sexta-feira, 11 setembro, 2026 11:33
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Bezerro dispara até 40% e Pantanal ganha protagonismo na pecuária de MS

de Redação Bonitonet
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O mercado pecuário de Mato Grosso do Sul atravessa uma fase de valorização dos animais de reposição, em um movimento provocado principalmente pelo ciclo pecuário e pela menor disponibilidade de bezerros.

Os preços acumulam altas expressivas nos últimos 12 meses, chegando a 40% em determinadas categorias e regiões, enquanto a oferta mais ajustada coloca o Pantanal em posição estratégica na produção de animais para reposição do rebanho.

Conforme cotações do Sistema de Inteligência e Gestão Territorial da Bovinocultura de Corte de Mato Grosso do Sul (Sigabov), em julho de 2025 o preço da arroba do bezerro estava em R$ 395,10.

A cotação avançou ao longo dos meses e atingiu o pico de R$ 543,60 em março deste ano. Em julho, última referência disponível, estava em R$ 464,40.

A Famasul confirma a valorização “O cenário de bezerros em Mato Grosso do Sul é de valorização. O preço do quilo do bezerro acumulou alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a bezerra valorizou 19%. As demais categorias de reposição também apresentam alta nos últimos 12 meses”, informou a entidade ao Correio do Estado.

O encarecimento da reposição também aparece na relação de troca. “Em julho, um boi gordo comprava, em média, 1,77 bezerro, contra 1,89 em julho de 2025, uma redução de 6,6% no poder de compra”, apontou a Famasul.

Segundo a entidade, a explicação está principalmente no ciclo pecuário.

“Nos últimos anos, tivemos um volume elevado de abate de fêmeas, o que reduziu a quantidade de matrizes disponíveis para reprodução e, consequentemente, afetou a oferta de bezerros. Esse efeito começa a aparecer agora com mais força no mercado de reposição”.

Apesar da pressão sobre a reposição, os dados mais recentes mostram redução no ritmo dos abates. Nos sete primeiros meses deste ano, Mato Grosso do Sul abateu 2,37 milhões de cabeças, 4,9% menos que no mesmo período de 2025. A participação de fêmeas, porém, permaneceu próxima de 51%.

“Mesmo com a redução no volume abatido, o mercado segue com uma oferta mais ajustada de animais”, avaliou a Famasul.

Essa oferta mais restrita também ajuda a explicar a sustentação das cotações do boi gordo. “Em agosto, a arroba ficou acima de R$ 339,00, com alta de 10,6% em 12 meses”, destacou a entidade.

“Mesmo com a redução dos abates, os preços continuam firmes, em um cenário de oferta mais ajustada de animais para abate”, acrescentou.

PANTANAL
É nesse ambiente de menor oferta que o Pantanal ganha importância estratégica para a pecuária estadual.

A região responde por cerca de 40% dos bezerros produzidos em Mato Grosso do Sul, segundo o Sistema Novilho Precoce, formado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce (ASPNP) e pela Cooperativa Novilhocoop.

A relevância da região aumenta diante da transformação de áreas tradicionalmente ligadas à cria. Municípios como Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas passaram por forte expansão da silvicultura, com o eucalipto ocupando áreas anteriormente destinadas à pecuária.

Nas cotações de animais de reposição acompanhadas pelo Sigabov a partir de 12 empresas de leilões, a região Sul apresentou o maior valor para o bezerro, com R$ 3.723,54. Na sequência aparece o Pantanal, com R$ 3.209,74, abrangendo municípios como Corumbá, Ladário, Aquidauana, Porto Murtinho e Miranda.

Para o presidente da Novilho Precoce, Rafael Nunes Gratão, o atual cenário é consequência de uma etapa do ciclo pecuário que deve permanecer por mais algum tempo.

“Esse é o ciclo pecuário, acontece mais ou menos de sete em sete anos. Avaliamos que no futuro bem próximo vai acontecer a retenção de fêmeas e depois de uns três anos mais ou menos começa a aparecer mais bezerros, mudando esse cenário do preço atual. Houve um descarte excessivo de fêmeas, que ocorreu entre 2023 e 2025. Isso gerou reflexo para uma menor disponibilidade de bezerros em 2026 e a tendência que temos é que a situação vai seguir em 2027, com tendência de alta do bezerro, o que vai subir também a arroba do boi, além da persistência de falta de bezerros”, avaliou.

RECOMPOSIÇÃO
A Famasul destaca que a reação dos pecuaristas tende a ocorrer por meio da retenção de fêmeas, mas os efeitos não são imediatos.

“Olhando para o ciclo, a tendência é que o produtor passe a reter mais fêmeas para reprodução diante da valorização do bezerro. Essa retenção ajuda a recompor o plantel e, mais à frente, aumenta a oferta de bezerros. Mas esse processo leva tempo”, afirmou a entidade.

“Entre a retenção da matriz, a reprodução, o nascimento e o desenvolvimento do bezerro, são necessários alguns anos para que uma mudança na formação do rebanho tenha efeito mais significativo sobre a oferta de reposição”.

Para a Famasul, portanto, a trajetória dos preços dependerá da velocidade dessa recomposição. “A avaliação atual é de que a valorização dos bezerros está principalmente relacionada ao ciclo pecuário e à menor disponibilidade de animais, depois de um período de maior descarte de fêmeas”.

“A evolução dos preços nos próximos meses vai depender, principalmente, da velocidade de recomposição do rebanho e do comportamento da oferta e da demanda por animais”, completou a entidade.

O movimento cria uma situação favorável para quem trabalha com cria, mas aumenta os custos para pecuaristas que dependem da compra de animais para recria e engorda. O impacto também pode avançar pela cadeia, sustentando as cotações do boi gordo e pressionando os custos da produção de carne.

Nesse cenário, investimentos em cria, reprodução e melhoramento genético ganham espaço como estratégia para aproveitar um mercado de reposição valorizado.

E o Pantanal, responsável por parcela expressiva da produção de bezerros do Estado, passa a ocupar posição ainda mais relevante na pecuária de Mato Grosso do Sul.

Fonte:Correiodoestado

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