Especialista analisa como a redução do imposto no país vizinho poderá afetar o preço de modelos como Toyota Hilux, Ford Ranger e Fiat Cronos
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou o fim do imposto para exportar carros fabricados no país. A alíquota de 4,5% será zerada a partir de julho, permanecendo assim até junho ou julho de 2027.
A eliminação do imposto de exportação era uma medida aguardada há bastante tempo pela Adefa, associação de fabricantes da Argentina. Em nota oficial, a organização comemorou a decisão do presidente.
“Adefa valoriza positivamente a redução gradual das tarifas de exportação que o presidente Javier Milei antecipou na Bolsa de Grãos. É um estímulo fundamental para a competitividade das exportações industriais.”, escreveu a Adefa.
Segundo o próprio Milei, a intenção é encolher o Estado por meio da redução de impostos, enquanto se fortalece a indústria local. Além dos carros, a taxação também foi zerada para produtos agrícolas.
Dentro do segmento automotivo, isso significa que os carros vindos da Argentina passam a estar em pé de igualdade com os modelos fabricados em outros países da América Latina, como Brasil e México.
No entanto, o principal alvo são os chineses. Nos últimos anos, a Argentina perdeu seu posto de principal exportador para o Brasil, que passou a receber mais carros vindos da China.
Hoje, quase metade dos veículos importados pelo Brasil são de origem chinesa (47,7%), totalizando 80.100 unidades. Os argentinos aparecem em segundo lugar, com 54.900 unidades.
Os carros argentinos vão ficar mais baratos?
Parceira histórico do Brasil, a Argentina se destaca atualmente pela produção de picapes médias. As líderes do segmento, Toyota Hilux e Ford Ranger, são fabricadas no país vizinho, assim como a Fiat Titano. De lá também virão as futuras Ram Dakota e Renault Niagara.
Os hermanos também produzem carros de passeio com volume expressivo de vendas, como o Fiat Cronos e os Peugeot 208 e 2008.
Com o fim da taxação, a mídia argentina cita que o preço final das exportações de veículos argentinos pode cair 2%. Apesar da expectativa de redução de até 2%, especialistas alertam que o efeito prático ao consumidor final pode ser limitado.
Para o consultor automotivo Milad Kalume Neto, existe uma pequena margem para que as montadoras trabalhem essa redução, o que pode desencorajar o repasse ao consumidor final.
O especialista explica que a queda não acontece no final da cadeia, o que dificulta a redução de preços. Além disso, qualquer variação cambial pode anular esse ganho.
“Uma outra possibilidade consiste nas marcas optarem pela recomposição da rentabilidade ao invés de repassar esses 2% para o consumidor final”, explica Milad.
Fonte: JornaldoCarro