Aneel revisa proposta de aumento da conta de luz em MS e sugere 12,11%

A área técnica da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reduziu em meio ponto percentual o reajuste médio da tarifa de energia elétrica a ser cobrada pela Energisa MS. Dos 12,61% previstos até a semana passada, o índice médio caiu para 12,11% após a companhia aceitar adiar a decisão em uma semana. Hoje, a diretoria da autarquia, em reunião colegiada, vota este novo percentual.

O reajuste da tarifa de energia elétrica para os 1,15 milhão de consumidores em 74 municípios sul-mato-grossenses atendidos pela Energisa MS agora está definido pela área técnica em 11,98% para os de baixa tensão (residenciais) e em 12,39% para os de alta tensão, ficando em média em 12,11%, uma redução de 0,5 ponto percentual em relação aos percentuais anteriores, conforme o novo relatório apresentado ontem.

Na proposta anterior, o aumento médio seria de 12,61%, conforme a Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) da autarquia. Os consumidores de baixa tensão teriam de pagar 12,49% a mais, enquanto os de alta tensão deveriam ter um aumento maior, de 12,88%, segundo a planilha apresentada no dia 30 de março.

Essa queda foi possível porque, na última quinta-feira (9), dois dias após o adiamento da decisão pela diretoria colegiada sobre o reajuste, a Energisa MS apresentou solicitação de diferimento tarifário de R$ 21 milhões — mecanismo regulatório que adia parte dos reajustes na conta de luz, suavizando impactos imediatos para o consumidor —, valor que será “corrigido pela variação da Selic, a ser reintegrado à distribuidora a partir do próximo evento tarifário (2027)”.

O relatório da área técnica afirma que a empresa solicitou que, no cálculo do reajuste tarifário do ano que vem, também sejam considerados os valores da diferença decorrente da não aplicação das novas tarifas no dia 8 de abril de 2026 até a sua efetiva entrada em vigor.

A STR informou que “o valor do diferimento pleiteado pela distribuidora é compatível com as regras de diferimento estabelecidas no submódulo 4.4 do Proret, motivo pelo qual a Superintendência não observou óbices ao acolhimento do pleito”.

A área técnica citou ainda que, na mesma data, “a STR informou, via reunião virtual, ao Conselho de Consumidores, a simulação de efeito médio considerando-se o diferimento de R$ 21 milhões, conforme estabelece o submódulo 4.4 do Proret, ocasião em que o Conselho manifestou sua concordância com a solicitação da distribuidora. Também foi enviado e-mail ao Conselho com as planilhas de cálculo”.

Essa postura de reduzir os percentuais teve início no mês passado, quando a Aneel solicitou que a Energisa MS se manifestasse sobre a possibilidade de postergar a decisão, atendendo a pedido da Secretaria Nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia.

A pasta comunicou à Aneel que o “governo federal encontra-se, neste momento, conduzindo análises e tratativas institucionais voltadas à avaliação de possíveis medidas relacionadas a reajustes tarifários”, destacando que “o objetivo dessas discussões é examinar alternativas que possam mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores, buscando soluções que preservem o equilíbrio regulatório sem impor ônus excessivo à população”.

Com a apresentação desses argumentos pelo ministério, a diretora-relatora do processo de reajuste da Energisa MS na Aneel, Agnes Maria de Aragão da Costa, considerou que a agência não poderia “promover o diferimento tarifário sem a anuência da concessionária, por configurar alteração unilateral das cláusulas econômicas do contrato de concessão, notadamente aquelas que definem a respectiva equação econômico-financeira”.

Por esse motivo, no dia 24 do mês passado, Agnes da Costa encaminhou ofício à Energisa solicitando seu posicionamento sobre o reajuste.

“Considerando o pleito do Ministério de Minas e Energia e, diante da relevância e sensibilidade do tema, solicito que a EMS (Energisa) se manifeste quanto ao seu interesse e indique a alternativa que entenda mais adequada para o tratamento de sua tarifa no âmbito do presente processo, de modo a subsidiar a deliberação desta Agência, em observância aos limites legais e contratuais aplicáveis”, argumentou a diretora da Aneel.

Adiamento
No dia 6 deste mês, a Energisa MS apresentou ofício comunicando que aceita o adiamento em uma semana, “com o intuito de contribuir com a avaliação de possíveis alternativas destinadas a mitigar os impactos de reajustes tarifários aos clientes”, enfatizando que “concorda com a postergação da homologação do Reajuste Tarifário Anual a ser deliberado no dia 7 de abril de 2026 para o dia 14 de abril de 2026”.

No documento, a empresa deixa claro que “o efeito financeiro decorrente da não aplicação das novas tarifas entre o dia 8 de abril de 2026 e a data de publicação da nova Resolução Homologatória seja compensado e devidamente corrigido no cálculo das tarifas de 2026”.

Com esse posicionamento, a diretoria da Aneel retirou o processo de reajuste tarifário da pauta da reunião do dia 7, reagendando-o para esta terça-feira (14), com a proposta de índices menores.

Fonte:Correiodoestado

Related posts

Semana do Cooperativismo destaca impacto da cooperação no desenvolvimento das comunidades

Faculdade Senac MS abre 120 vagas para cursos superiores em 2027

Da lavoura aos rios, estudo da Embrapa aponta risco de poluição da água em MS