Aos 60 anos, família transforma antiga fazenda em refúgio ecológico a 7 km de Delfinópolis, preserva cerrado, cria complexo com cinco cachoeiras no quintal, pousada, camping e chalés em meio à natureza intocada

Complexo do Claro une turismo, preservação ambiental e cachoeiras de fácil acesso no coração da Serra da Canastra, atraindo famílias, idosos e visitantes em busca de contato real com a natureza

Localizado a apenas 7 quilômetros da área urbana de Delfinópolis, no sudoeste de Minas Gerais, o Complexo do Claro se consolidou como um dos exemplos mais bem-sucedidos de turismo sustentável na região da Serra da Canastra. O espaço reúne cinco cachoeiras naturais, trilhas de fácil acesso, pousada, camping, chalés rústicos e infraestrutura completa, tudo inserido em uma área que antes funcionava como fazenda e hoje é referência em preservação ambiental.

A informação foi divulgada em reportagem e visita técnica conduzida no próprio local, com relatos da proprietária Dorinha e acompanhamento de guias turísticos da região, que detalham como o turismo foi adotado como estratégia para proteger a mata ciliar, o cerrado e os recursos hídricos que abastecem a própria cidade de Delfinópolis.

Desde o início da visita, o cenário impressiona. Logo na entrada do complexo, o visitante se depara com trilhas bem cuidadas, áreas arborizadas e um ambiente silencioso, interrompido apenas pelo som da água corrente e dos pássaros. Ainda assim, apesar da aparência selvagem, o acesso é simples, permitindo que crianças, idosos e pessoas sem preparo físico avançado consigam conhecer as principais atrações com segurança.

Cinco cachoeiras, trilhas curtas e água que abastece a cidade por gravidade

Um dos grandes diferenciais do Complexo do Claro é a concentração de cachoeiras em um espaço compacto, todas com acesso relativamente próximo à portaria e à pousada. Ao todo, são cinco cachoeiras, cada uma com características próprias e níveis diferentes de queda d’água.

A primeira delas, a Cachoeira do Tombo, fica a cerca de 350 metros da portaria, o que a torna uma das mais acessíveis do complexo. Logo em seguida vem a Cachoeira da Paz, considerada uma das mais visitadas. Com aproximadamente 6 metros de altura, segundo estimativas dos proprietários, ela recebeu esse nome pela sensação de tranquilidade que transmite aos visitantes, cercada por mata fechada e sombra constante.

Para facilitar o acesso sem agredir o meio ambiente, foram instaladas escadas e trilhas adaptadas, com remoção mínima de pedras e sem uso de estruturas agressivas ao terreno. Essa preocupação se repete em todo o complexo, onde cada intervenção foi planejada para reduzir impactos ambientais.

Durante o percurso, um detalhe técnico chama atenção: a captação de água que abastece Delfinópolis tem origem dentro da área do complexo. A água é conduzida totalmente por gravidade, sem necessidade de bombeamento, partindo das áreas mais altas da serra até a cidade, em um sistema implantado há décadas e mantido até hoje.

Na sequência do trajeto, os visitantes chegam à Cachoeira da Gruta, considerada a mais alta do complexo. Ela apresenta múltiplas quedas, com um volume de água significativamente maior. O nome vem de uma formação natural escondida atrás de uma cortina d’água, onde existe uma espécie de gruta com areia, formando uma pequena “prainha” natural acessível ao atravessar a queda principal.

Por questões de segurança, todas as cachoeiras contam com boias presas por cordas, disponíveis para uso emergencial em caso de afogamento ou acidentes, um cuidado adicional que reforça o compromisso com a experiência segura dos visitantes.

De fazenda abandonada a modelo de preservação ambiental no turismo da Canastra

Antes de se tornar um complexo turístico, a área funcionava como fazenda tradicional, administrada pelo pai da atual proprietária. No entanto, com o passar dos anos e a redução da presença constante de moradores, a região passou a sofrer com entrada desordenada de visitantes, acampamentos improvisados e degradação da mata ciliar às margens do rio.

Diante desse cenário, a família decidiu mudar completamente o rumo da propriedade. O primeiro passo foi a criação de um camping estruturado, há cerca de 20 anos, justamente para retirar as pessoas da beira do rio e concentrar o uso em áreas controladas. Com isso, a vegetação começou a se recuperar de forma natural.

Segundo relatos, após a organização do camping e a restrição de acesso a áreas sensíveis, a mata ciliar voltou a crescer, o cerrado se regenerou e o ambiente passou a se aproximar novamente das condições originais da região, consideradas hoje bem preservadas.

Com o sucesso do camping, vieram os chalés, e posteriormente a pousada, ampliando a capacidade de hospedagem e diversificando o público atendido. O objetivo, desde o início, não foi apenas explorar o turismo, mas utilizar a atividade como ferramenta para conservação ambiental, mantendo a área protegida e financeiramente viável.

Estrutura completa: camping, chalés, pousada, restaurante e lazer alternativo

Além das cachoeiras, o Complexo do Claro oferece uma infraestrutura robusta para diferentes perfis de visitantes. A área de camping conta com banheiros masculinos e femininos, chuveiros com água quente, pontos de energia elétrica espalhados pelo terreno, espaço para barracas e estrutura básica para receber até mesmo motorhomes, ainda que sem instalações específicas para esse tipo de veículo.

Um dos destaques do camping é a casa de pedra onde ficam os banheiros, construída pelos próprios proprietários com materiais compatíveis com o ambiente, preservando a identidade rústica do local.

Para quem prefere mais conforto, os chalés oferecem acomodação para até oito pessoas, com cozinha equipada, geladeira, churrasqueira e quartos integrados à mata. Os chalés são conjugados, construídos em alvenaria com acabamento simples e funcional, pensados para grupos familiares.

Já a pousada apresenta quartos amplos, com pé-direito alto, acabamento em madeira, banheiro privativo, ventilador, televisão e vista direta para a floresta. Graças à altitude e à vegetação, o clima é naturalmente fresco, reduzindo a necessidade de ar-condicionado, especialmente à noite.

O complexo também dispõe de restaurante e lanchonete, que funcionam aos sábados, domingos e feriados, servindo refeições tanto para hóspedes quanto para visitantes externos. Para quem não deseja ir às cachoeiras, há ainda uma piscina, integrada à área de lazer do camping e da pousada.

Turismo de natureza cresce em Delfinópolis e reforça vocação da Serra da Canastra

A experiência no Complexo do Claro reflete uma tendência cada vez mais forte em Delfinópolis e em toda a Serra da Canastra: o crescimento do turismo de natureza, ecológico e de baixo impacto. A combinação entre cachoeiras, trilhas curtas, estrutura organizada e preocupação ambiental tem atraído visitantes de diversas regiões do Brasil.

Guias turísticos locais destacam que o complexo é frequentemente incluído em roteiros pela Canastra, justamente por reunir várias atrações em um único espaço e por oferecer segurança e conforto sem perder o contato direto com a natureza.

Mesmo após um dia inteiro de trilhas, subidas em pedras e caminhadas pela mata, a sensação relatada pelos visitantes é de satisfação. O esforço físico é moderado, mas recompensado pela paisagem, pelo som das quedas d’água e pela sensação de estar em um ambiente preservado, longe do ritmo acelerado das cidades.

Ao final da visita, fica claro que o Complexo do Claro não é apenas um ponto turístico, mas um exemplo de como o turismo pode ser aliado da conservação ambiental, garantindo renda, preservação e acesso responsável a um dos biomas mais ricos do Brasil.

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