A nova Suíça da América do Sul

O Paraguai deixou de ser visto apenas como um país periférico e passou a ocupar espaço relevante no debate econômico regional

Nos últimos anos, consolidou-se entre empresários, influenciadores financeiros e investidores da América do Sul a percepção de que o Paraguai vem passando por uma guinada positiva. A transformação econômica do país está diretamente ligada à sua crescente atratividade para negócios, especialmente em comparação com os demais vizinhos sul-americanos. Embora a analogia de que tenha se tornado uma “nova Suíça” seja exagerada em alguns aspectos, ela revela uma percepção importante: o Paraguai deixou de ser visto apenas como um país periférico e passou a ocupar espaço relevante no debate econômico regional.

A comparação com a Suíça surge principalmente por causa da política tributária. O país possui impostos relativamente baixos (15% de carga), burocracia mais simples e um ambiente considerado amigável para empresas. Enquanto muitos países da região convivem com alta carga tributária (no Brasil, mais que o dobro) e instabilidade regulatória, o Paraguai oferece custos menores de produção, energia barata e incentivos para investidores estrangeiros, além de disciplina fiscal. Esse cenário atrai indústrias, comerciantes e até profissionais liberais interessados em reduzir despesas e ampliar margens de lucro. Basta observar a quantidade de empresas brasileiras que se mudaram para lá nos últimos anos.

Outro fator decisivo é a estabilidade macroeconômica. O país manteve, nas últimas décadas, inflação controlada (atualmente 3%), crescimento econômico relativamente consistente e taxa de juros próxima de 5%. Além disso, a moeda local apresentou menos volatilidade do que a de países vizinhos. Esse contexto ajuda a fortalecer a imagem de um país previsível para investimentos, algo raro em uma região frequentemente marcada por crises políticas e econômicas.

É impossível falar sobre o Paraguai sem destacar a importância estratégica da energia elétrica em sua transformação econômica. Graças às hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá, o país dispõe de uma das tarifas de energia mais baratas da América do Sul, fator que impulsiona setores industriais, atividades tecnológicas e até mesmo a mineração de criptomoedas. Esse cenário levou diversas empresas a enxergarem no Paraguai uma oportunidade semelhante à observada em centros financeiros internacionais: baixos custos operacionais, estabilidade e condições favoráveis para a expansão de negócios.

Na área da educação, também houve avanços significativos. O país universalizou o ensino básico, com mais de 97% das crianças entre 5 e 14 anos frequentando a escola, além de apresentar uma taxa de alfabetização superior a 94%, considerada elevada para os padrões regionais. Ainda assim, a qualidade do ensino continua sendo um dos principais desafios do sistema educacional paraguaio.

Quero dizer, entretanto, que afirmar que o Paraguai virou uma “nova Suíça” é um exagero. A Suíça é reconhecida mundialmente por seu elevado desenvolvimento humano, infraestrutura de ponta, sistema financeiro sofisticado, ensino de nível e altíssima qualidade de vida. Apesar dos avanços, os paraguaios ainda enfrentam desafios importantes nas áreas de saúde, desigualdade social e infraestrutura urbana. Outro aspecto desfavorável é que parte significativa da economia permanece na informalidade.

A ideia presente no título deve ser compreendida mais como uma metáfora do que como uma descrição literal. Ela busca retratar a percepção de um país em transformação, que soube construir vantagens econômicas capazes de atrair investimentos e despertar crescente interesse regional e internacional.

O Paraguai deixou de ser visto apenas como um mercado secundário para se tornar um país competitivo e estrategicamente relevante na América Latina. Esse movimento não se explica somente por sua participação no Mercosul, mas também pelo interesse geopolítico que passou a despertar nos Estados Unidos, evidenciado pelo acordo SOFA firmado em 2025.

A sensação é semelhante àquela de observar um aluno disciplinado fazendo o dever de casa, enquanto outros permanecem distraídos ou “sonolentos”. Em um continente frequentemente marcado por instabilidade fiscal, excesso de burocracia e insegurança econômica, o modelo paraguaio chama atenção justamente por adotar um caminho distinto, baseado em maior previsibilidade, custos reduzidos e ambiente mais favorável aos negócios. Nesse aspecto, merece reconhecimento.

Fonte: por Alexandre Espírito Santo

Related posts

Licenciamento de veículos com placas finais 1, 2 e 3 começa em junho

Brasileiros reformam Kombis sucata em modelos de mais de R$ 400 mil nos EUA

Conta de luz seguirá mais cara com manutenção da bandeira amarela