sexta-feira, 18 setembro, 2026 09:38
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Anatel manda bloquear chamadas adulteradas de empresas que fizeram 4,3 milhões de ligações

de Redação Bonitonet
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Mais de 4,3 milhões de chamadas com números de origem adulterados foram associadas a duas empresas que agora estão sujeitas a medidas de bloqueio determinadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As ligações, identificadas entre setembro de 2025 e junho de 2026, fazem parte de um conjunto de mais de 203 milhões de chamadas com indícios de spoofing analisadas pela agência.

As medidas foram divulgadas pela Anatel na quarta-feira (16) e atingem a Voros Telecomunicações e a ELO Contact Center. Segundo a agência, o spoofing ocorre quando o número apresentado ao destinatário é alterado indevidamente, dificultando a identificação de quem efetivamente originou a ligação. A prática pode ser utilizada em fraudes e outras condutas irregulares.

A Anatel informou que não foi possível identificar imediatamente a origem de todo o tráfego considerado irregular. Por isso, também determinou que algumas operadoras rastreiem as chamadas e apresentem informações capazes de apontar a origem efetiva das ligações.

Bloqueio de chamadas

No caso da Voros Telecomunicações, a agência concluiu que houve prestação clandestina de serviço de telecomunicações. Como consequência, as operadoras Algar, Datora e Foco foram impedidas de disponibilizar parte da capacidade de tráfego para a empresa.

A medida tem caráter cautelar e integra uma estratégia da Anatel para interromper o encaminhamento de chamadas associadas à adulteração da identificação de origem.

Já a ELO Contact Center foi alvo de outra decisão. Segundo a Anatel, a empresa realizou chamadas utilizando números que não estavam de acordo com os padrões estabelecidos para identificação da origem.

A TIM, que mantém relação comercial com a empresa, deverá bloquear as chamadas que tenham a ELO como origem pelo período determinado pela agência, de até 30 dias.

Operadoras terão que rastrear ligações

Além das determinações de bloqueio, a Anatel estabeleceu medidas para tentar descobrir de onde partiram outras chamadas consideradas irregulares.

TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom foram identificadas pela agência como responsáveis pelo encaminhamento de grandes volumes de tráfego com indícios de adulteração.

As empresas deverão apresentar, no prazo de 30 dias, relatórios com informações sobre a origem das chamadas apontadas pela Anatel.

A estratégia faz parte das medidas adotadas pela agência para aumentar a rastreabilidade das ligações. Segundo a Anatel, a identificação do efetivo originador pode permitir que novas medidas de bloqueio sejam aplicadas contra os responsáveis pelo tráfego irregular.

O que dizem as empresas

A Voros Telecomunicações afirmou à Anatel que não presta serviços de chamadas destinados à rede pública e atribuiu às operadoras parceiras a responsabilidade pelo identificador de origem das ligações.

A ELO Contact Center informou que as irregularidades teriam sido provocadas por um fornecedor e disse ter adotado medidas para corrigir o problema.

A TIM declarou que não tinha ingerência sobre a falha apontada e informou ter aplicado penalidades contratuais à parceira.

Algar e Surf Telecom disseram que as chamadas adulteradas estavam relacionadas a contratos de intermediação com outras empresas e não teriam sido originadas diretamente de suas próprias redes.

A Itelco, segundo a Anatel, não respondeu às intimações encaminhadas pela agência.

O que é spoofing

Spoofing é a prática de alterar ou mascarar o número que aparece no telefone de quem recebe uma chamada. Dessa forma, o destinatário pode visualizar um número diferente daquele que efetivamente originou a ligação.

A Anatel considera a prática especialmente problemática porque dificulta a identificação do responsável pela comunicação e pode ser explorada para golpes e fraudes.

A agência vem adotando medidas para aumentar a rastreabilidade das chamadas e impedir o uso irregular das redes. Desde 2025, também está disponível uma tecnologia de autenticação e identificação de chamadas que permite verificar se o número exibido ao consumidor corresponde ao utilizado para originar a ligação.

A regulamentação estabelece ainda que as prestadoras devem adotar medidas técnicas e administrativas para prevenir e interromper fraudes relacionadas ao uso das redes de telecomunicações.

Anatel já bloqueou mais de mil empresas

O combate às chamadas abusivas e fraudulentas é uma das frentes permanentes de atuação da Anatel. Segundo dados divulgados pela própria agência, as medidas adotadas nos últimos quatro anos resultaram no bloqueio de mais de 1,2 mil empresas para realização de chamadas.

No mesmo período, a Anatel afirma que mais de 248 bilhões de ligações deixaram de chegar aos consumidores e que quase R$ 40 milhões em multas foram aplicados.

A agência também mantém medidas específicas para chamadas abusivas, incluindo mecanismos de bloqueio e rastreamento de tráfego considerado irregular.

Fonte:EFMS

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