quarta-feira, 21 outubro, 2026 12:49
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Plantio de soja chega a 32% em MS e supera ritmo da safra passada, apesar das chuvas

de Redação Bonitonet
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Estado tem 1,56 milhão de hectares semeados; previsão aponta queda de 8,4% na produção, mesmo com aumento da área cultivada

O plantio da soja em Mato Grosso do Sul alcançou 32% da área prevista para a safra 2026/2027 até sexta-feira (16), mesmo com as chuvas que dificultaram o trabalho dos produtores na semana passada. O avanço corresponde a aproximadamente 1,56 milhão de hectares semeados e está 1,1 ponto percentual acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (20) pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).

O ritmo da semeadura, no entanto, varia entre as regiões do Estado. Enquanto o sul concentra o maior percentual de áreas plantadas, o centro e o norte apresentam avanço mais lento, em um cenário influenciado principalmente pelas condições climáticas e pela umidade do solo.

Região sul lidera a semeadura

O levantamento da Aprosoja/MS mostra que a região sul já plantou 39,7% da área destinada à cultura. No centro do Estado, o índice é de 21%, enquanto no norte chega a 18,7%. A diferença entre o sul e o norte é de 21 pontos percentuais.

As chuvas registradas nos últimos dias dificultaram o avanço das máquinas nas lavouras. Com o solo encharcado, os produtores precisaram interromper temporariamente as operações. A semeadura foi retomada perto do fim de semana, após a melhora das condições do tempo.

O excesso de água também provocou problemas em algumas propriedades, como rompimento de estruturas utilizadas para conter enxurradas e o início de processos erosivos. Os casos foram observados principalmente em áreas com solos arenosos e mistos.

Em municípios como Ivinhema, Angélica e Caarapó, houve registros pontuais de chuva acompanhada de ventos e granizo de baixa intensidade. As pedras atingiram folhas de plantas recém-nascidas, mas, conforme o monitoramento da entidade, os danos não exigiram replantio nas áreas avaliadas.

Apesar dos contratempos, a maior parte das lavouras monitoradas apresenta boas condições de desenvolvimento. Os técnicos, no entanto, identificaram a presença de pragas nas fases iniciais da cultura, especialmente nas regiões oeste, sudoeste e sul-fronteira. Nessas áreas, produtores já precisaram adotar medidas de controle.

A Aprosoja/MS também vem alertando para os efeitos do excesso de chuva sobre o solo e a emergência das plantas. Entre os cuidados recomendados estão o acompanhamento das condições das lavouras e o planejamento das operações conforme o clima.

Área plantada deve crescer, mas produção pode cair

A estimativa inicial da Aprosoja/MS é de que Mato Grosso do Sul cultive aproximadamente 4,87 milhões de hectares de soja na safra 2026/2027. O número representa um aumento de 5,5% em relação à temporada anterior.

Mesmo com a expansão da área, a expectativa é de redução na produção. A produtividade média projetada é de 52,4 sacas por hectare, queda de 13,2% em comparação com o ciclo 2025/2026.

Com esse rendimento, a colheita estadual deve alcançar cerca de 15,3 milhões de toneladas, volume 8,4% menor que o registrado na safra passada, quando a produção chegou a aproximadamente 16,74 milhões de toneladas.

As projeções para o novo ciclo são baseadas na média de produtividade dos últimos cinco anos utilizada pela entidade e ainda podem mudar conforme as condições climáticas e o desempenho das lavouras ao longo do desenvolvimento da cultura.

El Niño aumenta preocupação com o clima

As condições do tempo estão entre os principais pontos de atenção para os próximos meses. A influência do fenômeno El Niño pode favorecer temperaturas acima da média e episódios de calor intenso, além de tempestades acompanhadas de ventos fortes e granizo.

Para o trimestre de outubro, novembro e dezembro, a previsão apresentada no boletim da Aprosoja/MS indica possibilidade de chuvas acima da média histórica em parte de Mato Grosso do Sul, com volumes de referência entre 300 e 500 milímetros, dependendo da região.

O cenário exige atenção dos produtores porque tanto a falta quanto o excesso de chuva podem prejudicar o desenvolvimento da soja. Enquanto a umidade é necessária para a germinação e o crescimento das plantas, precipitações intensas podem dificultar o manejo, favorecer a erosão e provocar danos às lavouras.

Projeções climáticas divulgadas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também apontam para a intensificação do El Niño no fim de 2026, com possibilidade de temperaturas acima do normal em grande parte do país. Os efeitos sobre as chuvas, porém, podem variar entre as regiões.

Com o plantio ainda em andamento, o comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para a evolução da semeadura e para confirmar as estimativas de produtividade e produção da soja em Mato Grosso do Sul.

Fonte:EFMS

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