Agosto teve chuva abaixo da média em MS, mas trimestre deve ser mais quente e chuvoso

O mês de agosto terminou com predomínio de chuva abaixo da média histórica em Mato Grosso do Sul, mas a tendência para os próximos três meses é de mudança no padrão de precipitação. De acordo com o boletim mensal do Cemtec/Semadesc, a previsão para setembro, outubro e novembro indica chuvas acima da média, acompanhadas de temperaturas superiores às normais climatológicas.

Em agosto, a distribuição da chuva foi bastante irregular. Os acumulados variaram de apenas 1,2 milímetro em Alcinópolis a 119,2 mm em Ponta Porã. As regiões sul, sudeste, sudoeste e parte da área central tiveram os maiores volumes, enquanto norte, nordeste e Pantanal registraram os principais déficits.

Entre os municípios que mais receberam chuva, estão Ponta Porã (119,2 mm), Aral Moreira (115 mm), Bonito (87,4 mm), Laguna Carapã (85,6 mm) e Campo Grande (85,4 mm). Ponta Porã teve o maior excedente em relação à média histórica, com 126% acima do esperado, seguida por Aral Moreira, com 116%; Porto Murtinho, com 100%; e Campo Grande, com 88%.

No outro extremo, Alcinópolis registrou somente 1,2 mm, equivalente a 95% abaixo da média histórica. Pedro Gomes teve 3,6 mm, com déficit de 84%, enquanto pontos de medição em Corumbá registraram 6,6 mm, cerca de 77% abaixo do esperado. O boletim aponta que os municípios do norte, nordeste e Pantanal tiveram déficits entre 60% e 80%, evidenciando a persistência da estiagem nessas áreas.

Campo Grande teve máxima média de 31,8ºC

Na Capital, os dados mostram uma diferença importante conforme a estação considerada. Na estação A702 do Inmet, localizada na Embrapa Gado de Corte, a precipitação de agosto ficou 56% abaixo da média histórica. Já o pluviômetro automático do Cemaden registrou 85,4 mm, volume 88% superior à média esperada para o mês. Outros pontos da cidade tiveram volumes de 33,6 mm, 31,8 mm e 27 mm.

Apesar da irregularidade das chuvas, agosto também foi marcado por temperaturas acima da média em Campo Grande. A temperatura mínima média foi de 19,8°C, 3°C acima da média histórica, enquanto a máxima média chegou a 31,8°C, 2,1°C acima do normal.

No Estado, a variação térmica foi ainda maior. A maior temperatura de agosto foi de 41,1°C, em Pedro Gomes, enquanto a menor foi de 3,8°C, em Iguatemi. O mês também teve registro de umidade relativa mínima de 9% em Corumbá, na Fazenda São Cândido, e rajada de vento de 99 km/h em Juti.

Próximo trimestre

Para o trimestre setembro-outubro-novembro, a projeção do Cemtec aponta acumulados de chuva acima da média climatológica, com referências entre 200 mm e 500 mm, dependendo da região do Estado. Ao mesmo tempo, as temperaturas devem permanecer acima da média, cuja referência para o período varia entre 22°C e 26°C. O cenário pode favorecer ondas de calor mais frequentes, especialmente durante a primavera e no início do verão.

A previsão também aponta para o fortalecimento do El Niño. Para setembro-outubro-novembro, o fenômeno aparece com 100% de probabilidade, sendo aproximadamente 93% na categoria ‘Muito Forte’ e 7% na categoria ‘Forte’. Para outubro-novembro-dezembro, a probabilidade também é de 100%, com cerca de 95% de chance de intensidade ‘Muito Forte’. O próprio boletim ressalta, porém, que o Enos atua de forma indireta e interage com outros sistemas atmosféricos.

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