quarta-feira, 7 outubro, 2026 16:05
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21 contra 91: a urna que expõe o choque de gerações e o fim de um ciclo na política brasileira

de @bonitonet
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A eleição de jovens como Eduarda Campopiano (21), ao lado da permanência de lideranças octogenárias e nonagenárias como Luiza Erundina (91), revela uma mudança profunda no eleitorado

A eleição de 2026 deixa uma imagem impossível de ignorar: de um lado, Eduarda Campopiano, eleita aos 21 anos; de outro, Luiza Erundina, aos 91 anos. Entre as duas, uma diferença de sete décadas — e uma fotografia extremamente simbólica do momento vivido pela política brasileira.

Mais do que uma disputa entre juventude e experiência, o resultado expõe uma transformação que vem ganhando força no país: a emergência de uma nova geração de políticos, muitos deles identificados com pautas conservadoras e de direita, que não aceita mais esperar décadas para participar das decisões nacionais.

A mensagem das urnas é direta: o eleitor brasileiro está mudando — e a política tradicional terá de mudar com ele.

A geração que não quer esperar
Durante muito tempo, a política brasileira pareceu ter donos. Nomes conhecidos, famílias tradicionais, estruturas partidárias antigas e políticos que permaneciam por décadas ocupando os mesmos espaços.

Para muitos jovens, a política parecia um ambiente distante, burocrático e dominado por figuras que pertenciam a outra realidade.

As redes sociais alteraram esse cenário.

Uma nova geração passou a construir sua própria audiência, formular suas próprias opiniões e confrontar discursos que antes pareciam intocáveis.

É nesse ambiente que surgem jovens candidatos que chegam às urnas sem carregar necessariamente décadas de carreira política.

Eduarda Capopiano, aos 21 anos, representa simbolicamente essa ruptura, assim como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, com votação histórica nessa eleição.

Não significa que todo jovem seja necessariamente melhor preparado. Significa que uma geração que durante muito tempo foi tratada como “o futuro” decidiu que quer ser o presente.

A direita descobriu uma nova geração
Um dos fenômenos mais importantes desse processo é a renovação observada no campo da direita brasileira. O eleitor conservador passou a procurar representantes que não sejam necessariamente herdeiros da política tradicional. Jovens que utilizam as redes sociais, dialogam diretamente com seus eleitores e defendem temas como liberdade econômica, segurança pública, valores familiares, responsabilidade fiscal e redução do tamanho do Estado ganharam espaço no debate público.

Essa mudança é particularmente relevante porque rompe com uma antiga lógica partidária. Antes, para alcançar relevância nacional, um político precisava necessariamente passar por estruturas tradicionais: diretórios, caciques partidários, grandes grupos de comunicação e longas carreiras eleitorais.

Hoje, isso não é mais necessariamente verdade. Um jovem de 20 e poucos anos pode construir uma audiência nacional utilizando um telefone celular. A velha política construiu sua força durante décadas. A nova política pode construir influência em poucos anos — ou até meses.

O problema não é ter 91 anos. É não perceber que o mundo mudou.

A presença de Luiza Erundina aos 91 anos merece também uma leitura que vá além da simples crítica.

Sua trajetória representa uma parte importante da história política brasileira. Sua longevidade demonstra que experiência e participação política não possuem necessariamente prazo de validade. O problema aparece quando a experiência é utilizada como justificativa para impedir a renovação.

O Brasil de hoje não é o mesmo Brasil de décadas atrás. A comunicação mudou. A economia mudou. O comportamento social mudou. A relação entre cidadão e Estado mudou. E, principalmente, o eleitor mudou.

É justamente por isso que a questão central não deveria ser quantos anos tem um candidato, mas se ele compreende o país que pretende representar.

A velha política perdeu o monopólio da narrativa
Talvez essa seja uma das maiores transformações políticas dos últimos anos.

Durante décadas, a sociedade recebia informação política principalmente por meio de partidos, jornais, televisão e estruturas tradicionais de comunicação. Hoje, o eleitor pode acompanhar diretamente um parlamentar, um candidato ou um líder político.

Essa democratização da comunicação reduziu o poder de intermediação das antigas estruturas. E a direita soube explorar esse ambiente.

Enquanto setores tradicionais da política ainda tentam compreender a linguagem das novas plataformas, uma geração de jovens conservadores passou a utilizar redes sociais como instrumento de mobilização política.

O resultado aparece nas urnas.

Renovação não significa simplesmente trocar rostos
Existe, entretanto, uma armadilha. Colocar pessoas jovens no poder não significa automaticamente renovar a política. Um político de 25 anos pode reproduzir práticas da velha política. E um político de 70 ou 80 anos pode defender mudanças profundas.

Por isso, a verdadeira renovação não deve ser medida pela certidão de nascimento. Renovação política significa mudança de mentalidade, de práticas e de relação com o eleitor. É o fim da política baseada exclusivamente em sobrenome, padrinho político, máquina partidária ou tempo de carreira. É a política em que o eleitor cobra resultados e não aceita mais receber apenas discursos.

A pergunta que fica para 2027
O grande desafio para essa nova geração será provar que consegue fazer aquilo que tanto critica na velha política: governar, legislar, administrar e entregar resultados.

A juventude oferece energia, novas ideias e familiaridade com as transformações tecnológicas e sociais. A experiência oferece memória, conhecimento institucional e compreensão dos erros cometidos no passado.

O Brasil precisa das duas coisas.

Mas existe uma diferença fundamental: experiência não pode ser confundida com permanência e juventude não pode ser confundida com competência. Ambas precisam ser submetidas ao mesmo julgamento: o resultado.

A urna está pedindo passagem
Aos 21 anos, Eduarda Campopiano simboliza uma geração que bate à porta do poder e diz que não pretende esperar décadas.

Aos 91 anos, Luiza Erundina simboliza uma geração que se recusa a desaparecer da vida pública.

Entre uma e outra existe um intervalo de 70 anos. Mas existe também uma mensagem política muito mais importante: o Brasil está entrando em uma disputa entre gerações pela definição do seu futuro.

E, nesse processo, a direita brasileira parece ter encontrado um terreno fértil para sua renovação: jovens que não carregam necessariamente os velhos compromissos partidários, que se comunicam diretamente com a sociedade e que desejam disputar espaços que antes pareciam reservados aos profissionais tradicionais da política.

O fenômeno não deve ser subestimado.
A velha política ainda possui estruturas, recursos e influência. Mas já não possui o monopólio da voz. A nova geração descobriu que pode falar.

E, principalmente, descobriu que pode ser ouvida nas urnas.

21 ou 91?
Talvez essa seja a imagem mais provocadora das eleições de 2026.

21 anos não significa necessariamente renovação.
91 anos não significa necessariamente atraso.

O verdadeiro divisor de águas está em outro lugar: entre quem entende que o Brasil precisa mudar e quem acredita que basta continuar fazendo política como sempre foi feita.

É nesse espaço — e não na idade — que a verdadeira disputa pelo futuro brasileiro está acontecendo.

Fonte: Redação

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