O circo vai percorrer novos caminhos em Mato Grosso do Sul durante o mês de novembro. O projeto “Circando: Uma Vivência Circense”, desenvolvido por artistas residentes em Bonito e selecionado pelo Circuito Funarte Carequinha de Circo, realizará apresentações e oficinas gratuitas destinadas ao público escolar em cinco localidades do estado, entre os dias 13 e 27 de novembro de 2026.
A circulação contemplará o distrito de Águas do Miranda, em Bonito; os distritos de Camisão e Piraputanga, em Aquidauana; o município de Bodoquena; e a Aldeia Tomázia, em Porto Murtinho. Em cada localidade, os estudantes das instituições de ensino contempladas terão a oportunidade de assistir ao espetáculo circense pela manhã e participar de uma vivência prática de circo no período da tarde.
A iniciativa foi contemplada pelo Programa Funarte de Difusão Nacional 2025 – Circuito Carequinha de Circo, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura. Na seleção nacional, que recebeu 338 propostas e contemplou 24 iniciativas, o Circando alcançou nota 50,15, a maior entre as propostas selecionadas na etapa de seleção após recursos.
Circo, formação e encontros
Criado originalmente como espetáculo solo em Guarapari, no Espírito Santo, o Circando ganha uma nova montagem em Mato Grosso do Sul, reunindo três artistas: Ulisses Moraes Nogueira, Sorrayla Acosta Parra e Maria Sato.
Com direção e concepção artística de Ulisses, a nova versão amplia as possibilidades cênicas do trabalho original, aproximando técnicas circenses, teatro e dança. A proposta combina apresentações artísticas e atividades formativas, buscando estimular o contato dos estudantes com diferentes linguagens do circo.
Além dos espetáculos, serão oferecidas oficinas gratuitas de técnicas circenses, como malabares, equilibrismo em rola-rola e acrobacia de solo. As atividades permitirão que os participantes experimentem práticas e equipamentos utilizados pelos artistas, transformando a experiência de assistir ao circo em uma oportunidade de participação e aprendizado.
A escolha das localidades também está relacionada ao propósito de ampliar o acesso às artes circenses em territórios que recebem com menor frequência produções culturais presenciais. Ao realizar suas atividades em escolas rurais, municipais, estaduais e indígenas, o projeto busca aproximar a arte circense dos estudantes, valorizando a escola como espaço de formação, criação e acesso à cultura.
Para o diretor artístico e criador do espetáculo, Ulisses Moraes Nogueira, a circulação representa a concretização de uma proposta que acompanha sua trajetória: aproximar a arte circense da educação e ampliar o acesso às produções culturais fora dos grandes centros urbanos.
“Significa para mim, antes de tudo, uma vitória. Uma vitória que mostra que a arte não tem fronteiras e que, atrelada ao ensino regular, à educação, torna o cidadão muito mais forte, sensível e resiliente diante das adversidades da vida. A arte nesses lugares tem um papel importantíssimo: além de fomentar e democratizar o acesso, oferece um novo olhar e um acréscimo cultural para crianças, adolescentes e professores, contribuindo para a formação para a vida”, afirma.
Ulisses destaca ainda que a escolha por localidades do interior foi feita pela Sorrayla Acosta e está relacionada a uma concepção de trabalho artístico que sempre orientou atuação deles no estado.
“Eu sempre quis descentralizar a arte das grandes capitais e priorizar as cidades interioranas e, junto com elas, as comunidades quilombolas, os assentamentos e as comunidades indígenas. Não porque nesses lugares não tenha arte. Tem, sim, e muita. Mas ela chega em menor quantidade, e essas comunidades têm um acesso menor”, explica.
A circulação do Circando busca, assim, promover encontros entre diferentes experiências culturais, reconhecendo a diversidade dos territórios e contribuindo para ampliar as oportunidades de acesso às artes circenses. Tanto as apresentações quanto as oficinas contarão com interpretação em Libras, ampliando as condições de participação dos estudantes nas atividades.
Confira o cronograma de apresentações e oficinas
13 de novembro – Águas do Miranda | Bonito (MS)
Local: Escola Rural Francisco Anísio Correa
Espetáculo: 9h40 | Oficina: 13h
18 de novembro – Camisão | Aquidauana (MS)
Local: Escola Municipal Franklin Cassiano
Espetáculo: 9h40 | Oficina: 13h
19 de novembro – Piraputanga | Aquidauana (MS)
Local: Escola Municipal Antônio Santos Ribeiro
Espetáculo: 9h40 | Oficina: 13h
26 de novembro – Bodoquena (MS)
Local: Escola Estadual Pedro Pedrossian
Espetáculo: 9h40 | Oficina: 13h
27 de novembro – Aldeia Tomázia | Porto Murtinho (MS)
Local: Escola Indígena Antônio Alves de Barros
Espetáculo: 9h40 | Oficina: 13h
Em todas as localidades, as atividades serão realizadas em um único dia, com apresentação do espetáculo no período da manhã e oficina de vivência circense à tarde.
As apresentações e oficinas são gratuitas e destinadas exclusivamente ao público escolar das instituições contempladas pelo projeto, não sendo abertas ao público geral.
Produção cultural a partir do interior de Mato Grosso do Sul
O Circando reúne artistas com trajetórias ligadas à criação circense, à educação e à produção cultural. Ulisses Moraes Nogueira, natural de Amambai (MS), possui mais de 25 anos de experiência nas artes cênicas. Sua trajetória inclui passagens pelo grupo XPTO e trabalhos com companhias como Deborah Colker e Ballet Stagium, além de formação na Escola Nacional de Circo e especialização na École de Cirque Électrique, em Paris.
Ao seu lado estão Sorrayla Acosta Parra, artista, historiadora, educadora social e produtora cultural, com atuação no teatro, circo e palhaçaria desde 2008, e Maria Sato, artista circense multidisciplinar, arte-educadora e produtora cultural, com experiências profissionais no Brasil e em outros países da América Latina.
A nova montagem é desenvolvida a partir de Bonito, fortalecendo a produção artística realizada no interior de Mato Grosso do Sul e promovendo a circulação do circo por diferentes territórios do estado.
O projeto “Circando: Uma Vivência Circense” é realizado com recursos da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura – Governo Federal, por meio do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025 – Circuito Carequinha de Circo.
Direção e concepção artística: Ulisses Moraes Nogueira
Produção executiva: Sorrayla Acosta Parra e Uli Produções Artísticas
Apoio e incentivo: Instituto Espiral Arte e Movimento
Assessoria de Comunicação e Imprensa: Gabriela Junqueira