A crise institucional do STF e o futuro do Judiciário Brasileiro

Análise pelo jornalista e escriotor, Bosco Martins

O STF não vive crise institucional: vive crise moral. O julgamento expõe uma corte que investiga, acusa, julga e se protege. O celular de Daniel Vorcaro virou a caixa-preta do sistema. Mendonça quer limitar; Moraes exige abrir. Fachin tenta controlar a pauta. Nos bastidores, pedidos de vista ameaçam enterrar o caso.

Chega de sigilo. Quem não deve nada, não teme a luz. Se há provas contra Moraes, que sejam apresentadas. Se há contra Mendonça, também. O plenário não pode ser trincheira política nem palco de blefe. A sociedade exige transparência integral, não manobras regimentais. Ou o STF se abre, ou será engolido pela própria soberba.

A raiz do problema é a indicação política. O STF virou extensão do presidentes eleitos, não guardião da Constituição. Ministros sem carreira judicial decidem destinos do país enquanto blindam aliados e perseguem adversários. O ativismo destruiu a imparcialidade. A toga não pode ser escudo. A Corte que deveria ser exemplo virou vitrine de interesses cruzados, troca de favores e medo.

É urgente refundar a última instância: magistratura de carreira obrigatória, fim das indicações políticas, critérios técnicos, listas do próprio Judiciário. Só assim a lei será igual para todos. Sem isso, continuaremos reféns de ministros que legislam, julgam e se protegem.

Até prova em contrário, ninguém é culpado. Mas a Corte já é ré perante a nação. Que se abram todas as cartas. O povo quer verdade, não teatro. A pipoca está pronta; a paciência, não. A nação não aceita mais meias verdades. Ou se abre tudo, ou a toga vira mortalha da credibilidade. Basta de blindagem. Chega de teatro.

Fonte: por Bosco Martins

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