmica, elevando para 18 o total de localidades nessa condição.
O cenário mais crítico, em termos de crescimento proporcional, é observado em Paraíso das Águas. Em apenas dez dias, o município registrou aumento de 190,3% na incidência da doença, com mais 59 casos prováveis, praticamente triplicando o índice por 100 mil habitantes.
Outro destaque é Corumbá, onde a incidência quase dobrou no mesmo intervalo, com alta de 91,3% e acréscimo de 424 casos prováveis. O avanço expressivo reforça a preocupação das autoridades de saúde com a disseminação acelerada do vírus em diferentes regiões do Estado.
Municípios como Douradina, Sete Quedas e Dourados também apresentam crescimento significativo. Douradina teve alta de 86,4% na relação entre casos e população, enquanto Sete Quedas registra aumento de 75% cada, evidenciando a intensidade da transmissão nessas localidades. Em Dourados, segundo boletim divulgado nesta terça, 21, pela Prefeitura, a cidade acumula 6.343 notificações da doença. Desse total, 2.163 casos foram confirmados, enquanto outros 2.819 ainda estão sob investigação. O número de casos prováveis chega a 4.982, ao passo que 1.361 registros já foram descartados pelas autoridades sanitárias. Diante da gravidade da situação, o prefeito Marçal Filho publicou o Decreto nº 638, de 20 de abril de 2026, declarando estado de calamidade pública em saúde. A medida reconhece o colapso da rede assistencial e permite a adoção de ações emergenciais para conter o avanço da epidemia e ampliar a capacidade de resposta do município.
Outras cidades seguem com elevação relevante nos indicadores, embora em ritmo menor. Costa Rica teve aumento de 55% na incidência, Amambai registrou 40,5% e Selvíria, 33%, ampliando o quadro de alerta em diversas regiões sul-mato-grossenses.
Há ainda municípios com crescimento mais moderado, como Jardim (10,7%), Guia Lopes da Laguna (8%), Fátima do Sul (8,4%), Angélica (6%) e Vicentina (5%). Em contrapartida, Bonito (-1,4%) e Jateí (-15%) foram os únicos a apresentar redução nos índices entre as cidades em situação epidêmica.
Os dados atuais representam um salto em relação ao levantamento de 10 de abril de 2026, quando Mato Grosso do Sul contabilizava cerca de 4,2 mil casos prováveis e 16 municípios em epidemia. De acordo com critérios técnicos, localidades com incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes são classificadas nessa condição.
Além do crescimento dos casos, o Estado também concentra a maior incidência da doença no país. Com 206,7 casos por 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul apresenta índice 15 vezes superior à média nacional, que é de 13,8, liderando o ranking desde o início do ano.
No comparativo com outras unidades da federação, o Estado aparece à frente de Goiás, Rondônia, Minas Gerais, Mato Grosso, Tocantins e Rio Grande do Norte, reforçando a gravidade do cenário epidemiológico local.
O impacto também é observado no número de mortes. Das 19 registradas em todo o Brasil, 12 ocorreram em Mato Grosso do Sul, o que representa 63% dos óbitos. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a maioria das vítimas fazia parte de grupos de risco, incluindo idosos e bebês, com concentração dos casos fatais principalmente em Dourados, que soma oito até o momento, além de registros em Jardim, Bonito e Fátima do Sul.
Fonte:AgoraMS