Brasil abre mata-mata da Copa contra o Japão sob pressão para confirmar favoritismo

Seleção comandada por Carlo Ancelotti encara rival em evolução e inflado por expectativas

Jornalistas japoneses que acompanharam os dois últimos treinos da seleção brasileira para a cobertura do confronto pela segunda fase da Copa do Mundo de 2026 afirmaram que o Brasil enfrentará a melhor geração da história do futebol japonês. Ainda assim, todos foram unânimes em apontar a equipe de Carlo Ancelotti como favorita para o confronto desta segunda-feira, 29, jé pelas eliminatórias do torneio na América do Norte.

O jogo no NRG Stadium, em Houston, começará às 14h (de Brasília), 12h no horário local. Como o estádio tem teto retrátil, o calor de 34 graus Celsius previsto para o horário do almoço na cidade texana não deve afetar o desempenho dos jogadores, já que a arena estará climatizada.

O Brasil terá pela frente um rival em evolução. Se esse cruzamento ocorresse alguns anos atrás, o favoritismo brasileiro seria muito mais amplo, cenário que não se repete agora, embora os próprios japoneses reconheçam que a seleção de Carlo Ancelotti entra em campo com a obrigação de vencer.

“Precisamos de mente, coração e ideias claras. Temos de estar preparados para tudo o que pode acontecer em uma partida eliminatória. Em um jogo como esse, muitas coisas podem acontecer. A equipe está motivada, preparada e pronta para o que vier amanhã”, disse o técnico Carlo Ancelotti.

Em caso de eliminação, o Brasil registrará sua pior campanha em uma Copa do Mundo desde 1966, na Inglaterra, quando caiu ainda nos grupos. Em 1990, na Itália, a seleção foi eliminada pela Argentina no primeiro mata-mata, então disputado nas oitavas de final. Com a expansão do Mundial para 48 seleções em 2026, passou a existir essa etapa eliminatória anterior.

Em Copas do Mundo, Brasil e Japão se enfrentaram apenas uma vez, em 2006, na Alemanha, pela fase de grupos, com vitória brasileira por 4 a 1. Nos dois últimos Mundiais, um confronto entre os dois países nas quartas de final esteve perto de acontecer. O Japão quase venceu a Bélgica, em 2018, e a Croácia, em 2022, mas sofreu a virada no primeiro duelo e foi derrotado na disputa de pênaltis no segundo. Depois, o Brasil acabou eliminado pelos europeus.

Na história, Brasil e Japão se enfrentaram 16 vezes, com 11 vitórias brasileiras, quatro empates e apenas um triunfo japonês. Esse resultado aconteceu no encontro mais recente, em 14 de outubro de 2025, em um amistoso disputado em Tóquio, já com Carlo Ancelotti como treinador.

A seleção brasileira abriu 2 a 0, com gols de Paulo Henrique e Gabriel Martinelli, mas o Japão virou para 3 a 2 com gols de Minamino, Nakamura e Ueda. A defesa brasileira naquela partida, por causa de lesões, era totalmente reserva, e nenhum dos jogadores que atuaram no setor está na Copa do Mundo.

“Serve como aprendizado aquela derrota. Serviu para analisarmos os erros. O professor também usa aquele jogo para mostrar algumas coisas. De lá para cá, crescemos muito como equipe. A situação hoje é totalmente diferente daqueles últimos jogos. Temos de trazer o que aprendemos naquela partida, porque analisamos essa equipe japonesa e sabemos que ela é muito qualificada”, disse o zagueiro e capitão Marquinhos.

Primeira vez com o mesmo time

Com Raphinha ainda fora por causa de uma lesão muscular, a tendência é que Carlo Ancelotti mantenha a escalação que venceu a Escócia por 3 a 0 no encerramento do Grupo C. Será a primeira vez, desde que assumiu a seleção, em maio de 2025, que o treinador repetirá uma formação titular, após 15 partidas.

Rayan, de apenas 19 anos, ganhou espaço na vaga do astro do Barcelona principalmente porque contribui muito na pressão sobre a saída de bola e na recomposição defensiva. Foi ele quem dividiu a bola com um zagueiro escocês para que ela sobrasse para Vini Jr. abrir o placar. No segundo tempo, o atacante acompanhou diversas vezes jogadores da Escócia quase até a linha de fundo da defesa brasileira.

“Eu estou melhorando essa minha parte defensiva, algo que o professor pede bastante. Acho que foi um ponto importante para eu ter sido escolhido”, disse Rayan.

No Japão, ficou para trás o tempo em que os principais jogadores atuavam apenas na liga local, que viveu seu auge nos anos 1990 com a chegada de diversos brasileiros, mas hoje tem nível técnico inferior ao das principais competições mundo afora. Boa parte da seleção atua na Europa, como o atacante Ueda, de 27 anos, destaque do Feyenoord, da Holanda.

Aos 28 anos, Doan defende o Eintracht Frankfurt, da Alemanha, e joga pela seleção japonesa desde 2018. Soma 62 partidas e 11 gols. Nascido em Newark, em Nova Jersey, a poucos quilômetros do estádio que receberá a final da Copa do Mundo, o goleiro Zion Suzuki é filho de pai ganense-americano e mãe japonesa. Mudou-se ainda criança para o Japão. Atualmente no Parma, da Itália, iniciou a carreira no Urawa Red Diamonds, um dos principais clubes do país.

BRASIL x JAPÃO

  • BRASIL: Alisson; Danilo, Gabriel Magalhães, Marquinhos e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Rayan, Matheus Cunha e Vini Jr.. Técnico: Carlo Ancelotti.
  • JAPÃO: Zion Suzuki; Hiroki Ito, Shogo Taniguchi e Tsuyoshi Watanabe; Ritsu Doan, Daichi Kamada, Keito Nakamura, Kaishu Sano e Daizen Maeda; Junya Ito e Ayase Ueda. Técnico: Hajime Moriyasu
  • ÁRBITRO: Maurizio Mariani (Itália)
  • HORÁRIO: 14h (de Brasília)
  • LOCAL: NRG Stadium, em Houston, EUA.
  • ONDE ASSISTIR: CazéTV, Globo, SporTV, GE TV, SBT e N Sports.

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