Asteroide do tamanho de um porta-aviões se aproxima da Terra; NASA confirma data

Um asteroide do tamanho de um porta-aviões vai passar perto da Terra em 13 de abril de 2029, em um dos sobrevoos mais próximos já previstos para um objeto de tal porte, segundo confirmou a NASA. Batizado de 99.942 Apophis, o corpo celeste vai cruzar o espaço a aproximadamente 32 mil quilômetros de distância da superfície do planeta, ficando mais perto da Terra do que os satélites geoestacionários.

Apesar da proximidade inédita, não há risco de colisão — a NASA garante que nenhum impacto ocorrerá durante essa aproximação nem nos 100 anos seguintes. Mesmo assim, o episódio é visto pelos cientistas como algo extraordinário: nunca antes a humanidade havia conseguido antecipar, com tanta precisão, a passagem visível de um asteroide de dimensões tão grandes.

Dimensões e características do objeto

Apophis tem diâmetro médio de 340 metros, chegando a 450 metros no eixo mais longo — dimensões próximas às dos porta-aviões das classes Nimitz e Gerald R. Ford, com cerca de 333 metros de comprimento. No momento de máxima aproximação, o asteroide se deslocará a 7,4 quilômetros por segundo em relação à Terra, o equivalente a 26.600 quilômetros por hora.

O objeto é rochoso, do tipo S, composto principalmente de silicatos combinados com metais como níquel e ferro. É um vestígio da formação do Sistema Solar, ocorrida há cerca de 4.600 milhões de anos, e apophis nunca se agregou a um planeta ou satélite.

Cientistas estimam que Apophis originou-se no cinturão principal de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter, e que a força gravitacional de planetas maiores o desviou gradualmente até sua órbita atual, próxima à da Terra.

A trajetória visível e observação

Durante um encontro científico sobre defesa planetária, promovido em junho pela Universidade de Pádua, na Itália, pesquisadores apresentaram mapas inéditos que detalham a rota aparente do asteroide ao longo de aproximadamente sete horas.

O objeto surgirá inicialmente sobre a Austrália e a Ásia, atingirá seu maior brilho quando estiver sobre a África e encerrará sua trajetória visível sobre o Atlântico Norte.

Moradores da América do Norte não terão condições favoráveis para acompanhar o fenômeno. Para observadores situados nas regiões com visibilidade, Apophis não aparecerá como um meteoro riscando o céu, mas como um ponto luminoso que se deslocará lentamente entre as estrelas.

Um evento raro na história humana

Pesquisadores estimam que um asteroide dessas proporções se aproxima tanto da Terra apenas uma vez a cada 5 mil a 10 mil anos. Richard Binzel, astrônomo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), observou que será a primeira vez que a humanidade conseguirá prever. Com antecedência, a passagem visível de um asteroide dessa magnitude próximo ao planeta.

A aproximação será acompanhada por missões espaciais dedicadas ao estudo do objeto. A Agência Espacial Europeia prepara a missão Ramses, que deverá encontrar Apophis antes da passagem e acompanhá-lo durante todo o sobrevoo. A missão analisará como a gravidade terrestre altera sua forma, rotação, superfície e estrutura interna.

A NASA também redirecionou a espaçonave OSIRIS-APEX para estudar o asteroide após sua aproximação com a Terra.

Descoberta e acompanhamento científico

Os astrônomos Roy Tucker, David Tholen e Fabrizio Bernardi descobriram o objeto em 19 de junho de 2004, com o telescópio Bok do Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona. Ele recebeu inicialmente a designação provisória 2004 MN4 antes de ser batizado de Apophis, nome da divindade egípcia associada ao caos e à destruição.

Desde então, agências espaciais dos Estados Unidos e da Europa acompanham cientificamente o asteroide há mais de duas décadas. A passagem é considerada uma oportunidade científica rara e irrepetível para a geração atual. Ao passar perto do planeta, o asteroide pode sofrer alterações causadas pela atração gravitacional da Terra, incluindo deslizamentos superficiais que exponham materiais preservados desde os primórdios do Sistema Solar.

Fonte:Correiodoestado

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