Bonito, eleito destino nº 1 do mundo pela National Geographic tem águas com 50 metros de visibilidade onde esconde fósseis pré-históricos

Bonito foi eleito o melhor destino de ecoturismo do Brasil 19 vezes pelo prêmio “O Melhor de Viagem e Turismo” da revista Viagem e Turismo, a conquista mais recente ocorreu na 21ª edição do prêmio (2025/2026), anunciada no início de 2026

Rios tão transparentes que peixes parecem flutuar no ar, uma gruta com 90 metros de lago azul e fósseis de animais pré-históricos no fundo. Bonito, no sudoeste do Mato Grosso do Sul, virou um destino de referência internacional em ecoturismo por reunir uma combinação rara: geologia peculiar, biodiversidade preservada e gestão ambiental rigorosa.

Por que a água de Bonito é tão transparente?

A resposta está no subsolo. A cidade fica sobre a Serra da Bodoquena, formação geológica composta por rochas calcárias que funcionam como filtro natural. A água da chuva percola pelo calcário, dissolve o carbonato de cálcio e deposita as partículas em suspensão antes de emergir nas nascentes.

O resultado impressiona. A visibilidade dentro dos rios chega a dezenas de metros, e a transparência revela cardumes inteiros e a paisagem submersa como um aquário natural, sem tecnologia envolvida. Cada mergulho de máscara e snorkel oferece a nitidez de um documentário submarino.

O reconhecimento internacional consolidou o apelido. Em maio de 2017, a National Geographic incluiu Bonito na lista Best Summer Trips daquele ano, ao lado de destinos como Galápagos, Ruanda e Cocos Island. A publicação destacou o ecoturismo, as cavernas, as cachoeiras e o sistema de vouchers controlados como diferenciais que fazem da cidade um dos melhores lugares do mundo para visitar no verão.

Venha curtir as cachoeiras refrescantes e trilhas leves de Bonito, um cantinho acolhedor para relaxar na natureza brasileira. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Uma gruta com 90 metros de água azul e fósseis pré-históricos

O principal cartão-postal esconde mistérios científicos ainda sem resposta. Segundo a Secretaria de Turismo de Bonito, a Gruta do Lago Azul abriga uma das maiores cavidades inundadas do mundo, com profundidade estimada em 90 metros e origem geológica ainda não totalmente esclarecida.

A descoberta oficial foi feita em 1924 por um indígena da região. A entrada da caverna tem cerca de 40 metros de diâmetro, o que permite a passagem de luz solar e ilumina o lago em tons de azul intenso entre setembro e fevereiro, quando o ângulo do sol atinge diretamente a água.

Nas profundezas, expedições científicas encontraram algo raro. O fundo do lago abriga um cemitério de animais extintos, com fósseis de uma preguiça gigante de mais de três metros de altura que viveu na região das Américas. A caverna também é habitat exclusivo de duas espécies pré-históricas, o crustáceo Potiicoara Brasiliensis e o Mega Gnidiella, o que restringe o acesso ao mergulho apenas para pesquisas com profissionais autorizados.

Bonito é o paraíso das águas cristalinas, onde cada rio revela peixes coloridos, flutuações inesquecíveis e cenários perfeitos para o verdadeiro ecoturismo. // Créditos: depositphotos.com / lspencer

O IPHAN reconheceu antes de virar destino turístico

O reconhecimento oficial veio antes do boom do ecoturismo. Em 1978, a Gruta do Lago Azul e a Gruta de Nossa Senhora Aparecida foram declaradas Monumentos Naturais pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), quando ainda eram desconhecidas do grande público. O objetivo era preservar as estruturas calcárias frágeis, o lago e o ecossistema aquático.

O turismo começou a se desenvolver apenas nas décadas de 1970 e 1980, quando visitantes começaram a descobrir as belezas naturais da região. Antes disso, a economia local se apoiava em uma fazenda chamada Rincão Bonito, adquirida pelo capitão Euzébio Luiz da Costa Leite Falcão em 1869, considerado o pioneiro da cidade.

O município se emancipou apenas em 1948 e mantém, ainda hoje, população de pouco mais de 20 mil habitantes. A gestão do fluxo turístico obedece a regras rígidas: cada atrativo tem limite diário de visitantes, e o acesso a quase todos exige agendamento via agência local e presença de guia credenciado.

O que o Rio Sucuri esconde entre suas curvas

O nome do rio engana. Sucuri não vem de um encontro com a serpente, mas do formato sinuoso do leito, curvas que se assemelham ao rastejar do animal. A nascente fica na Fazenda São Geraldo e oferece uma das flutuações mais concorridas da cidade.

O passeio dura cerca de duas horas. O visitante desce o rio empurrado pela suave correnteza, acompanhado de barco por um guia, com peixes de várias espécies que se aproximam sem medo. A transparência da água é constante durante todo o percurso, sem quedas de visibilidade nas margens.

Outros rios da região oferecem flutuações semelhantes, cada um com particularidades. O Rio da Prata, o Rio Formoso e o Aquário Natural completam o circuito clássico, junto com balneários, cachoeiras e cavernas espalhadas por um raio que raramente ultrapassa 50 km do centro.

O que fazer além das flutuações

Bonito reúne uma variedade de experiências raras em qualquer outro destino brasileiro. Grutas, cavernas, cachoeiras, arvorismos e mergulhos convivem em raio curto, e a maioria pode ser combinada em roteiros de três a cinco dias.

  • Gruta do Lago Azul: descida de 100 metros por escadaria até o mirante do lago cristalino, a 22 km do centro.
  • Flutuação no Rio Sucuri: percurso de duas horas na nascente de águas cristalinas, com grande variedade de peixes.
  • Abismo Anhumas: descida de rapel por 72 metros até uma caverna com lago subterrâneo e formações de cristais.
  • Recanto Ecológico Rio da Prata: flutuação em fazenda com nascentes cristalinas e circuito de trilhas.
  • Grutas de São Miguel: caverna calcária com formações de estalactites e passarela suspensa.
  • Aquário Natural: flutuação na nascente do Rio Formoso, um dos passeios mais curtos e acessíveis.
  • Balneário Municipal: acesso público ao Rio Formoso com estrutura de restaurantes e áreas de descanso.

Como é o clima de Bonito durante o ano?

A cidade tem clima tropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e amenos. As temperaturas altas em janeiro e fevereiro coincidem com o auge do azul do Lago Azul, um dos motivos que faz do verão a alta temporada.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Passeios sustentáveis em Bonito-MS, ideais para famílias, com balneários acessíveis e opções de aventura seguras. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Como chegar à capital do ecoturismo

Bonito fica a cerca de 300 km de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, com acesso pela BR-262 e MS-345 em aproximadamente quatro horas de carro. O Aeroporto de Bonito opera voos regionais, e o Aeroporto Internacional de Campo Grande é a principal porta aérea nacional. A cidade também recebe visitantes vindos de São Paulo, a cerca de 1.100 km, por rodovias federais.

A cidade das águas transparentes

Poucos destinos brasileiros oferecem transparência de aquário natural, uma gruta com fósseis de preguiça gigante e o reconhecimento da National Geographic como melhor destino do mundo para o verão. Bonito consegue tudo isso com regras ambientais que preservam a paisagem e limitam o número de visitantes por dia.

Fonte: TupiFM

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